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1000%? “Guam na boca de Trump não é boa publicidade”, dizem os que lá moram 14 Agosto 2017

Trump disse este sábado que apoia 1000% a ilha de Guam e que o turismo vai crescer na mesma proporção. A ilha americana no Pacífico tornou-se o centro das atenções, por entre a escalada verbal entre Trump e Kim que ameaça a paz na região. Se para o 45º POTUS, a mediatização desta base dos Estados Unidos trará proveitos ao setor turístico da ilha, os guameses pensam o contrário.

1000%? “Guam na boca de Trump não é boa publicidade”, dizem os que lá moram

A remota ilha de Guam no Pacífico tornou-se o centro das atenções, por entre a escalada verbal de anúncios de ’fogo e fúria’ ripostando ao anúncio dos quatro mísseis norte-coreanos. Mera retórica de Trump e Kim Jong-Un?

Meio mundo entende que os "líderes loucos" ameaçam a paz na região e, nesta sexta-feira, o Japão, a meia distância entre a base da Coreia do Norte e a base de Guam, decidiu posicionar os seus antimísseis. Para o caso de a ameaça de Pyongyang não ser mero ’bluff’.

No sábado, Trump prometeu “mil por cento de apoio” aos guameses e o “décuplo de crescimento no turismo”. Foi uma resposta rápida à última ameaça de que Pyongyang tinha preparados quatro mísseis para lançar sobre Guam.

Mas as reações dos habitantes, recolhidas pelo “Guam PDN” online deste domingo 13, mostram que os habitantes prefeririam que a ilha ficasse “longe da boca de Trump”.
“A segurança da nossa ilha está em risco”, dizem pessoas ouvidas em Hagatna, a capital. Muitos mostram o paradoxo que é juntar na mesma linha “mísseis” e “turismo”.

Muitos disseram que houve ameaças no passado, mas que se riam porque entendiam que era só retórica dum lado e de outro, mas que agora domina uma sensação de insegurança. Se nunca antes tinham levado a sério as ameaças de mísseis lançados sobre ou a lançar da base no nordeste da ilha, agora estão com o credo na boca, sem saber o que esperar das ações do imprevisível Trump.

Em vez de verem no seu presidente uma força que lhes dá segurança, “Trump é uma ameaça” porque tem o “mesmo comportamento insano do ditador norte-coreano”.

Japão – fonte de 90% dos turistas

Este fim de semana, os online do Japão – fonte de 90% dos turistas que chegam a Guam – mostram que se por um lado os turistas japoneses continuam a escolher a idílica ilha do arquipélago das Marianas, os operadores turísticos têm estado a preparar-se para uma eventual retirada caso as ameaças da Coreia do Norte se concretizassem.

Também outra fonte de turistas é a Coreia do Sul. Segundo o presidente da associação sul-coreana de operadores turísticos, se houver um confronto em Guam, “vai ser a morte do turismo na ilha”.

Guam entre últimas colónias do mundo

As Nações Unidas listam a ilha como uma das últimas 17 colónias ainda existentes. O direito de voto dos habitantes é muito limitado e o seu único representante no Congresso, em Washington, não tem direito de voto.

O seu historial de colonização europeia data do século XVI, com a chegada do português Fernão de Magalhães em 1521. A Guame/Guão das memórias de viajantes portugueses do século XVI passou a Guaján entre 1565 e 1898 sob domínio espanhol. Ao fim de mais de um século de colonização dos Estados Unidos, o plebiscito para a independência de Guam tem sido sucessivamente adiado.

O governador Eddie Bazza Calvo deve ser o único membro de governo local que, no quadro dos países democráticos, não é eleito, pelo que se diz que a ilha é uma “não-democracia no país da democracia exemplar”.

Fontes: Japan Times, Guam PDN, The Korea Times. Foto: turistas japoneses na capital guamesa, Hagatna.

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