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1º Centenário do Tarrafal: Presidente da República apela para a preservação do Campo da Concentração e seu reconhecimento como património da humanidade 26 Abril 2017

O Presidente da República defende que todos temos o dever de tudo fazer para preservar o Campo da Concentração do Tarrafal como importante monumento e de contribuir para que ele venha a ser reconhecido património da humanidade. Jorge Carlos Fonseca fez esta declaração durante a cerimónia evocativa do primeiro centenário do Município do Tarrafal, que decorreu, nesta terça-feira, na cidade de Chão Bom.

1º Centenário do Tarrafal: Presidente da República apela para a preservação do Campo da Concentração e seu reconhecimento como património da humanidade

O mais alto magistrado da nação cabo-verdiana afirma acreditar que, mais do que nunca, pedaços da vida e da história que o Campo de Concentração do Tarrafal contém, devem ser perenizados, numa perspectiva dinâmica que impõe a preservação do passado como referência preventiva para os perigos de hoje. «Neste dia 25 de Abril, de importância inestimável para Cabo Verde, Portugal e outras ex-colónias portuguesas e que permitiu a libertação dos últimos presos políticos da era colonial-fascista, devemos assumir, com determinação, o compromisso de continuar a fazer do Museu da Resistência um farol que se alimenta das agruras e heroicidades do passado para construir, em permanência, trilhos de liberdade e dignidade humana», apela.

Jorge Carlos Fonseca diz acreditar que abertura de Tarrafal ao mundo não configura, pois, uma redenção porquanto Tarrafal nunca se vergou à dissolvência da esperança, no sofrimento e na dor de outrem, e nunca fechou as suas portas à certeza de que a Liberdade, a Dignidade Humana e a Sã Convivência são estruturas que mantêm o Homem de pé na longa marcha pela construção de um planeta onde reine a paz e a prosperidade para todos.

Diante de tudo isto, o PR defende que é, pois, por dever e por gratidão - a todos os homens que ontem, hoje e amanhã, aqui e no resto do mundo, lutam e labutam por um mundo melhor - que também se comemora este Centenário de afirmação, de resistência e de desejo firme de vencer para estar presente no palco nacional. Tudo na certeza de que Tarrafal continuará a ser um actor importante no processo de desenvolvimento de Cabo Verde e um recanto para os cabo-verdianos em busca de um reencontro com a natureza.

Para o Chefe do Estado, foram cem anos de vida e história, ainda que durante todo esse período Tarrafal tenha passado pelas vicissitudes económicas, politicas e culturais que marcaram Cabo Verde e o mundo, bem como a natureza da sua gente que não mudou. Acrescenta que a sua tenacidade é a mesma, o seu apego ao torrão natal não esmoreceu e a sua capacidade de trabalho também não. «Estes são ingredientes fundamentais para que os próximos cem anos que agora se iniciam, sejam de esperança, de confiança no futuro», salienta.

Experiência e potencialidades

Referindo-se ao percurso do Concelho do Tarrafal, Jorge Fonseca destaca que foram cem anos de experiência na construção de um município envolvido na tecitura de laços entre os homens, sejam eles munícipes ou não. Tudo numa luta sem tréguas contra os efeitos de uma pluviometria frequentemente ausente, mas suficientemente atenta para alertar as autoridades de que será preciso enveredar por uma prospecção de águas no subsolo e, aos tarrafalenses, para a necessidade de valoração dos recursos hídricos de superfície. «A interpretação sábia desta sugestão da Natureza afastou do Concelho, quase que definitivamente, o espectro da fome e da estiagem, fazendo de Chão Bom um viveiro agrícola para toda a Ilha de Santiago. Comemora-se, pois, o centenário de uma longa e aliciante marcha para a vida que, seguramente, terá deixado marcas, mas que nos conduziu a todos pelas veredas de um processo que transformou Tarrafal num apelativo aconchego para os seus filhos».

Detendo-se sobre as a potencialidade locais, o PR aconselha que devem ser aproveitadas as especificidades do turismo de Tarrafal, sempre na perspectiva de atrair visitantes. Isto sem contactar com a agricultura, a pecuária e a pesca, que são outras áreas importantes, cujas potencialidades devem ser aproveitadas em articulação com o desenvolvimento do sector turístico.

«Transformar Tarrafal é fazer deste Concelho um centro apelativo para os recursos humanos suficientemente qualificados que, ao escolherem-no como concelho das suas residências, o transformam num pólo de conhecimento, de competência e do saber, capaz de atrair investidores nacionais e estrangeiros», sugere o Chefe de Estado cabo-verdiano.

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