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“31 de Agosto”: Epílogo e começar de novo – de Santo Antão e de Diana de Inglaterra 31 Agosto 2017

Uma lágrima ’in memoriam’ exige todo o trágico epílogo. Melhor, duas porque a data “31 de Agosto” são dois registos. Quinta-feira, 31 de agosto há vinte anos. Segunda-feira, 31 de agosto há trinta e seis anos.

Por: A. Teresa Pires Paulo

“31 de Agosto”: Epílogo e começar de novo – de Santo Antão e de Diana de Inglaterra

A “Princesa do Povo” é a princesa de muitos povos tantos quantos os países da estratégica comunidade britânica(Commonwealth), herdeira do vitoriano ‘império onde o sol nunca se põe’. Quantos na base da pirâmide tiveram de sofrer para que uma princesa brilhasse no topo! Quantos inconscientemente continuam a pagar o preço do consumo do mito?

Diana, o mito que é nada e é tudo. Tudo começa em 1981, num verão quente europeu. O casamento do século, acompanhado a par e passo, transmitido em direto nas televisões a cores do sonho de consumo de muitos cidadãos lusófonos. A maior parte aglomerados diante de grandes vitrinas nas ruas mais comerciais da grande cidade.

Testemunhos esparsos que fui compilando ao acaso, por longos anos, permitem-me ver melhor à distância, mesmo se ainda não tenho senão uma pequena ideia do que se passou. Há vinte anos? Não, no caso mais complexo que é o de há 36 anos.

Em “Agosto” a chuva forte e rija, os agricultores esperançosos e expectantes por “Setembro”, os caminhos de água limpos e desimpedidos.

Mas a morte espreita. Os trabalhos e os dias pontuados pelo ritmo da sementeira. As tarefas ritmadas pelo relógio cosmológico…tudo teria sido igual aos outros anos se não estivesse no ar a prometida Reforma Agrária — promessa e frustração que ultrapassa o nosso tempo e a nossa latitude.

Os protagonistas – os que ainda vivem mas não querem falar porque o esquecimento /perdão é divino. Os que morreram no seu leito e cujos descendentes podiam falar por eles, mas preferem o silêncio que estão certo os seus entes queridos lhes aprovam do Além.

Os protagonistas que deixaram de o ser e passaram a figurantes ou notas de rodapé numa história – monográfica, ensaística ou narrativa efémera de atos comemorativos. Há um mártir? Talvez! As fábulas da memória são muitas e talvez com o tempo a História lhes dê o justo enquadramento.

A antemanhã da calça rolada

A imersão na cultura da ilha revela artefactos que ainda estão por interpretar. Mas os traços mais largos da história da calça rolada que se tornou uma instituição podem ser aqui apresentados.

Testemunhos permitem compreender a calça rolada, singular, para economia do símbolo, como um traço numa comunicação que se quer pouco verbal. É o noivo que na câmara nupcial protagoniza o clímax da deceção – a noiva enganou-o! — e sai para a sala de calça rolada e dança com todas as demais. Não há foguetes de vitória, há uma calça rolada de derrota.

A "calça rolada" da fala metafórica de um santantonense que viveu o histórico episódio "31 de Agosto de 1981", compreendo-a como a expressão do anticlímax vivido por um povo expectante que sonhou com a independência-clímax. Tão aguardada durante séculos e de que temos provas, mais perto de nós, na prosa de Eugénio Tavares ou de José Lopes, este no século dezanove nas páginas do Jornal de Cabo Verde. Parêntesis (singular e, por isso, metafórico): a prosa do José Lopes que prova que ele foi mais que o poeta evasionista, que os seus discípulos e netos silenciam ou reprovam.

Mas há também uma "calça rolada" da fala denotada, em sentido próprio, do santantonense que, para ficar mais desembaraçado na realização de um trabalho, enrola uma e outra perna do que traz vestido. Para facilitar os movimentos do trabalho agrícola. Para poder atravessar “a passagem de água” – nas ribeiras que viraram mar em agosto.

Foto: Em julho de 1997, a um mês da sua morte trágica, Diana encontra-se com Madre Teresa (falecida em 5 de setembro…de 1997). “31 de Agosto de 1997” representou “o começar de novo”, o renascer do mito de Diana que em 1997 estava em fase descendente no universo mediático e se fosse viva hoje teria a sua estrela ofuscada por novas estrelas.

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