OPINIÃO

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A natação nas tentações do centralismo desportivo 25 Agosto 2017

Ao mesmo tempo em que alto responsável do desporto sugere uma candidatura da região de S. Vicente e que foi a primeira a estruturar-se em natação organizada, outro há que sai em movimentações para urgentes e energentes associações regionais pelos lados de Sotavento e só conhecido de terceiras vozes, com o claro intuito de garantir mais votos eleitorais numa lista candidata já preparada na região desportiva da Praia. E no preciso momento em que muito se fala da descentralização, eis-nos, caros conterrâneos, perante mais uma TENTAÇÃO CENTRALIZADORA e se de má fé não é, de boa também não será.

Por: Silas Leite *

A natação nas tentações do centralismo desportivo

Por: Silas Leite *

Volvidos mais de 500 anos de existência e no culminar do séc. XX, surge finalmente o primeiro pilar da natação organizada em S. Vicente e idealizado para todas as ilhas de Cabo Verde. Constituída em associação como“Escola de Natação «Nhô Fula» a 6 de Maio de 1999 e trazendo como principais linhas orientadoras do seu programa, a massificação do ensino da natação na óptica da protecção civil no meio aquático e depois, como actividade desportiva em piscinas e/ou águas abertas, os cépticos, por sinal em maioria na altura, acabaram por se render às evidências, quando começaram a perceber a desão em elevado número de cidadães e cidadãos no processo de ensino/aprendizagem.

A dinâmica do crescimento da ENAF, viria a permitir que fosse criada em 2001, a primeira associação regional de natação também em S. Vicente, mirando sempre o surgimento de outras nas demais regiões desportivas e rumo à criação da federação caboverdeana de natação. A má gestão dos fundos recebidos pela então liderança da ARNSV dos cofres da Direcção Geral dos Desportos acabou por adiar o alargamento da natação organizada. A ARNSV a quem tinha sido atribuida autorização excepcional para assumir as rédeas da natação nacional e aceite posteriormente na FINA – Federação Internacional de Natação, acabaria por “desaparecer” na sequência dos desmandos e que por sua vez, viria a criar longo período de vazio institucional.

Contrariamente, continuava a ENAF a crescer ao ponto de ter apresentado na sua IV assembleia geral em Outubro de 2005, o projecto de “Complexo de piscinas”, mais tarde, aprovado pelo Gabinete Técnico da Câmara Municipal de S. Vicente, mas “silenciada” pela administração presidencial que nunca emitiu a competente licença de construção.

Em 2011, face às permanentes deslocações do líder da ENAFSALVA ao estrangeiro para tratamento médico, o mesmo abdica-se do cargo de presidente da direcção e são renovados os órgãos sociais na V assembleia geral realizada em Outubro do mesmo ano. Seguiu-se-lhe a VI assembleia em 2015 com nova liderança e que não obstante algum esforço para reencontrar a dinâmica dos primeiros 12 anos de existência da ENAFSALVA, muito pouco terá sido feito. É neste cenário nada benéfico para a natação organizada que decorreu a VII assembleia geral a 17 de Agosto, tendo à cabeça a antiga liderança dos primeiros 12 anos.

Óbvio é que sem uma estrutura nacional, a lugar nenhum irá a natação organizada. Se por um lado é de louvar as movimentações de pessoas ligadas ao desporto e com responsabilidades directivas no sentido de se erigir a natação organizada numa federação nacional de forma a encontrar os fundos de que irá precisar para fazer funcionar a natação nacional, por outro lado não se pode estar de acordo com as pretensões sorrateiras em centralizar tudo o que é federação desportiva numa só região. Melhor entendido, ao mesmo tempo em que alto responsável do desporto sugere uma candidatura da região de S. Vicente e que foi a primeira a estruturar-se em natação organizada, outro há que sai em movimentações para urgentes e energentes associações regionais pelos lados de Sotavento e só conhecido de terceiras vozes, com o claro intuito de garantir mais votos eleitorais numa lista candidata já preparada na região desportiva da Praia. E no preciso momento em que muito se fala da descentralização, eis-nos, caros conterrâneos, perante mais uma TENTAÇÃO CENTRALIZADORA e se de má fé não é, de boa também não será.

Resta, pois, agir-se! Acção orientada para a instalação da futura Sede da Federação Caboverdeana de Natação em S. Vicente e que por mais estranho que possa parecer, seria a primeira estrutura nacional na área do desporto.

*Mentor da ENAFSALVA e da natação organizada

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