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ACA quer valorizar actividade da aeronáutica 08 Maio 2016

Acaba de ser criada a Associação Clube Aeronática (ACA), com sede na cidade da Praia, mas com sócios espalhados por todo o Cabo Verde. Constituída por antigos e actuais trabalhadores da TACV, é propósito desta organização preparar o futuro e valorizar a actividade aeronáutica no país. Como projectos em carteira, vai criar o Museu da Aeronáutica para contar a rica história deste sector de actividade em Cabo Verde.

ACA quer valorizar actividade da aeronáutica

A recém-criada Associação Clube Aeronáutica congrega todos quanto se dedicam à causa da aeronátucia em Cabo Verde, desde controladores, técnicos de comunicação e dos transportes aéreos, pilotos, mecânicos das diferentes especialidades e administrativos. Integram a Comissão Instaladora: António Pedro Duarte, Carlos Alberto Pimenta Lima e José Duarte Gonçalves. No total são 120 sócios, dos quais 50 são fundadores.

Elege como objectivos principais promover e divulgar a actividade, incentiva a realização de eventos que estimulem a juventude a se dedicar à causa aeronáutica, promover intercâmbios com organizações afins no país e no estrangeiro, através da participação em jornadas aeronáuticas. É também ambição dos seus promotores dar uma oportunidade de estarem na actividade que gostam.

“Iniciei-me na aeronáutica com 18 anos. Entrei para a Força Aérea Portuguesa, junto com Valdemar Sousa Lobo, Madueno Barbosa, Honório e Alexandre – estes dois últimos já falecidos. Depois de reformados, muitos disseram adeus à carreira. Somos profissionais que não são aproveitados. Com esta associação queremos manter estes profissionais focados. Queremos o passado a conviver com o presente e a incentivar o futuro”, afirma António Pedro Duarte, um dos sócios-fundadores da Associação.

A título pessoal, o nosso entrevistado conta que tenta manter a sua veia aeronáutica activa. Participou recentemente de uma Feira de Profissões para chamar a atenção sobre este sector, até porque considera que ser técnico de manutenção de aviões é uma profissão do futuro. E a procura por informações prova bem o interesse dos jovens. “Tivemos uma grande afluência no nosso stand. Exibimos um DVD simples intitulado “Aeronáutica para Principiantes” que fala de várias actividades e que foi muito participada. No final, as pessoas mostraram-se ávidas por mais informações sobretudo sobre pilotagem e assistentes de bordo”.

Expertise nacional ignorada

Entretanto, na prática os quadros nacionais têm sido ignorados. Duarte cita como exemplo o caso da gestão da TACV onde, afirma, foram gastos rios de dinheiro em assessorias e consultorias, sem olhar para dentro. Segundo o entrevistado, há no país quadros capazes que podem dar o seu contributo para ajudar a companhia aérea. “Somos um grupo de profissionais que, em 1975, não hesitou em largar uma vida promissora lá fora, para ajudar a TACV. Agora não fomos nem tidos nem achados. Somos uma classe que nunca teve reconhecimento dentro do nosso país”, assevera.

Para Duarte, com estas actividades a associação está a retomar o que aconteceu em Cabo Verde, nomeadamente na cidade da Praia, em 1994, que foi o surgimento do AeroClube, fundado por Joaquim Ribeiro, que se transformou na TACV. Aliás, no projecto da Associação Clube Aeronáutica, consta a adopção de Ribeiro como patrono.

Como projecto em carteira, destaca a criação, com apoio do Governo, do Museu da Aeronáutica. Segundo este nosso entrevistado, Cabo Verde tem uma rica história no sector aeronáutico, que começa com a primeira travessia do Atlântico Sul e que conta ainda com a aterragem desse hidroavião em São Martinho, Santiago. Para disponibilizar estas e outras histórias aos cabo-verdianos, a Comissão Instaladora pretende negociar com o Governo de Cabo Verde a cedência do espaço onde funcionou o AeroClube e que hoje é ocupado pela Protecção Civil.

Constânça de Pina

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