OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

AS NUANCES DAS INSTITUIÇÕES NACIONAIS 09 Setembro 2017

Cabo Verde já iniciou o seu percurso para a instalação da terceira república e o povo das ilhas só tem que unir e prosseguir com a luta do grupo SOKOLS, a nível nacional. Chegou a hora da mudança de paradigmas.

Por: Carlos Fortes Lopes M.A.

( A voz do Povo Sofredor)

AS NUANCES DAS INSTITUIÇÕES NACIONAIS

Por: Carlos Fortes Lopes, M.A.

( A Voz do Povo Sofredor)

Cabo Verde é um país de muitos males sociais e, de entre outras a ausência da ética profissional e a constante inversão das verdades acabam por condenar este país ao abismo democrático e da soberania nacional, com o falhanço total deste sistema de pedinte parasita.

A deformação nacional do razoável, assim como a corrupção institucional, política e social e da igualdade do género são gritantes e inconcebíveis, nesta nossa sociedade que se auto intitula de sociedade democrata. De Democracia Cabo Verde só tem documentos e alguns direitos constitucionais, quando os mesmos não são violados pelos dirigentes políticos e institucionais, protegidos pela impunidade judicial e sócio-político nacional. Uma das maiores injustiças sociais de destaque neste Arquipélago é o defeituoso processo educacional e a estrutura de ensino público. Sem ensino de alto nível não conseguiremos colocar os nossos formados ou novos quadros. A educação continua sendo um setor com muita oscilações e, algumas são totalmente devastadoras para a sociedade estudantil, educadores e encarregados da educação desses. Analisando bem, mesmo com a expansão de vagas, nas ilhas com um número razoável de estudantes, o ensino superior Nacional está condenado a ser o calcanhar de Aquiles para os governantes que nunca conseguem acompanhar a evolução da sociedade. Se não formos capazes de criar condições para abrir postos de trabalho para ocupar os jovens formados (mais de 7000 neste momento) e técnicos de várias áreas tradicionais e criadoras de recursos regionais, estaremos, brevemente a entrar numa rotura social que poderá ser fatal para o país. Temos vindo a verificar que os únicos a conseguirem um emprego são os filhos dos dirigentes políticos, a classe rica do país. Os anos passam, as promessas aumentam e os mecanismos para a criação de postos de trabalham escasseiam-se.

A manutenção deste ou de qualquer outro país depende da criação de postos de trabalho que estarão a contribuir para o DESENVOLVIMENTO do país (aumento de poder de compra). Com a forma de governar instalado no nosso país, pelos dois partidos que até hoje suportaram as governações deste Arquipélago, estamos a caminhar para o abismo da nossa soberania. Esses governantes têm vindo a incutir nos jovens uma mentalidade festiva que em nada está favorecendo a sociedade e os cofres do Estado de Cabo Verde. Esta incompetente forma de governar, quase na sua exclusividade, através da promoção de eventos culturais (festivais e festas semanais) só estaremos a continuar a aumentar os gastos municipais, gastando mais de 6 milhões de euros anuais, quantia essa que poderiam muito bem ser utilizado na criação de postos de trabalho efectivos, como reparação de estradas e das casas indecentes para qualquer um que se digne ter o mínimo de condições para viver com o mínimo necessário e constitucionalmente aceite. Com estas mentalidades governamentais (nacional e local) estamos a contribuir para a destruição da nossa juventude e do futuro deste país. Como já é óbvio, conhecido por todos, o nosso sistema de ensino está carente de conteúdos, valores e aplicações individuais que tragam lucros humanistas, comunitários e democráticos. Os valores sociais desta nossa sociedade estão-se tornando numa autêntica miragem. Basta darmos uma olhadela crítica para a situação caótica da nossa sociedade jovem, incluindo os profissionais (médicos juízes e técnicos institucionais) para vermos o quão errado tem sido as sucessivas políticas governamentais deste Arquipélago que até hoje só verificou um crescimento infra-estrutural sem coordenação alguma e cheia de ilegalidades criminais (ver estradas, pontes e barragens construídas e que não funcionaram e ou não conteram ou aguentaram a força das águas da chuva, logo à primeira, sem falar da Barragem da Banca Furada em São Nicolau que nem conseguiu reter um pingo da água das chuvas devido à incompetência e ou casmurrice do empreiteiro e a empresa fiscalizadora na construção dessa infra estrutura nacional. Num país pedinte e que vive de esmolas e arremessas dos seus emigrantes, é, no mínimo, inadmissível que se construa 7 barragens e apenas 2 estarem a funcionar e de entre as duas uma só funciona a cerca de 80 porcento do seu potencial. E, com todas essas ilegalidades institucionais e empresariais, os responsáveis máximos continuam sempre impunes, a viver do bom e do melhor, sem que o poder judicial seja capaz de atuar de acordo com as leis do país. Nem o Tribunal de Contas, nem o Ministério Público que, quando faz alguma coisa de jeito, sempre encontra um grupo de juizes incompetentes que nem sequer conseguem entender como aplicar as leis internacionais de tráfego de drogas (ver o caso dos dois brasileiros tripulantes do yate que transportava os 1.157 kgs de Cocaina, e que foi apreendido no cais do Mindelo). Dois dos quatro tripulantes acabaram por ser livres pelo Juiz da Comarca do Mindelo, que lhes atribuíu o famoso (TIR) Termo de Identificação e Residência, mesmo tendo provas concretas de que eram parte da tripulação e que, por conseguinte são estrangeiros sem residência em Cabo Verde, ou seja, sem residência oficial ou mesmo provisório para que fossem atribuído o TIR.

Já o Procurador Geral da República tem demonstrado que está aquém das capacidades gestoras da Procuradoria, com um desempenho deficiente e pouco sério, nas suas nobres funções de Magistrado máximo da nação. A Procuradoria Geral da República é, a meu ver, uma instituição desorganizada, inoperante e violadora dos direitos constitucionais dos cidadãos residentes. Instituições nacionais como as da justiça transformaram­-se em formadores de uma sociedade de impunidade política, social e institucional onde qualquer grupo de marginais faz como lhe apetece, violando todos os direitos dos cidadãos sérios e lutadores. Temos, neste nosso país um grupo de individualidades envoltas num contexto vazio de pensamento como diz, e muito bem, Arendt. Em Cabo Verde temos este destacado grupo de incompetentes, corruptos e arrogantes que continuam, insistentemente, a implementar a estratégia e o método da supremacia político-partidário e institucional.

Como tive o cuidado de referir num dos meus mais recentes artigos de opinião, a hegemonia política continua reinando neste país onde o individualismo recai sobre os desejados valores comunitários e sociais e a concorrência sobre a cooperação nacional ou mesmo internacional. Por esta e outras razões, naturais de indagação, a questão que se impõe é onde residem os valores democratas destes nossos dirigentes? Esta nossa "democracia" Cabo-Verdiana ainda não conseguiu ganhar contornos palpáveis, exigindo assim uma revolução profunda com medidas de ruptura na sociedade empresarial, econômica, participativa e do gênero, para podermos nos livrar das garras desses senhores que continuam atuando como se fossem os donos deste país de todos os cabo-verdianos. O abuso e a inoperância da justiça Nacional é a maior desgraça desta sociedade que outrora fora pacata e respeitadora de valores. Alias, estamos perante uma situação que requer uma ação de fundo, com o Parlamento a ser obrigado a exercer o seu papel de fiscalizador legislativo e da governação nacional. Apesar da independência institucional, convém aqui salientar que o sistema judicial também pode e deve ser fiscalizado, como qualquer outra instituição e dirigente nacional. Esta hegemonia dominante e as forças que a sustentam precisam ser combatidas de forma determinante. Os pais precisam mudar de atitude e passarem a ensinar os seus jovens os valores da independência financeira e de pensamento para que esses decidam tomar as rédeas dos seus destinos. Temos um país sacrificado pela corrupção institucional, política e social. Cabo Verde está a precisar de uma mudança urgente da atitude sócio-politico e institucional. Nesta linha de pensamento, resta agora chamar a atenção do "Quarto Poder" (meios da comunicação social) e dos sistemas educacional e religiosa para contribuírem com a sua quota parte na formação e informação dos cidadãos deste país.

Cabo Verde já iniciou o seu percurso para a instalação da terceira república e o povo das ilhas só tem que unir e prosseguir com a luta do grupo SOKOLS, a nível nacional. Chegou a hora da mudança de paradigmas.

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