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Alemanha: Pilotos da Lufthansa recusam voos para deportar afegães 08 Dezembro 2017

Os pilotos da Lufthansa, a companhia aérea nacional da Alemanha, estão a recusar fazer voos para deportar refugiados afegães. Na mesma linha, os tribunais alemães têm dado razão aos recursos sobre o direito de asilo apresentados por cidadãos do Afeganistão, onde "várias regiões continuam a ser flageladas pela violência e opressão".

Alemanha: Pilotos da Lufthansa recusam voos para deportar afegães

A informação foi divulgada esta semana quando, em resposta a uma interpelação parlamentar do Partido de Esquerda, o governo indicou que devido à recusa dos pilotos cancelaram-se 222 expulsões programadas, que deviam partir do principal aeroporto do país, em Frankfurt. Os pilotos expressaram o seu mal-estar perante a controversa expulsão de refugiados para o Afeganistão, onde a violência e repressão continuam, reporta o diário digital ’Deutsche Welle’.

“Vês uma criança a entrar no avião e sabes que estás a selar o seu futuro”

Os pilotos da companhia nacional , Lufthansa e sua filial Eurowings, já totalizaram 85 casos de recusa de voo desde o início deste ano. Uma parte dos voos devia partir do aeroporto de Dusseldorf — onde têm tido lugar várias manifestações de protesto por ativistas de Direitos Humanos. A maioria dos cancelamentos ocorre no aeroporto de Frankfurt.

O porta-voz da Lufthansa defendeu os pilotos que optaram por não embarcar os deportados com base na segurança: “ A decisão de não transportar o passageiro cabe, em tais casos, ao piloto. Se ele ou ela tiver a ideia de que a segurança daquele voo é questionável, ele pode recusar transportar o passageiro”.

Os pilotos têm procedido de forma a ouvir primeiro o passageiro, antes da sua entrada no avião, e o pessoal da segurança com base em informação obtida sobre algo que pode afetar a segurança do voo, podem também recusar a autorização para o passageiro seguir, informou o porta-voz da Lufthansa ao diário Westdeutsche Allegeimeine Zeitung.

As questões de segurança são apresentadas como justificação técnica, porquanto as leis vigentes proíbem recusar o direito de voo a quem tem um bilhete válido.

Segundo os próprios pilotos, em entrevistas sob anonimato a certos órgãos locais, são as considerações morais e éticas que os tem motivado.

“Uma família chega junto de ti, com os seus miúdos e sabes que estás a selar o seu futuro”, disse um piloto a jornalistas.

3 000 euros pagos por cada família que desista do pedido de asilo

O ministro alemão da Administração Interna, Thomas de Maiziere, prometeu entregar 3 000 euros a cada família que desista do pedido de asilo até ao dia 28 de fevereiro de 2018. Os requerentes individuais recebem 1 200 e os menores de 12 anos seiscentos euros.

Foi há dois anos que a Alemanha abriu as suas fronteiras para permitir a entrada de dois milhões de refugiados – uma medida que a chanceler pagou caro, nas últimas eleições. A CDU perdeu muito do seu eleitorado para o partido Alternativa para a Alemanha — AfD, anti-imigração —, nas eleições nacionais de 23 de setembro.

Thomas de Maiziere tinha há meses defendido a medida numa entrevista ao diário Bild am Sonntag: “Há oportunidades que devem ser abertas nos países de origem. Nós vamos ajudar a sua reintegração". Dirigindo-se em discurso direto aos imigrantes, o ministro disse: "Se decidires regressar até ao fim de fevereiro, nós vamos ajudar-te além dum subsídio de reinstalação com um montante destinado a pagar a renda durante 12 meses no teu país”.

Fontes: referidas no artigo. Foto: Avião com os primeiros deportados para o Afeganistão, à partida do aeroporto de Dusseldorf em setembro.

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