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Angola:Luaty Beirão diz que eleições foram mais tranquilas do que em 2012 24 Agosto 2017

O activista angolano Luaty Beirão, que coordena um projecto de monitorização do processo eleitoral em curso, admitiu à Lusa que o dia da votação desta quarta-feira foi "mais tranquilo" comparativamente com 2012, com menos denúncias e queixas.

Angola:Luaty Beirão diz que eleições foram mais tranquilas do que em 2012

"Correu melhor do que em 2012. Houve um período do dia em que caíram bastantes reclamações, mas por comparação com o dia 31 de agosto de 2012 [eleições gerais anteriores] foi sem dúvida muito mais calmo, muito mais tranquilo", explicou.

Luaty Beirão é um dos fundadores da associação cívica angolana Handeka, que lançou o projecto online de monitorização do processo eleitoral denominado "Jiku", para receber e divulgar queixas dos eleitores e eventuais ilegalidades.

A principal queixa dos últimos dias, explicou, prendeu-se com os casos de eleitores com locais de voto trocados, face à previsão do processo de registo eleitoral, que decorreu entre Agosto de 2016 e Março último.

"Fiquei surpreendido pela positiva, menos denúncias de eleitores desesperados. Parece que o desespero foi até ontem (terça-feira) e depois as pessoas conformaram-se. Esta quarta-feira foram poucos os que ainda foram às assembleias e tinham os seus locais trocados", explicou Luaty Beirão.

O conhecido rapper, um dos 17 activistas que em Março de 2016 foram condenados a penas de prisão efectivas pelo tribunal de Luanda, diz que "aparentemente" terá havido uma afluência às urnas mais reduzida, face às eleições de 2012. "É que toda a gente reporta que chegou e votou em dois ou três minutos", acrescentou.

Agora, diz, vai começar a "segunda fase" deste processo e "ponto crítico", tendo em conta as eleições de 2008 e 2012. "O que costuma acontecer é que a esta hora começam a cortar a luz nos bairros, tem que se fazer a contagem crítica em condições deploráveis, começa a haver queixas de pessoas que interferem no processo de contagem. Estamos à espera de receber isso, porque aconteceu nos outros anos, mas ao mesmo tempo espero que não aconteça", afirmou.

Vários activistas anunciaram a realização esta noite, em Luanda, de vigílias à porta das Assembleias de Voto, para garantir a transparência desta fase do processo eleitoral angolano. "Esses são os pontos críticos agora. A abertura das urnas, a contagem, a distribuição das atas e a afixação das atas síntese no exterior da assembleia. Vamos aguardar, para ver como corre", concluiu Luaty Beirão.

A votação nestas eleições gerais arrancou pelas 7h00, em todo o país, e as urnas fecharam às 18h00, conforme indicação da Comissão Nacional Eleitoral, que prevê resultados provisórios num prazo de 24 horas.

Em algumas artérias da cidade de Luanda a Lusa constatou um reforço policial, mas não há registo de incidentes.

A estas eleições gerais concorrem seis formações políticas concorrentes - MPLA, UNITA, CASA-CE, PRS, FNLA e APN - e havia 9.317.294 eleitores em condições de votar.

Nas eleições gerais são eleitos o parlamento e, por via indirecta, o Presidente da República e o vice-Presidente. Fontes: O Público c/ a Lusa

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