DIÁSPORA

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Angolanos acusam cabo-verdianos de lhes “roubar” o kuduro em França 02 Janeiro 2010

A origem do Kuduro está a dividir cabo-verdianos e angolanos em França. Os angolanos reclamam as raízes deste estilo de dança e música e acusam os cabo-verdianos radicados naquele país europeu de se auto-proclamarem pais do Kuduro. A polémica está lançada.

Angolanos acusam cabo-verdianos de lhes “roubar” o kuduro em França

Quem conta a história é o Jornal de Angola. Falou, por exemplo, com Didi Barreira, licenciado em Informática e promotor de eventos musicais em França, que se tem dedicado a sensibilizar a comunidade angolana a acabar com as informações deturpadas por parte dos cabo-verdianos. “Sinto imensa raiva quando vejo cabo-verdianos a assumirem as origens do kuduro e ainda a dançam para convencer aos franceses, que pagam avultadas quantias para ouvir e ver dançar o estilo”, lamentou.

Didi Barreira conta que tudo aconteceu quando os cabo-verdianos começaram a organizar festas e eventos para todas as comunidades e passaram a introduzir o kuduro. O organizador de festas informa que o kuduro começou a tocar no sul da França, na cidade de Nice, Marselha e mais tarde em Paris.
O estilo passou a ser apreciado pelos franceses e constitui agora uma fonte rentável para os cabo-verdianos, que assumem a sua proveniência.

“Quando o kuduro passa a ser valorizado pelos franceses, os cabo-verdianos incutiram nas mentes das pessoas que a origem da dança nasceu na sua cidade”, referiu. “Para minha revolta, durante a realização do campeonato da 1ª divisão, quando a equipa do Nice jogou em Paris e ganhou, os jogadores começaram a dançar no relvado e, no final, afirmaram aos jornalistas que o kuduro surgiu de Cabo Verde”. Confessa que se sentiu triste e que tudo é responsabilidade dos ilhéus.

Didi Barreira diz ainda que depois o kuduro era emitido na rádio com informações de que predominava nas cidades de Cabo Verde. “Já cheguei mesmo a ligar para uma rádio que toca música africana, a explica a origem do kuduro, mas eles disseram que é tudo África e que as suas afirmações são feitas em função das declarações dos cabo-verdianos”.
Certo dia, “começámos a levantar a polémica da actual situação que deixa todos os angolanos descontentes”, referiu.

O coordenador de eventos classifica de “péssima” a actual situação, pelo facto de existir uma numerosa comunidade cabo-verdiana em França, que se apodera do estilo musical. Didi Barreira avança que a comunidade angolana é uma minoria em relação à cabo-verdiana e da República Democrática do Congo.

O artigo escreve que “o kuduro angolano é hoje conhecido na França em toda a França! Em conversas, bares, discotecas e grandes eventos desportivos, a dança do “gueto” marca forte presença nos convívios franceses, onde muitos naturais e emigrantes têm a música como toque telefónico”. Acrescenta ainda que “o estilo musical tornou-se tradição nas festas de emigrantes e europeus. Conquistou as cidades francesas, e os cabo-verdianos fazem questão de se reclamarem, nas rádios, como donos desta dança africana”.

Surgiu mesmo o apelo “Parem de roubar o som angolano!”, reclama exaltado Didi Barreira, que apela aos kudiristas que visitem e participem em eventos realizados em França, além de pedir a intervenção do embaixador de Angola em França.
A indignação dos angolanos é tanta, que um grupo de cantores de rap angolano, radicado em França e composto por dois elementos, lançou, em 2008, o disco intitulado “O preço do Kuduro”, para apelar à comunidade cabo-verdiana que deixe de afirmar que o Kuduro surgiu em Cabo Verde”, explicou.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade






Mediateca
Cap-vert

Uhau

Uhau