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Apanha da areia nas praias do Tarrafal um calcanhar de Aquiles para a Câmara Municipal 29 Novembro 2017

É de se lamentar o que se passou com essas pobres mulheres há bem poucos dias numa das praias de Mangui do Tarrafal em que foram de forma arbitrária despojadas dos seus trabalhos feitos durante dias em condições extremamente embaraçosas. Perante este cenário suscita-nos colocar uma questão muito pertinente: Se tivessem estas mulheres um outro tipo de trabalho com um salário condigno estariam elas por mar a dentro quer faça vento, frio, calor ou chuva nessa lida?

Por: Nataniel Vicente Barbosa e Silva

Apanha da areia nas  praias do Tarrafal um calcanhar de Aquiles para a Câmara Municipal

Apanha da areia nas praias do Tarrafal um calcanhar de Aqules para a Câmara Municipal

Kada sinbron ten direitu na si gota d,agu. (Renato Cardoso).
Em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão.

A problemática questão da apanha da areia nas praias do Tarrafal de Santiago continua a ser uma dor de cabeça para a Câmara Municipal. Uma situação que se vem arrastando há bons pares de anos e sem solução à vista uma vez que o município até à data não encontra uma outra alternativa para essa pobre gente que vive deste melindroso “ganha-pão” e são na sua esmagadora maioria mulheres solteiras e chefes de família com filhos menores, alguns dos quais já na idade escolar. Não sou apologista de que apanha da areia nas praias do mar seja um método legal. Longe de mim esta pretensão.

Parafraseando uma camponesa aquando da visita do Sr. Presidente da Republica no inicio deste mês ao interior do Município de Santa Cruz: Si nhoris ki sta na trabadju nhos ta xinti nisidadi ki fori noz ki ka sta na trabadju depreende-se então com o desabafo desta camponesa as dificuldades com que passa muita gente neste momento, agravado pois, com o mau ano agrícola.

Ora, num país com parcos recursos, com uma alta taxa de desemprego e com elevados custos de vida num momento tão crítico como o que estamos atravessando em que muita gente custa levar a sua panela ao lume é preciso em determinadas situações reflectir antes de agir. Se a vida está mesmo difícil para quem tem o seu ordenado mensal ainda mais complicado se apresenta para quem não tem nenhuma expectativa. É de se lamentar o que se passou com essas pobres mulheres há bem poucos dias numa das praias de Mangui do Tarrafal em que foram de forma arbitrária despojadas dos seus trabalhos feitos durante dias em condições extremamente embaraçosas. Perante este cenário suscita-nos colocar uma questão muito pertinente: Se tivessem estas mulheres um outro tipo de trabalho com um salário condigno estariam elas por mar a dentro quer faça vento, frio, calor ou chuva nessa lida? “Nu ten mininus pikinoti pa nu da kumida y idukason. Nu sta obrigadu ben tra areia di mar pa nu bendi pa nu subrivivi pamodi nu ka ten otu trabadju. É esta afirmação de uma das mulheres visadas ao repórter da RTC que esteve no local.

Bem-haja comunicação social sempre junto dos mais fracos.
Hasta lá próxima.

Tarrafal, 28 de Novembro de 2017

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