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Arábia Saudita: Príncipes e ministros detidos por corrupção — número chega aos 50 06 Novembro 2017

Onze príncipes, quatro governantes e mais de trinta ex-governantes foram detidos, na noite de sábado para este domingo, alguns já nos aeroportos, no internacional na capital (foto) e nos privados em Jeddah. A ordem foi dada pelo presidente da comissão anti-corrupção que é também o príncipe herdeiro do rei Salman.

Arábia Saudita: Príncipes e ministros detidos por corrupção — número chega aos 50

O mandado de prisão, emitido pela comissão criada por decreto real, apanhou o país de surpresa. O reino da Arábia Saudita está de há muito habituado a evoluções lentas e esta purga representa uma mudança radical.

No centro desta mudança está o agora homem-forte do regime saudita, o príncipe-herdeiro Mohammed Bin Salman, que além da Defesa passa a deter também a pasta de Economia.

Entre os detidos estão o ex-ministro das finanças, Ibrahim al Assaf, importantes empresários, muitos deles com ligações a industriais franceses, como Baqr Bin Laden, e o príncipe Al-Walid Bin Talal.

A detenção de Al-Walid, multimilionário com importantes investimentos no exterior — incluindo entre os seus mais de 200 hotéis de luxo, o famoso ‘hôtel George V’ em Paris, participações no News Corp, Citigroup, Twitter, entre muitas outras companhias internacionais, além do controlo que detém nas telecomunicações sauditas e do mundo árabe —, já causou ao grupo Al-Walid, na manhã deste domingo, a queda de 10%-15% na bolsa.

A medida extraordinária visa “preservar o dinheiro público, punir pessoas corruptas e que tiram proveito ilegítimo da sua posição”, lê-se no comunicado oficial da comissão anti-corrupção.

As demissões do ministro da Guarda Nacional, o príncipe Mitaeb, e do ministro da Economia, Adel Fakieh, assinadas pelo rei ocorreram em paralelo com as detenções e são tidas como uma arriscada aposta, num contexto ’sui generis’. É que o príncipe Mitaeb como filho do defunto rei Abadallah, cuja sucessão recaiu no rei Salman, constitui uma ameaça para o príncipe-herdeiro.

Aos 32 anos, Mohammed Bin Salman, depois de ultrapassar o irmão mais velho, Mohammed Bin Nayef, na corrida ao trono, detém as pastas mais importantes do governo e lançou o que se considera o mais ambicioso plano de transformação do reino saudita – o Plano 2030.

Plano 2030

O ambicioso Plano 2030, já criticado do ponto de vista técnico por instituições internacionais, como o FMI, defende a transformação em três eixos importantes.

Um, a transformação económica que preparará o país para a próxima era, pós-petróleo. Outro, a transformação social que implica alargar os direitos às mulheres – e cujo primeiro sinal foi dado em 26/9 com o decreto que permite às mulheres o acesso à carta de condução. O terceiro, a modernização do país.

Entre os obstáculos, que se erguem à transformação, está que o poder no reino tem de ser dividido com os poderosos mulemás religiosos. E estes, já na manhã de domingo advertiram que a luta anti-corrupção não era mais “importante que o combate contra o terrorismo”.

Fontes: Le Figaro, Bloomberg. Foto: Arabnews. Arquivo: Arábia Saudita: Pós-Ramadão 2018 haverá mulheres ao volante, decreta rei Salman no último país a abolir proibição, 28 Setembro 2017

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