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Arábia Saudita: Pós-Ramadão 2018 haverá mulheres ao volante, decreta rei Salman no último país a abolir proibição 28 Setembro 2017

Era o único país no mundo que proibia às mulheres o acesso ao volante e o decreto real desta terça-feira, 26, acabou com esse tabu — dentre muitos outros que ainda persistem na Arábia Saudita.

Arábia Saudita: Pós-Ramadão 2018 haverá mulheres ao volante, decreta rei Salman no último país a abolir proibição

A medida legal entrará em vigor em junho de 2018, após o próximo Ramadão. A justificação para esses dez meses de espera é que as mulheres precisam desse tempo para obter a carta de condução.

"Os ultraconservadores estão a reagir muito mal", mesmo tratando-se de um decreto real. Resta-lhes, segundo Fawzia Al-Bakr que luta pela causa há decénios, um consolo: "Sempre poderão continuar a proibir as suas mulheres de conduzir", reagiu.

As mulheres da elite saudita desde sempre puderam conduzir em Londres, Paris e outras capitais para onde se deslocam periodicamente em compras, consultas. Mais perto de casa, podem conduzir em Dubai. Mas quando procuraram fazer o mesmo em casa, na sua Riade natal, acabaram sempre detidas.

“Uma grande alegria”

Ao fim de 20 anos de luta, a ativista Fawzia Al-Bakr disse ao correspondente do Le Monde, em Riade, que “ainda não estou em mim, sinto uma enorme alegria”. Acrescentou que ela e muitas outras mulheres estavam a preparar uma festa de celebração.

“Só contava com uma decisão destas dentro de 10 ou 20 anos”, expressou uma empregada de banco de 30 anos, Haya Rakyane.

“Ainda não acredito! Só vou acreditar quando vir com os meus olhos”, afirmou Chatha Dousri, empregada da petrolífera Aramco em Dahran que está habituada a conduzir dentro do complexo residencial fechado onde mora mas nunca na via pública.

Movimento de emancipação tem 55 anos, com ganhos muito lentos

O direito a conduzir é um desses pouco ganhos que o regime saudita concedeu às mulheres desde 1962, ano em que o rei Fayçal autorizou a abertura das primeiras escolas para o sexo feminino.

Só meio século depois dessa primeira abertura, o rei Abdallah em 2013 deu o grande passo seguinte ao nomear trinta mulheres para o … Majles Al-Shoura, o conselho consultivo (não, ainda não é para o governo!).

Falta ainda derrubar a infamante tutela, regime que obriga as mulheres a obter autorização de “um referente masculino”, seja ele pai , seja marido e até irmão ou filho – para as questões mais comezinhas do quotidiano, desde assinar um contrato de trabalho ou viajar.

Fontes: Le Monde, BBC. Foto: Getty.

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