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Argentina: “Onde está Santiago?” —desapareceu em agosto e é o 1º no país dos 30 mil desaparecidos 07 Setembro 2017

Argentina: “Onde está Santiago?” —desapareceu em agosto e é o 1º no país dos 30 mil desaparecidos

“Ele não desapareceu por magia”, disse durante a marcha nacional, Sergio Maldonado. O irmão, Santiago, de 28 anos, nascido em Buenos Aires, morava havia quase um ano na Patagónia, a região montanhosa a sul, para apoiar, em Pu Lof, a luta dos indígenas mapuches, cujas terras foram vendidas pelo governo à Benetton.

“Sabemos que quem o fez desaparecer é a polícia militar”, como afirmam pessoas presentes na operação realizada por três esquadrões militares para desalojar os Mapuche das terras em Pu Lof.

Essas testemunhas afirmam ter visto Santiago a ser retirado da árvore onde se refugiara por um agente da autoridade. Entretanto, a comunidade em fuga atravessava o rio a nado e nunca mais viram Santiago.

Governo nega estar implicado

O caso Santiago Maldonado mobilizou de imediato a opinião pública neste país traumatizado pelos milhares de “desaparecidos” que a ditadura militar (1976-83) produziu. Pessoas que, levadas pelos militares ou pela polícia, desapareciam e nunca mais eram encontradas. 30 mil desaparecidos que continuam a ser procurados pelo movimento das “Mães da Praça de Maio” sediada em Buenos Aires.

O governo do presidente Macri reagiu de imediato a esta pressão por justiça e verdade. A ministra da segurança, Patricia Bullrich, defendeu as forças da ordem e expressou a sua "íntima convicção" de que os seus tutelados falam a verdade, não prenderam ninguém e que nem sequer viram Santiago Maldonado.

Um mês depois, a única certeza é que o inquérito se arrasta e nem sequer estão prontos os resultados de ADN recolhidos no lugar dos factos. Daí a família Maldonado apontar que “o juiz e a procuradora encarregues [do caso] não são imparciais”, como diz a sua advogada.

“São os mesmos que deram a ordem para a operação na comunidade Pu Lof ! O Estado é responsável, tem a obrigação de fazer com que Santiago seja encontrado vivo”.

A pressão nacional e internacional sobe, a reclamar à Argentina uma ação urgente para encontrar Santiago. Personalidades várias têm pedido a demissão da ministra do interior.

«É uma grande tristeza, é uma grande ‘bronca’ (um grande escândalo) que quarenta anos depois da ditadura, ainda temos de pedir para que nos tragam o Santiago vivo”, conclui uma das Mães da Praça de Maio.

Fontes: Le Monde, El País, EFE. Foto AFP.

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