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Arquitectura do Aquiles Eco Hotel conquista o mundo 08 Junho 2016

O design original e a integração do pequeno empreendimento turístico Aquiles Eco Hotel na aldeia piscatória de São Pedro, em São Vicente, estão a ganhar o mundo, através do www.archdaily.com , site que é visualizado regularmente por mais de um milhão e meio de pessoas da Europa, Ásia e América Latina. A página destaca a arquitectura simples e flexível desta unidade hoteleira, que dialoga com as casas da aldeia e cria um dinamismo à sua volta, envolvendo toda a comunidade piscatória local.

Arquitectura do Aquiles Eco Hotel conquista o mundo

O projecto foi idealizado e concretizado pelo gabinete de arquitectura Ramos Castellano, em S. Vicente. Ao Cifrão, Eloisa Ramos e Moreno Castellano contam que sempre tiveram uma paixão pela aldeia piscatória de São Pedro. Visitavam a localidade com frequência e conviviam com as pessoas. Despertava o interesse deste casal de arquitectos a posição estratégia da zona, a sua proximidade com o Aeroporto Internacional Cesária Évora, mas sobretudo a beleza virgem da praia de São Pedro.

“Adquirimos um terreno e decidimos implementar em São Pedro o protótipo de um projecto de um pequeno hotel que tínhamos feito, com quartos em forma de contentores. É um hotel diferente, que se integra completamente na arquitectura e na estrutura social do lugar. Tem apenas 12 quartos e uma suite, feitos em madeira e encaixados numa estrutura de betão armado, pintados de branco”, descreve Moreno Castellano.

O projecto destaca-se por envolver os moradores na fase da construção e funcionamento do hotel e por este ser também sustentável. A unidade emprega entre quatro e seis funcionários de São Pedro, consoante a época. A população é também absorvida. Por exemplo, à volta do hotel, os hiaces da comunidade é que fazem o transfer para o aeroporto, transportam os clientes para o centro da cidade, os pescadores proporcionam voltas de botes aos hóspedes. Ou seja, a comunidade presta serviços ao hotel.

“A pesca, como sabemos, é sazonal, então envolvemos os pescadores na construção do empreendimento. O peixe, o pão e o queijo consumidos no hotel são provenientes desta comunidade. E toda a mão-de-obra é local. Começamos a receber hóspedes em Janeiro deste ano, mas neste momento aproveitamos a época baixa para fazer a manutenção do empreendimento. Vamos reabrir no próximo dia 15 deste mês de Junho”, informa Eloisa Ramos.

Turismo de proximidade

Os hóspedes do hotel são sobretudo estrangeiros, que procuram o turismo de proximidade que investe nas relações com as pessoas e na sua vivência. “As pessoas que nos visitam elogiam o projecto e o conceito de integração na comunidade de São Pedro. Oferecemos serviços básicos, designadamente dormidas e café da manhã. Isso porque os nossos clientes são sobretudo turistas que fazem tracking, ou seja, que querem conhecer a ilha e não ficar dentro dos quartos”, diz Eloisa Ramos.

Aliás, a decoração dos quartos mostra um enorme despreendimento. Não há aparelhos electrónicos e a mobília resume-se ao essencial. Segundo Moreno Castellano, não podia ser diferente porque o Aquiles Eco Hotel acaba por ser um espelho da comunidade. “Nunca poderíamos ter aqui no centro desta aldeia um hotel luxuoso. Estamos numa zona pobre e somos abertos a esta comunidade. Os moradores de São Pedro não têm uma percepção do luxo, mas sim da acessibilidade. Os nossos hóspedes gostam de acompanhar a vida desta aldeia, ver os botes de pesca a chegar, a azáfama da descarga, as mulheres a carregar água ou peixe”, refere.

Exportar conceito

Por ser inovador, o empreendimento foi totalmente assumido pelo casal de arquitecto. Admitem que seria difícil encontrar investidores dispostos a arriscar o seu dinheiro nesta aventura. Mas, após esta experiência, acreditam que poderão exportar o conceito do hotel para outros pontos do país. “Os quartos podem ser desmontados. Pensamos construir hotéis similares em outras ilhas, caso encontrarmos financiadores”, diz Moreno.

Questionado sobre os custos, o promotor do empreendimento afirma que não pode precisar se fica mais caro ou mais barato. A diferença é que o Aquiles Eco Hotel pode ser deslocalizado e que o seu impacto no ambiente é mínimo. “Os quartos são fáceis de montar e desmontar. A estrutura pode ser transportada e montada em outro local. Optámos por esta modalidade devido à imprevisibilidade da demanda turística. Ou seja, consoante a demanda, podemos mudar o hotel para outro local.

No rés-do-chão do hotel fica uma recepção, a sala-restaurante, e a cozinha. Os materiais e a água que utilizam são reciclados. Os móveis foram feitos com as madeiras utilizadas nas cofragens, com design exclusivo dos escritórios de Arquitectura Ramos Castellano.

Curiosamente, este hotel é mais conhecido no estrangeiro do que dentro do país. Isto graças à sua divulgação no site Arch Daily, nas suas páginas direccionadas primeiro para o Brasil, mais tarde para a Ásia e esta semana para a Europa. O Aquiles Eco Hotel é, a par do edifício-sede do Parque Natal de Chã das Caldeiras, recentemente destruído pelas lavas da explosão do Vulcão do Fogo, as únicas construções em Cabo Verde destacadas nesta plataforma.

Para as fontes do Cifrão, essa projecção internacional começou deste o início da construção. Como Moreno Castellano explica, encontrava-se então em São Vicente uma directora de uma revista francesa especializada em arquitectura, que ficou fascinada pelo projecto. “Já tivemos outros projectos que despertaram interesse desta revista, mas eram particulares. Este é um projecto de um empreendimento hoteleiro. No entanto, a revista optou por destacar sobretudo a filosofia por trás do projecto”, frisa.

Cães vadios e ausência de autoridades

Mas esta integração tão profunda tem também os seus constrangimentos. Os promotores falam em ausência das autoridades na aldeia piscatória de São Pedro. Como exemplo deste alegado abandono, citam os vários pedidos à Câmara Municipal de São Vicente para requalificar a pracinha em frente à escola do Ensino Básico e as ruas defrontes ao hotel, mas sem sucesso. Queixam-se também da grande quantidade de cães vadios, que perturbam o sossego dos hóspedes e dos próprios moradores desta comunidade.

“Penso que a Câmara Municipal poderia requalificar as ruas circundantes. Fizemos um hotel que está a ser divulgado nos quatro cantos do mundo, mas a imagem seria muito mais atractiva se as ruas fossem cuidadas. Procurámos a CMSV, fizemos um desenho da praça, mas esta não fez nada. Havia alguns brinquedos que nós mesmos colocamos na praça para que ficasse como um pequeno parque. Procurámos parceria e conseguimos limpar e pintar essa praça. Mas sozinhos não podemos fazer tudo. A Câmara está completamente ausente”, reclama Moreno Castellano.

Para ver a reportagem completa no Archdaily basta aceder ao link http://www.archdaily.com/787794/aquiles-eco-hotel-ramos-castellano-arquitectos

Por: Constânça de Pina

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