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Austrália: Tribunal condena blogger famosa por ter ‘curado cancro’ a pagar 410 mil dólares AUD desviados de obras beneficentes 29 Setembro 2017

A modelo australiana Belle Gibson, de 21 anos, melhorou o seu perfil público quando em 2013 disse numa entrevista que tinha acabado de “curar o seu cancro terminal apenas com um regime alimentar saudável”.

Austrália: Tribunal condena blogger famosa por ter ‘curado  cancro’ a pagar 410 mil dólares AUD desviados de obras beneficentes

A história da cura do cancro foi repetida no seu blog, em contas no Instagram e Facebook, e, por fim, num livro editado pela prestigiada Penguin, em 2014 e promovido em várias cidades da Europa aos Estados Unidos e Austrália.

Entre 2013 e 2015, o livro e aplicativo renderam muito dinheiro — que ela prometeu doar a obras beneficentes — e a fama dela cresceu. Foi paga para se apresentar em eventos internacionais nos três continentes.

Muito ganhou ela com o alegado “milagre da alimentação alternativa como cura para o cancro”. O alegado cancro, repetia, fora-lhe diagnosticado aos 20 anos, com prognóstico de que morreria dentro de quatro meses e ela decidira abandonar a medicina convencional e virar-se para a "cura natural".

Ao terceiro ano da mentira, com a imprensa a querer saber mais sobre a doença e a milagrosa cura, ela acabou por admitir, em 2015, que nunca tinha sofrido de cancro. Ao descrédito público, pelo qual pediu desculpas — em parte aceites pelos seus fãs — juntou-se a necessidade de prestar contas à justiça sobre as obras beneficentes.

Obras beneficentes “ao serviço dos seus interesses próprios”

Esta quarta-feira, ao fim do julgamento iniciado em março, um tribunal australiano condenou Belle Gibson a pagar uma soma total de 410 mil dólares australianos (30 mil contos) por “burla aos consumidores”, decorrente dos donativos recolhidos pela venda do livro e respetivo aplicativo. As receitas que iriam ser doadas atingiram o montante de 420 mil dólares australianos (c. 31 mil contos), mas apesar de advertida de que tinha de entregar a totalidade entregou apenas dez mil dólares australianos (736.581$ CVE).

"A mais evidente demonstração da desonestidade e egoísmo da sra. Gibson é o facto de que ela e a empresa que ela criou nunca entregaram os donativos recolhidos às organizações que publicitaram”, disse o juiz do tribunal de Melbourne. Uma dessas organizações, a ASRC, que se dedica a ajudar refugiados chegados à Austrália, alertou as autoridades (o observatório australiano que controla os donativos). Apesar de toda a publicidade feita por Gibson, a ASRC não tinha recebido nada.

“Ela preferiu perpetuar a fantasia e a deceção que criou, apesar de advertida pela editora Penguin em 2014, sobre o facto de que tinha de prestar contas dos donativos recolhidos”.

O tribunal concluiu que Belle Gibson pusera "egoisticamente" as obras beneficentes “ao serviço dos seus interesses próprios”.

Fontes: Corriere della Sera, Telegraph.co.uk

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