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Autárquicas Portugal: PS vence maioria das Câmaras Municipais 02 Outubro 2017

O Partido Socialista Português (PS) venceu folgadamente as eleições autárquicas deste Domingo, ganhando pelo menos 153 Câmaras Municipais, segundo os resultados provisórios. Quando faltavam apurar 32 de um total de 309 freguesias, (98% de votantes estavam contabilizados), os resultados provisórios por formação política estavam ordenados da seguinte forma: PS, 135 Câmaras eleitas; PSD, 76 Câmara eleitas; CDU, 23 Câmaras (perdeu 10); Coligação PSD/CDS, 15 Câmaras; Grupo de Independentes, 16 (Isaltino Mariais voltou a ganhar a Oeiras); CDS, 6 Câmaras ganhas e Bloco de Esquerda não elegeu nenhuma Câmara.

Veja a seguir a análise, através do prestigiado Jornal Expresso de Portugal, sobre a posição do PS e do PSD.

Autárquicas Portugal: PS vence maioria das Câmaras Municipais

António Costa: Autárquicas abastecem geringonça (mas com gasolina PS)

Primeiro-ministro e secretário-geral do PS interpreta vitória nas autárquicas como uma resposta dos eleitores à "mudança política iniciada há dois anos no quadro da maioria parlamentar". Costa aponta o PSD como grande derrotado da noite e rejeita que perda de câmaras da CDU possa ter impacto na geringonça. "A vitória do PS não é derrota de nenhum dos seus parceiros parlamentares: é a vitória do PS".

A frase surgiu logo no início do discurso, para que não restasse margem para dúvidas: o PS teve este domingo "a maior vitoria eleitoral da sua história", defendeu António Costa, no Largo do Rato, pouco antes da meia noite. Minutos depois de terminar o seu discurso, Costa via traduzido em números esse momento histórico: depois das 150 câmaras conquistadas em 2013, o PS aumentava já esse universo para 166.

O secretário-geral do partido fez questão de interpretar estes resultados como um reflexo da mudança que os socialistas iniciaram há dois anos no Governo - com o apoio do PCP e do BE - e rejeitou que essa solução possa vacilar com o aumento dos tons rosa no mapa eleitoral do país. Nomeadamente em concelhos até agora detidos pela CDU, como Almada, Castro Verde, Barrancos, Moura, Alandroal ou Constância.
Na reação aos resultados das eleições autárquicas, o primeiro-ministro e secretário-geral do PS preferiu saudar a resposta dos portugueses ao pedido de "mais força" para os socialistas - que tinha sido um dos seus motes de campanha - e apontou ainda o PSD como grande perdedor da noite. Já sobre possíveis consequências desta eleição na estabilidade da maioria parlamentar, resultantes da perda de força da CDU nestas autárquicas, Costa chutou para canto: "A vitória do PS não é derrota de nenhum dos seus parceiros parlamentares: é a vitória do PS".

Recordando que o PS partia para estas autárquicas depois de ter tido "há quatro anos um resultado histórico", ainda com António José Seguro, António Costa sublinhou que "toda a gente assumia como normal que era muito difícil manter o numero de câmaras". Mas, "o que hoje sai deste resultado é que não só manteve como viu reforçado o numero de câmaras.", disse. E se "o PS teve mais votos", conseguiu também vincar distâncias para a direita: "Se há quatro anos ficou 3 pontos à frente da direita, agora estará a 10 pontos", antecipou.

No arranque da sua declaração aos jornalistas na sede do PS, Costa já tinha, de resto, interpretado o resultado do PS como um reflexo da "mudança que se iniciou há dois anos no quadro da maioria parlamentar". E se na campanha tinha pedido "mais força" para o PS poder continuar o caminho seguido pelo Governo nos últimos dois anos, o primeiro-ministro não tem agora dúvidas: "Esta mudança sai reforçada e dá força à continuidade de políticas com devolução de rendimentos, crescimento económico, mais e melhor emprego, melhoria de serviços públicos e redução do desemprego", exemplificou.

Um caminho que Costa argumenta que não sairá prejudicado pelo facto de um dos parceiros de maioria parlamentar de esquerda poder fazer uma análise menos positiva aos resultados deste domingo: a CDU perdeu várias câmaras que tinha em seu poder, várias delas para o PS, sim, mas Costa rejeitou alimentar essas análises: "Este resultado foi seguramente muito mau para a direita e foi bom para o PS", disse, defendendo que procurar outras interpretações aos resultados destas autárquicas seria "disfarçar" a derrota da direita e "em particular do PSD".

"O resultado global que temos é muito claro: uma vitória do PS, a derrota da direita e em particular do PSD, e um reforço da mudança de orientação politica que iniciámos há dois anos", reiterou, perante as perguntas dos jornalistas, e antecipando que o Governo será capaz, "tal como fez em 2016 e em 2017", de negociar um Orçamento do Estado para 2018 com PCP, PEV e BE, sem qualquer influência dos resultados desta noite.

"Ao fim de dois anos todos verificam que valeu a pena a mudança", disse, invocando de novo "o maior crescimento económico desde o inicio do século" e a ideia de que "estamos a meio do caminho" e que "é necessário dar continuidade e força" às politicas em curso. "Iremos dar continuidade no OE2018, com o trabalho que partilhamos em conjunto com PEV, PCP e BE", garantiu. (Fonte: Expresso Portugal)

Passos Coelho admite sair da liderança

Resultados abaixo das piores previsões obriga Passos a uma "reflexão pessoal" sobre o seu futuro político. Não se demite, mas vai ponderar se se recandidata. Sair "é uma hipótese, com certeza"

Pedro Passos Coelho admite deixar a liderança do PSD, depois do pior resultado autárquico da história do partido. Numa declaração ao fim da noite, quando já era óbvio que o PS tem um resultado histórico pela positiva, e o PSD fica ainda abaixo do que conseguiu em 2013, Passos anunciou que vai fazer uma "reflexão pessoal" sobre o seu futuro político. Não se recandidatar nas próximas diretas "é uma hipótese, com certeza".

"Não gosto de fugir às minhas responsabilidades", afirmou Passos, apesar de ter passado toda a campanha a jurar que não retiraria conclusões nacionais do resultado autárquico, nem estas eleições seriam razão para se "por ao fresco". Mas, com menos câmaras do que em 2013, e todos os indicadores abaixo das piores previsões das últimas semanas, "evidentemente há sempre leituras e responsabilidades nacionais".

Passos garante que, formalmente, vai cumprir a sua palavra de não se demitir, mas, estando em final de mandato, poderá sair à mesma, não se recandidatando. Há Conselho Nacional na terça-feira, mas o ainda líder laranja não esclareceu se terá uma resposta para dar aos conselheiros - muitos dos quais, sabe o Expresso, se preparam para exigir a sua saída de cena. "Comunicarei a minha reflexão logo que for oportuno, e não costumo demorar muito tempo", foi a única resposta que deu sobre os seus timings.

Questionado sobre a possibilidade de precipitar os calendários, para fazer diretas e congresso mais cedo do que estava previsto, Passos recusou. "O calendário natural é o calendário adequado". (Fonte: Expresso Portugal).

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