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Médicos do estudo ’post-mortem concluem: ’Autópsia de cérebro de Aaron Hernandez, homicida dos cabo-verdianos Furtado e Abreu, revela danos jamais vistos 11 Novembro 2017

O estudo realizado sob a responsabilidade da diretora do Centro CTE do Hospital Universitário de Boston, Ann McKee, e do neuropatologista Victor Alvarez revelou “danos cerebrais jamais vistos numa pessoa da idade” do ex-jogador de futebol americano Aaron Hernandez — que se suicidou, em abril último, na cadeia onde cumpria a pena de prisão perpétua por ter assassinado o seu amigo Odin Lloyd em 2013 (por falta de provas, o Tribunal de Boston absolveu-o do duplo homicídio dos cabo-verdianos Safiro Furtado e Daniel Abreu).

Médicos do estudo ’post-mortem concluem: ’Autópsia de cérebro de Aaron Hernandez, homicida dos cabo-verdianos  Furtado e Abreu, revela danos jamais vistos

Os médicos descobriram que Hernandez sofria da mais severa forma de encefalopatia traumática crónica (CTE), a qual terá perturbado a sua capacidade de autocontrolo e conduziu-o ao crime.

A informação foi dada esta quinta-feira, 9, em conferência de imprensa na Escola Médica da Universidade de Boston. A diretora do centro que estuda há mais de um decénio os casos de traumas cerebrais, em jogadores da NFL, afirmou: “ Foi um dos mais importantes contributos para o nosso trabalho”, "com raríssimas oportunidades de observar a doença em jovens".

O diagnóstico médico liga um dos mais notáveis jogadores de futebol (americano) à doença CTE, que é um dos maiores riscos dessa profissão de contacto físico com alto grau de agressividade. O nível de dano atingiu o estádio 3, que só tinha sido observado em atletas com mais de 46 anos, quase o dobro da idade de Hernandez.

A encefalopatia traumática crónica (CTE) é uma doença degenerativa do cérebro, que tem sido diagnosticada, através de autópsias seletivas à elite dos jogadores de futebol americano da NFL (a Liga Americana de Futebol).

Este caso, do atleta falecido aos 26 anos, “está no pior nível do espectro”, disse a diretora do Centro CTE. “O pior é que podemos estar a assistir a um agravamento de tais casos nos jovens atletas. Isto pode ter como causa quer uma maior agressividade no jogo quer porque estão a começar a jogar cada vez mais em idades muito baixas”.

Mapa do cérebro – com CTE e sem

A comparação, feita pela equipa da Universidade de Boston na apresentação pública das imagens do cérebro doente com CTE e de um segundo sem a doença, destacou que a principal diferença está na existência de áreas cerebrais com manchas escuras e aspeto enrugado no cérebro doente, associados à proteína ‘Tau’. A área do lóbulo frontal, o qual processa a capacidade humana de autocontrolar-se e tomar boas decisões, apresenta, diz o estudo, extensas lesões — que terão definido a vida de Hernandez marcada por vários episódios de violência até ao trágico desfecho final.

A diretora do estudo observou que “não podemos associar diretamente patologia e comportamento, mas podemos dizer que de um modo geral, dada a nossa experiência, indivíduos com CTE, e com este nível de gravidade, têm dificuldade com o controlo dos impulsos, a tomada de decisão (racional), a inibição dos impulsos agressivos, a volatilidade emocional e a raiva”.

Os médicos explicaram ainda que só a predisposição genética pode estar por trás do modo como a doença evoluiu de modo tão grave, no contexto das lesões sofridas na prática da modalidade desportiva.

“Sabemos que existe um factor de risco para as doenças neurogenerativas”, disse McKee said. “Se isso contribuiu ou não para este caso, não temos certezas. Mas pode explicar a sua predisposição para a CTE”.

A equipa destacou o contributo da família do falecido para o avanço no conhecimento: “Permitiu uma melhor compreensão desta doença ao nível científico, duma forma que raramente é possível. Por isso, estamos muitos gratos à família, que fez esta doação”.

NFL na defensiva perante pedidos de indemnização de ex-estrelas

No mesmo dia da conferência do Centro CTE da Universidade de Boston, a NFL divulgou um vídeo do estudo de 459 casos de traumas sofridos nas épocas de 2015 e 2016.

A direção da poderosa Liga explicou que tem envidado esforços para tornar a modalidade mais segura para os seus jogadores. Desde as regras do jogo, que mudaram tendo em vista a segurança, às mudanças tecnológicas passando pelo tratamento dado aos jogadores lesionados.

Contudo o Centro CTE, com base no estudo de mais de uma centena de ex-jogadores da NFL afetados, sendo que “um grande número cometeu suicídio”, explica que o capacete não previne este tipo de lesões.

“O traumatismo acontece quando o cérebro do jogador acelera ou desacelera após um embate. Contra isso, o capacete de nada serve. É algo intrínseco ao jogo”, explicou a professora McKee. Fontes: Washington Post. http://www.asemana.publ.cv/?Acusado-pelo-assassinato-de-dois-cabo-verdianos-nos-EUA-ex-jogador-Aaron Hernandez suicida-se na prisão, 20 Abril 2017

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