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BCV perspectiva crescimento real do PIB de 1,5 a 2,5% 02 Abril 2016

O Banco de Cabo Verde diz que as projecções macroeconómicas para 2016 apontam para um intervalo de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,5 a 2,5%. Estes dados constam do Relatório de Política Monetária (RPM) divulgado por esta instituição reguladora do sector financeiro nacional, que revela ainda que o enquadramento externo da economia permaneceu ligeiramente favorável ao longo do ano de 2015.

BCV perspectiva crescimento real do PIB de 1,5 a 2,5%

O RPM revela que as estimativas das contas nacionais trimestrais, produzidas pelo Instituto Nacional de Estatística, apontam para um crescimento real na ordem dos 0,8% em termos homólogos, nos meses de 2015, suportado pela recuperação das actividades de alojamento e restauração e dos impostos líquidos de subsídios.

Diz que o crescimento da economia nacional desacelerou, comparativamente ao desempenho registado até Setembro de 2014 (2,2 por cento). Para este comportamento contribuíram, do lado da oferta, a contracção de actividade registada nos ramos de comércio, agricultura e indústria extractiva, bem como a desaceleração do crescimento das actividades de construção, pesca e administração pública, realça.

“Do lado da procura, até ao terceiro trimestre, o desempenho menos conseguido terá resultado da contracção dos investimentos, relacionada sobretudo com os constrangimentos na execução do “Programa Casa para Todos”, a implementação mais lenta de projectos financiados com investimento directo estrangeiro, a diminuição dos investimentos do Governo Central e a redução do crédito ao sector privado”, lê-se.

Tendência decrescente da inflação

Em relação aos indicadores de procura, acompanhados pelo BCV, regista-se um contributo negativo da procura interna para o crescimento em 2015, entretanto, marginalmente superado pelo contributo positivo da procura externa líquida (em resultado, sobretudo, da queda das importações de bens e serviços). Aponta ainda que a inflação média anual inflectiu em Abril a tendência decrescente, fixando-se em 0,1 por cento em Dezembro.

“Os efeitos da redução dos preços das matérias-primas energéticas e não-energéticas nos mercados internacionais, bem como dos índices de preços no produtor e no consumidor nos principais mercados fornecedores do país, compensaram em larga medida a tendência ascendente dos preços de bens alimentares produzidos internamente (devido à seca de 2014 e à pressão exercida pelo aumento da taxa de imposto sobre o valor acrescentado de 15 para 15,5 por cento nas diversas classes de bens e serviços) favorecendo o rendimento disponível bruto real das famílias cabo-verdianas, acrescenta.

Défice da balança com redução de mais 50%

O défice da balança corrente reduziu-se em mais de 50% e contrapôs-se à inversão no investimento directo estrangeiro. Esta tendência de recuperação contribuiu, a par da redução dos desembolsos líquidos da dívida pública externa e do aumento das aplicações dos bancos no exterior, para reduzir o excedente da balança financeira que, entretanto, foi suficiente para garantir um aumento das reservas internacionais na ordem dos 32 milhões de euros.

Para 2016, a perspectiva de arranque de importantes empreendimentos financiados com investimento directo estrangeiro, de evolução relativamente favorável do enquadramento externo, de contínua melhoria do balanço dos bancos e de maior efectivação, na economia real, das medidas de política monetária que vêm sendo implementadas desde Maio de 2013, suportam as expectativas de um maior dinamismo da actividade económica.

O documento destaca que as projecções macroeconómicas para 2016 apontam para um intervalo de crescimento real do PIB de 1,5 a 2,5 por cento. Esta revisão em baixa traduz os desenvolvimentos macrofinanceiros internos e internacionais recentes, num contexto de aumento de incertezas.

Diz ainda que, nos próximos meses, a política monetária deverá centrar-se na preservação das reservas externas em níveis adequados ao perfil de risco e à estabilidade macroeconómica e financeira do país. O Banco de Cabo Verde promete entretanto permanecer atento a eventuais necessidades de intervenção para estimular a economia real.

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