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BCV projecta crescimento económico no intervalo entre 1 e 2% 09 Dezembro 2015

O Relatório de Política Monetária do Banco de Cabo Verde aponta para um crescimento económico do país entre um e dois por cento em 2015 - portanto abaixo da previsão do FMI que é de 3% - e um fortalecimento da dinâmica da actividade económica no próximo ano. O Banco Central reconhece o impacto do afrouxamento monetário foi mínimo, mas o enquadramento externo da nossa economia é favorável.

 BCV projecta crescimento económico no intervalo entre 1 e 2%

O sumário do relatório revela que a política monetária mantém desde Maio de 2013, uma orientação acomodatícia, dentro do espaço que lhe é conferido pelo regime de paridade com o euro, que visa a manutenção de níveis de reservas externas consistentes com o objectivo de garantir a estabilidade macroeconómica e financeira do país. Diz ainda que o impacto do afrouxamento monetário permanece aquém do desejável, pelo que o BCV continuará atento as necessidades de intervenção, dentro dos limites conferidos pela sua orientação política estratégica.

“O enquadramento externo da nossa economia, pese embora o abrandamento do crescimento económico mundial, permaneceu relativamente favorável em 2015, beneficiando a evolução da procura externa dirigida à economia nacional, as transferências privadas para apoio familiar, o investimento externo, bem com a compensação de alguma pressão inflacionista”, lê-se no documento divulgado pelo BCV.

A nível interno, as estatísticas sugerem um abrandamento do ritmo de crescimento, em parte devido aos constrangimentos que condicionaram o crescimento dos investimentos. As estimativas das contas nacionais trimestrais, produzidas pelo Instituto Nacional de Estatística, apontam para um crescimento na ordem dos 0,5 por cento, determinado, do lado da oferta, pelas performances menos favoráveis do comércio, agricultura, serviços imobiliários, às empresas e administração pública.

Do lado da procura, o desempenho menos conseguido resultou na contracção dos investimentos, provocado em parte pelo atraso na execução do “Programa Casa para Todos”, de projetos financiados com investimento direto estrangeiro, da diminuição dos investimentos do Governo Central, no quadro do processo de phasing-out da política expansionista em implementação desde 2009, bem como da evolução aquém do desejável do financiamento bancário a empreendimentos.

Preços no consumidor com evolução positiva

Os preços no consumidor mantiveram uma evolução positiva. A inflação média anual infletiu a tendência descendente, fixando-se em 0,1 por cento em outubro. A evolução da inflação importada - a redução dos preços das matérias-primas energéticas e não energéticas nos mercados internacionais, bem como dos índices de preços no produtor e no consumidor nos principais mercados fornecedores do país- compensou a tendência ascendente dos preços de bens alimentares produzidos internamente devido à seca de 2014 e favoreceu o rendimento bruto real das famílias cabo-verdianas.

Nas contas externas registou-se uma contração do défice da balança corrente, determinada pelo expressivo aumento das remessas de emigrantes e dos donativos ao Estado, bem como pela forte recuperação das receitas de turismo e redução do preço e volume das importações de bens. A evolução menos desfavorável da balança corrente não foi, contudo, suficiente para compensar o aumento das aplicações dos bancos no exterior e a redução dos desembolsos líquidos da dívida pública, levando a uma queda das reservas internacionais líquidas do país na ordem dos 35 milhões de euros, até setembro face aos valores extraordinários de dezembro de 2014.

A perspectiva de melhoria do cenário macroeconómico, subjacente a um reforço da procura turística e do rendimento disponível bruto das famílias, bem como da sua confiança relacionado também com os resultados esperados da campanha agrícola de 2015, de um crescimento mais acelerado do crédito ao sector privado e, consequentemente, da execução de empreendimentos privados, alimenta a expectativas de um crescimento em 2015 de um a dois por cento e da inflação média anual se situar entre 0 e 0,2 por cento.

Para 2016, as expectativas de uma maior transmissão à economia real das medidas de política monetária implementadas, em resultado de alguma melhoria do balanço dos bancos, do arranque de importantes empreendimentos financiados com investimento direto estrangeiro e de contínua e gradual melhoria do ambiente externo, fundamentam as projeções de um maior dinamismo da atividade económica.

Nos próximos meses, a política monetária deverá manter-se centrada na preservação das reservas externas em níveis adequados ao perfil de risco e à estabilidade macroeconómica e financeira do país.

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