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BCV quer mais crédito à economia 07 Fevereiro 2015

O Banco Central (BCV) quer ver o crédito à economia a impactar o crescimento do PIB, contribuindo com 1,8% este ano. O Governador João Serra resume o encontro, desta sexta-feira, com todos os representantes da banca comercial de Cabo Verde, como um exercício “conjunto” sobre como encarar os desafios do crédito à economia real. O Presidente da Comissão Executiva da Caixa Económica de Cabo Verde, Emanuel Miranda, diz-se expectante e realça dentre os desafios que têm pela frente o da diminuição do papel do Estado na máquina económica - contraposto por um maior "apoio" da banca aos privados. Pede por isso medidas mais eficazes ao BCV.

BCV quer mais crédito à economia

“Há um conjunto de desafios importantes que deverão ser encarados conjuntamente – tanto pelo Banco Central como pelos Bancos comercias” defendeu esta sexta-feira, 06, o governador do BCV. João Serra colocando o acesso ao crédito no centro da discussão com a banca comercial cabo-verdiana, exprimiu que não está satisfeito com o nível do crédito à economia. Afirmou mesmo que está preocupado com a evolução “praticamente residual” do crédito nos últimos anos, tanto que no ano findo chegou a ser negativo.

Escassez de crédito Vs Excesso de liquidez da banca

A correlação quase directa entre os poucos empréstimos concedidos às empresas e o crescimento económico de Cabo Verde esteve em cima da mesa esta sexta-feira. A esta escassez de crédito contrapõe-se o excesso de liquidez que reina em todos os bancos comerciais. Daí a atenção do BCV ao elevado nível de crédito malparado, “com rácios que inspiram algum cuidado” (18%).

BCV quer PIB a 1,8%

João Serra está entretanto optimista e prevê um cenário de maior equilíbrio entre mais crédito à economia e a estabilização, ou até a redução, dos créditos malparados. Entre as medidas anunciadas, destaque para as relacionadas com a concessão de crédito, que espera virem a ter tal impacto na economia que possam contribuir com 1,8% para o PIB cabo-verdiano em 2015. Contudo, Serra não deixou de frisar os factores que "o BCV não controla e que têm influência decisiva".

O administrador da Caixa Económica, Emanuel Miranda, garantiu que a sua instituição tem criadas as condições internas para uma maior aposta no crédito à economia. Diz por isso esperar com “grande expectativa” as medidas do BCV. No entanto, alerta que, tendo em conta a dependência do crescimento económico frente às oscilações do crédito, estas medidas serão "um grande desafio" e terão que implicar reajustamentos das estratégias de todos os bancos comerciais.

Maior apoio da banca aos privados

Para Miranda, o grande desafio no que toca ao crédito tem a ver com o sector produtivo, dadas as fragilidades do tecido empresarial cabo-verdiano. Defende, por isso, que banca terá que começar a apoiar o sector privado “criando talvez unidades especiais para inventariar as oportunidades e depois ajudar a preparar os projectos”.

Menos Estado

Porém Emanuel Miranda mostra-se particularmente crítico em relação à disponibilidade mínima de caixa imposta pelo Banco Central - manda que todos os bancos comerciais tenham o correspondente a 18% dos depósitos cativados no Banco Central. E não podem ser tocados. Ao considerar que este montante “tem um peso enorme na definição das taxas de juro”, espera que a alteração desse dispositivo também faça parte do rol de medidas que o BCV quer implementar.

Miranda aponta uma das soluções nesta “fase de transição da economia nacional”: o Estado tem de deixar de ser o principal impulsionador da economia nacional.

Sanny Fonseca

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