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A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Baía das Gatas - Maratona musical de Lisbon Street Band marca primeiro dia 15 Agosto 2015

O primeiro dia do Festival da Baía das Gatas ficou marcado pela longa actuação, de mais de cinco horas, do Lisbon Street Band. O primeiro dia do festival chegou ao fim perto das 7 horas da manhã de sábado, ao som do ritmo quente do funaná com Kino Cabral. O cantor estava visivelmente insatisfeito e não poupou críticas por ter actuado tardiamente. Entretanto, o artista conseguiu ainda colocar “lume” nos presentes que conseguiram resistir até ao clarear do dia.

Baía das Gatas - Maratona musical de Lisbon Street Band marca primeiro dia

A Orquestra Nacional de Cabo Verde (ONCV) teve a responsabilidade de abrir a cortina do Festival da Baía das Gatas 2015. Lúcia Cardoso, directora artística da ONCV, recebeu o diploma de participação pelas mãos do presidente da República, Jorge Carlos Fonseca. “Senti que o público mostrou-se satisfeito. Este é um projecto que veio para ficar e espero que continue com o apoio principalmente do povo que é o nosso empregador”, disse Lúcia, que destacou o facto de o festival levar à praia da baía toda a sonoridade da música cabo-verdiana, fugindo ao padrão clássico europeu de orquestra.

Aliás, segundo avançou a cantora, “a orquestra quer romper a barreira de ligar a orquestra somente à música clássica, e quer que os sons populares cabo-verdianos sejam trabalhados e tocados em qualquer contexto como foi nesta primeira noite do festival”.

Ainda num ambiente morno, o público ouviu uma selecção de artistas nacionais. Os Lisbon Street Band presentearam o público com cinco horas de espectáculo, num desfile de 23 artistas nacionais, numa verdadeira “overdose” de músicas tradicionais. Cada artista cantou duas músicas sob o apoio técnico de uma banda comandada por Tchenta. Integrava nomes como Morgadinho, Jenifer Solidade, Daisy Pinto, Nilza Chalinho, Luís de Matos, Djuna, Djulay, Nha Kappa, Kyrha Tavares, Jorge Humberto, entre oturos.

Olavo Bilac, um símbolo da música portuguesa, fez com que o público o acompanhasse num coro harmonioso e cristalino. Olavo, que esteve neste evento em 2013, trouxe um reportório com sons de “Músicas do Meu Mundo”, seu primeiro CD a solo lançado em Julho de 2014. Foi uma das vozes mais acarinhadas pelo público. Este filho de cabo-verdianos fez festa com o seu crioulo arrojado, em que cantou entre outros temas “Fruto Proibido”, que lhe faz “regressar às origens”, um trabalho diferente do que tem feito com o grupo Santos e Pecadores.

“Não me sinto estrangeiro em São Vicente. A minha mãe é desta ilha mas sempre contou as histórias da ilha e, principalmente sobre o centro da cidade. Portanto, isto já é muito familiar, dá-me a sensação que já vivi aqui ou que nasci aqui. É sempre um prazer visitar essas ilhas”, disse ao Asemanaonline o músico.

Quanto à reacção do público sobre ter registado uma viragem na sua carreira artística, Bilac responde: “As pessoas olham para mim e me entendem como um mestiço que sou e tinha que ter isto na música. Faz todo o sentido. Os meus pais são de Cabo Verde e por isso todo o som que ouvi desde miúdo passa pela morna, coladeira e funaná. Por muito que tenha passado pela pop, rock, as músicas cabo-verdianas sempre estiveram presentes nas nossas casas. Então chegou o momento certo para abraçar este projecto”.

Já a amanhecer, Kino Kabral e sua banda fecharam o primeiro dia do festival com o ritmo quente do funaná. Mesmo cansados, os presentes não arredaram pé para ver e ouvir o ex-integrante dos Livity. Kino mostrou-se indignado e disse sentir-se maltratado por causa do atraso que teve para subir ao palco. “Acho que este atraso não tinha necessidade. Talvez houve motivos para isso, mas podiam tomar medidas para evitar esta demora”, desabafou Kino Cabral, sobre esta sua primeira participação no Festival da Baía das Gatas.

Mas para o músico “o importante é que o público esteve animado e reagiu bem”. Apesar das duras críticas que fez, Kino agradeceu, no final do espectáculo, à organização e ao público. Teve até tempo para brincar e dançar com os elementos da organização, as bailarinas e o presidente da Câmara Municipal, Augusto Neves. Tudo num tom de “Sempri, Simplis, Sabi”.

Entretanto, este sábado vão subir ao palco Nelson Freitas e banda, o angolano Puto Português e Jorge Aragão, do Brasil. Vai fechar esta segunda noite do Festival de Música da Baía das Gatas o grupo de reggae Morgan Heritage, dos EUA.

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