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Bem Vindo Paulino! 29 Novembro 2009

Foram muitos anos sem pisar os palcos da capital. Demasiados! Talvez por isso Paulino Vieira tenha compensado o público com três horas de um espectáculo que foi muito além da dimensão musical.

Bem Vindo Paulino!

‘M cria ser poeta. A morna dispensa todas as apresentações e, com ela, Paulino abriu o palco e uma noite que viria a ser muito especial. Numa versão estilizada, meio jazz, meio blues, o hino quebrou o gelo e levantou a assistência para um aplauso de pé logo ao primeiro “round”. E a partir daí, tudo foi possível, numa “batalha” musical que deixou o público completamente KO.

Paulino Vieira transformou aquilo que seria um concerto, numa verdadeira festa de celebração. Cantou, dançou, comunicou intimamente com o público, passou as suas mensagens de paz, amor, sabedoria, mas também, ódio aos produtores musicais, managers e todos os que estão envolvidos no lado “comercial” da música.
E em todas as palavras nunca perdeu o humor. Aliás, o espectáculo foi um verdadeiro momento de boa disposição, risos, gargalhadas e um génio em palco a dominar as massas como ninguém.
Paulino Vieira podia ter sido “one man show” não fosse a banda de luxo que o acompanhava. Uma orquestra, a sério, que incluía nomes como Bau; Voginha; Jimmy e deu a cada uma das suas composições de sempre uma sonoridade renovada, uns arranjos de luxo e improvisos dignos de mestres.

O espectáculo ultrapassou todas as dimensões do convencional. Excedeu-se nalguns momentos e talvez tenha pecado pelo exagero, para quem estivesse à espera de concerto clássico.
Na verdade, a noite foi de improvisos, solos de saxofone, guitarra, cavaquinho, percussão, de algumas surpresas, apontamentos inesperados e, claro, de Paulino Vieira brincando com as suas próprias canções, deixando-se levar pela inspiração do momento. Tocou teclado, piano, mas nem sinal da guitarra de doze cordas que domina com genialidade.

Mesmo assim brilhou. Brilhou num espectáculo que foi sobretudo muito teatral. Paulino fez malabarismo com dois cabos de vassoura, brincou, desceu à plateia, chamou amigos ao palco e dançou, acompanhando a sua assistente que se manteve “em cena” praticamente todo o espectáculo, ainda que sem um papel definido.
E em todos os devaneios, o “mestre” arrancou aplausos, ovações e a devida vénia de um auditório lotado.

A sala de espectáculo encheu apesar do preço dos bilhetes ter sido superior ao habitual. 1500 escudos que Paulino Vieira fez valer em três horas de um espectáculo, único, original, bem ao seu estilo.

fotos PEDRO MOITA

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