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"Povo que tem menos amigos no mundo" continua em notas de rodapé 23 Setembro 2017

A Organização das Nações Unidas tem razão: os rohingyas são "o povo que tem menos amigos no mundo". Os ’media’ silenciam as notícias sobre os rohingyas enquanto estes são perseguidos. Em fuga, deslocados, sobrevivem em campos de refugiados, as ajudas humanitárias são atacadas, como aconteceu nesta semana quando centenas de manifestantes budistas lançaram, na noite de quarta-feira, 20, cocktails Molotov no porto de Sittwe, capital do Estado de Rakhine, para tentar impedir a partida dum navio com 50 toneladas de ajuda humanitária. No Bangladesh, onde se refugiaram mais de 400 mil rohingyas, um camião que transportava ajuda da Cruz Vermelha caiu numa ravina e os seus nove ocupantes morreram.

A polícia disparou para o ar para dispersar os manifestantes. O conflito entre os budistas dominantes na Birmânia e a minoria muçulmana rohingya reacendeu-se em 25 de agosto, data em que o exército birmanês iniciou uma vasta operação de represálias contra os rebeldes muçulmanos do estado de Rakhine, acusados de ligações com o Estado Islâmico.

Nesta quinta-feira, no Bangladesh, onde se refugiaram um número estimado de mais de 400 mil rohingyas, um camião que transportava ajuda da Cruz Vermelha para um campo de refugiados caiu numa ravina. Morreram os nove ocupantes da viatura, funcionários da Cruz Vermelha, segundo o Le Figaro.


Perseguição religiosa e étnica

A comunidade internacional, com o Secretário-Geral da ONU à cabeça, tem vindo a condenar o que designou de depuração étnica da minoria muçulmana, residente em Rakhine, estado do oeste da Birmânia.

A 13 de setembro, o Conselho de Segurança da ONU, a pedido da Inglaterra e da Suécia, reuniu-se para discutir a gravidade da situação e reclamar ação imediata contra a “limpeza étnica” em curso — e que é negada por San Suu Kyi, a líder da Aliança Democrática, partido vencedor das primeiras eleições na "República de Myanmar" —N.R.: uma designação que o "Ocidente", designadamente UE e Estados Unidos, não reconhece preferindo-lhe "Burma" e Birmânia e equivalentes.

A distinguida com o Nobel da Paz em 1991, enquanto combatente pela democracia contra a junta militar que governou o país durante cinquenta anos, tem sido nas últimas semanas muito criticada por não ter condenado a repressão militar sobre o estado de Rakhine.

Condenações vindas de vários dos seus homólogos nobelizados, incluindo a jovem Malala Yousafzai, apontam que ela fez silêncio sobre a ação militar que, pretextando estar a combater o terrorismo islâmico, incendiou aldeias, matou milhares e fez deslocar quatrocentos mil Rohingya.

Ausente da Assembleia-Geral da ONU

Aung San Suu Kyi já tinha anunciado que não se apresentaria na 72ª Sessão da AG da ONU, que esta terça-feira reúne em Nova Iorque cerca de cem chefes de Estado e Governo.

A dirigente anunciou sobre os mais de quatrocentos mil rohingya deslocados do estado de maioria muçulmana que iria falar nesta terça-feira, não na tribuna da ONU, mas na capital administrativa birmanesa, Naypyidaw.

Fontes: Le Monde, Le Figaro. Foto (Reuters): Rohingyas em campo de refugiados, embora Aung San Suu Kyi tenha prometido organizar o regresso de meio milhão.

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