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Guiné-Bissau: "Embaló dirige país contra crianças" 12 Agosto 2017

A polémica continua na Guiné-Bissau com o país mergulhado numa crise politica profunda e a funcionar com um governo ditatorial e inconstitucional que anda a tomar medidas ilegais. Em causa está o protesto da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, que lamentou as recentes afirmações do Primeiro-ministro, que mandou prender crianças talibés encontradas a mendigar nas ruas da cidade de Bissau.

Guiné-Bissau:

A advogada guineense Rute Monteiro afirma à RFI que a frase do actual chefe do Governo, Umaro Sissoco Embaló, foi infeliz e condena a exploração do trabalho infantil.

Questionada sobre o facto de haver possibilidade de combater esta forma de exploração infantil, Rute Monteiro responde que sim "se houver vontade porque as crianças estão na rua. É uma questão de as ir procurar e de criar centros onde podem ser acompanhadas, em vez de as deixar na rua e que, por isso, estão a incomodar e que as vamos prender e mandá-las para as ilhas".

Lembra a mesma fonte que esta semana, o primeiro-ministro da Guiné-Bissau deu ordens ao ministro do Interior para prender e mandar para as ilhas qualquer criança ou jovens apanhados a pedir esmola no país, nomeadamente jovens talibés.

Umaro Sissoco Embaló disse que é uma vergonha que os país mandem os filhos "para mendicidade pelas ruas em nome do ensino do Islão".

"Isto é o nível do primeiro-ministro que temos, que dirige um país voltando-se contra crianças. Acho que ele não tinha ideia do que estava a dizer. Foi uma frase infeliz. Ele diz que é muçulmano, portanto ele sabe que isto é cultural. Se estas crianças são crianças talibés ele sabe que isto é uma questão de cultura religiosa. Porquê insurgir-se contra as crianças?", questionou a advogada Rute Monteiro citada pela RFI.

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