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Boa Vista: Excursões às tartarugas geram 29 mil contos 21 Setembro 2015

A campanha das tartarugas marinhas na ilha da Boa Vista gerou perto de 29 mil contos durante a época de desova de 2014. 5240 turistas compraram excursões (a um preço médio de 5500 escudos) para ver a desova das tartarugas Caretta-caretta, totalizando cerca de 29 mil contos em quatro meses. Valores elevados que começam a despertar conflitos de interesse à volta desta actividade. As preocupações de conservação chocam com os interesses da exploração financeira e as exigências da sociedade civil no que toca aos benefícios desta actividade.

Boa Vista: Excursões às tartarugas geram 29 mil contos

As excursões às tartarugas são hoje um importante produto turístico na ilha da Boa Vista. Só no ano passado e durante os cerca de quatro meses da época da desova - Julho a Outubro - rendeu cerca de 29 mil contos. 5.240 turistas compraram este pacote, que custa em média 5500 escudos (50 euros). Mas as oito operadoras e os taxistas (principalmente) não se entendem quanto ao preço a ser cobrado.

Isso não obstante o Ecotrurismo, da qual faz parte as “turtle watch”, ou seja, excursões às tartarugas, prever que a actividade deve gerar benefícios às comunidades e garantir o respeito ao meio ambiente. As ONG´s e os operadores confirmam que não têm conseguido alcançar estas metas. Alegam que ainda falta a legislação, que está em fase avançada de preparação, segundo a Direcção Nacional do Ambiente.

O escritório boavistense do Projecto de Consolidação do Sistema de Áreas Protegidas de Cabo Verde (PCSAPCV) propôs no ano passado uma contribuição de 300 escudos por turista com o objectivo de levar algum benefício às comunidades, principalmente a do Norte que fica dentro do parque natural.

Os 5240 turistas taxados a 300 escudos (já integrado no preço final) deveriam gerar um milhão e 572 contos. Mas só conseguiram arrecadar 718 mil escudos. O montante foi investido, segundo o relatório da época de desova-2014 feito pelo escritório boa-vistense do Projecto de Consolidação do Sistema de Áreas Protegidas de Cabo Verde (PCSAPCV) maioritáriamente em projectos na área da educação.

Mas nem todos contribuíram e as razões são várias. Ilegalidade da taxa e desconhecimento do destino dado às contribuições foram alguns dos argumentos usados pelos operadores para não contribuir ou a pagar valores menores do que os inicialmente combinados.

Outra questão que tem indignado os operadores é que a TUI, responsável por um terço das excursões, (metade das da Naturália) recusa-se a colaborar. Este operador compra as excursões à Naturália a 3500 escudos por cada turista e vende por 8600 escudos.

"Ganhou perto de oito mil contos na temporada passada. Além de não ter contribuído com os 300 escudos (ilegal por não haver legislação mas, mas tido como uma medida compensatória), usa as suas próprias viaturas, diminuindo ainda mais o impacto socioeconómico na sociedade", queixam.

As ONG´s reconhecem que os conflitos à volta da protecção Vs exploração financeira das tartarugas têm gerado efeitos perversos. Por exemplo, atrasa os programas de sensibilização da sociedade civil em prôl da não apanha e necessidade de preservar da espécie.

Aliás, é comum ouvir que "alguns ganham dinheiro. A minha única forma de ganhar algum é com a apanha”; ou “eu conservo as tartarugas só se for no meu prato” -, em sinal claro da revolta da sociedade boavistense em relação a ganhos potenciais com a exploração do Caretta-caretta. Ao contrário, crescem as desconfianças em relação às ONG´s, críticas às as suas formas de trabalho e de financiamento.

De frisar que até 2013 a Naturália detinha o monopólio desta actividade na Ilha das Dunas. Dados disponíveis apontam para 1411 turistas em 2006; 672 em 2007; 1241 em 2008; 1563 em 2009; 2634 em 2010. Em 2011, o melhor ano segundo dados, a empresa levou 4023 turistas para ver tartarugas a nidificar.

Em 2012 a Naturália conseguiu levar 3353 turistas às excursões. Mas neste ano verificou a entrada de novos operados neste ramo, que também levaram 2334 turistas a ver tartarugas no seu processo de desova. No ano passado a Naturália conseguiu 3014 turista e os outros operadores 2230. Desses, 46 taxistas transportaram 837 turistas por sua conta.

Sanny Fonseca

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