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Cabnave: Mudanças na gerência «sem djobe pa lado» 13 Fevereiro 2017

O processo de mudança nos corpos gerentes, no estilo de sem «djobe pa lado», chega finalmente aos Estaleiros Navais de Cabo Verde – Cabnave. A unidade fabril de capital público, com sede junto da Praia de Laginha no Mindelo, tem agora um novo Conselho de Administração. Este é presidido pelo engenheiro mecânico Domingos Santos Júnior - em substituição do economista Baltazar Ramos- que tem como principal desafio privatizar e relançar a sociedade.Para alguns trabalhadores, não deixa de ser curioso que, no momento em que o Primeiro-ministro anuncia a sua intenção de levar ao parlamento uma proposta de lei para despartidarizar a administração pública, todos órgãos da empresa renovados – CA, Mesa da Assembleia Geral, Fiscal único – integram pessoas conhecidas como dirigentes e simpatizantes do partido no governo.

 Cabnave: Mudanças na gerência «sem djobe pa lado»

O novo timoneiro da CABNAVE é quadro da casa. Engenheiro mecânico de profissão, Domingos Santos Júnior conhece bem a empresa, onde vem trabalhando como técnico da área naval. Santos Júnior, que é natural de Santo Antão mas reside há vários anos em S.Vicente, é também conhecido como um destacado dirigente do MpD. Por isso, vai ter que suspender a sua condição de membro da Direcção Nacional do partido para poder exercer, no estilo de despartidarização da Administração publica anunciada pelo líder Ulisses Correia e Silva, o cargo para o qual foi nomeado.

Como apurou este diário digital, o novo PCA da Cabanve vai ser coadjuvado nas suas funções por dois administradores não executivos, que são quadros da empresa. Um deles é José Patrício Silva, engenheiro de máquina e director comercial da fábrica. O economista Amadeu Cruz, que foi ex-Presidente da Câmara Municipal do Porto Novo, é o outro administrador escolhido.

Já a Mesa da Assembleia Geral (MAG) vai ser presidida pelo advogado Armindo Gomes. Trata-se de um membro da Comissão Política Concelhia do MpD, que poderá anunciar, a qualquer momento, a sua candidatura à liderança do partido em S.Vicente. O lugar de secretário ficou ocupado por Herculano Silva, que é quadro da empresa, desempenhando a função de chefe de navio. A nova MAG tem ainda como vogal o quadro Alcídio Baptista, que é chefe do gabinete técnico da Cabnave.

Mas as mudanças não ficam por aí. O cargo de Fiscal Único vai ser assegurado por Manuel Monteiro, que é um técnico e dono duma empresa da área de auditora e contabilidade. Monteiro foi ex-presidente da Câmara de Comércio de Barlavento e deputado do MpD pelo círculo eleitoral de S.Vicente.

Para alguns trabalhadores ouvidos pelo Asemanaonline, não deixa de ser curioso que, no momento em que o Primeiro-ministro anuncia a sua intenção de levar ao parlamento uma proposta de lei para despartidarizar a administração pública, todos os órgãos da empresa renovados – CA, Mesa da Assembleia Geral, Fiscal único – integram somente pessoas conhecidas como dirigentes e simpatizantes do partido no governo. Ou seja, tudo continua, dizem, como no tempo do PAICV.

CA e privatização de empresa

A nova equipa dirigente tem um grande desafio pela frente, que é de trabalhar para privatizar e relançar a Cabnave - teve em 2015 um lucro à volta de 90 mil contos. Um processo que não será nada fácil, já que, segundo chegou a anunciar o ministro da Economia e Emprego, José Gonçalves, a empresa precisa de grandes investimentos, visando a modernização das infra-estruturas dos Estaleiros. Para tal, o governo espera mobilizar recursos sobretudo através de Investimentos Directos Estrangeiros.

Entretanto, o Grupo Empresa de Tráfego e Estiva (ETE) de Portugal tinha anunciado, em Dezembro de 2016, que ganhou o concurso internacional para a privatização dos Estaleiros Navais de Cabo Verde. Tido como o maior player marítimo, portuário e fluvial português, o grupo garantiu, através do seu GEO, Luís Nagy, que Cabo Verde era o outro dos mercados em que o Grupo ETE está a investir fortemente. «Recentemente qualificámo-nos em primeiro lugar no concurso público internacional para a privatização da CABNAVE, os estaleiros navais na ilha de S. Vicente, em Cabo Verde», disse, assegurando que «a próxima etapa do processo seria a negociação financeira e dos termos finais do contrato de concessão da Cabnave».

Fontes da empresa asseguram, porém, que esse processo contínua em banho-maria. É que, com a mudança política registada depois das legislativas de 20 de Março, o actual governo de Ulisses correia e Silva está a procurar outras soluções, isto por considerar que a CABNAVE precisa de um parceiro estratégico muito mais forte do que a ETE.

É de salientar que a nova equipa dirigente da empresa, comandada por Domingos Santos Júnior, vai substituir o anterior Conselho da Administração, que era presidido pelo economista Baltazar Ramos. Este tinha como administradores não executivos o engenheiro Lucas Santos e o economista Rui Vera Cruz.

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