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Cabo Verde nomeia embaixadores urbanos para sensibilizar nas questões de habitação 02 Outubro 2017

Cabo Verde apresentou hoje 40 embaixadores urbanos, que são personalidades de diversas áreas que, durante um ano, vão levar mensagens de sensibilização às respetivas comunidades sobre a importância de urbanização e habitação sustentáveis, resilientes, inclusivas e seguras.

Cabo Verde nomeia embaixadores urbanos para sensibilizar nas questões de habitação

Um deles é Gamal Mascarenhas, que nasceu em Achada de Santo António, na Praia e que se recorda de que há mais de 40 anos "mais de metade do bairro era plano" e "havia espaço à vontade".

Mas cresceu "só com casas e edifícios" e hoje é o bairro mais populoso de Cabo Verde, acrescentou.

Professor de Educação Física, músico, ativista social e artista, Gamal Mascarenhas lamentou, porém, que o bairro não tenha "uma única placa desportiva pública", facto que considerou trazer muitos problemas para a comunidade.

"Há muitos jovens sem espaço de lazer, sem espaço para prática do desporto", indicou, dizendo, por isso, que foi com agrado que aceitou o convite para ser um dos 40 embaixadores cabo-verdianos da ONU-Habitat.

"O meu grande objetivo, como ativista cultural que trabalha com os jovens na área de desporto voltado para a arte, é sensibilizar as autoridades para que não aconteça nunca mais o que aconteceu em Achada de Santo António", apontou.

Pedindo "mais cuidado" nas construções, Gamal Mascarenhas sugeriu, por isso, que as legislações deveriam definir regras para o número de casas, espaços abertos, praças, parques, espaços para prática desportiva.

"Para a cidade poder respirar. Porque para a cidade ser inclusiva tem de ter espaço de inclusão. Não é só dizer para ser inclusiva, mas deve haver espaço para a inclusão acontecer", afirmou.

Outros dos ativistas urbanos é Big-Z Patronato, músico, que pertence a duas comunidades na cidade da Praia — Vila Nova e Ponta d’Água — onde notou que a questão da habitação "não é grande coisa".

Por isso, disse que aderiu à campanha da ONU-Habitat em Cabo Verde para sensibilizar a comunidade sobre a importância de uma melhor habitação, esperando melhorias "daqui uns anos".

"Muitas vezes, vemos as coisas a acontecerem na nossa comunidade, queremos ajudar, mas não temos os meios. E estou aqui a ver se consigo ajudar com a minha música", prometeu Big-Z Patronato, que falava aos jornalistas no âmbito da apresentação dos restantes embaixadores.

Em declarações aos jornalistas, a coordenadora cabo-verdiana da ONU-Habitat, Janice da Silva, disse que os 40 embaixadores urbanos de boa vontade foram apresentados hoje para assinalar o dia mundial do Habitat, que é celebrado anualmente na primeira segunda-feira do mês de outubro.

Durante um ano, os ativistas, todos voluntários, vão levar mensagens às comunidades sobre a importância de ter uma urbanização sustentável, cidades mais resilientes, mais sustentáveis, mais inclusivas e mais seguras, num projeto orçado em 500 mil dólares .

Os embaixadores são personalidades que foram escolhidas em diferentes setores da sociedade cabo-verdiana, residentes e na diáspora, desde jornalistas, ativistas sociais, músicos, peixeiras, urbanistas, engenheiros, desportistas, que terão intervenção nacional.

Reconhecendo a responsabilidade de fazer parte do projeto, todos prometeram formar uma "equipa ganhadora" em prol de uma melhor habitação em Cabo Verde, país que cresceu muito nas últimas décadas e que acumulou muitos problemas com assentamentos informais.

Mas Janice da Silva acredita que, com vontade política, cooperação e recursos internos e internacionais, ainda é possível reverter a questão de urbanização rápida no arquipélago, um dos 20 países que aderiram ao programa global de melhoria dos assentamentos da ONU Habitat.

A coordenadora indicou que "em breve" o país vai beneficiar de "recursos consideráveis", os quais não enumerou, mas garantiu que haverá melhoria na urbanização e assentamentos humanos.

Janice da Silva disse que Cabo Verde colocou o habitar na agenda pública, mas que ainda enfrenta problemas de assentamentos informais, com destaque para a cidade da Praia e as ilhas do Sal, Boavista e São Vicente. Fonte: Lusa

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