OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Cabo Verde perante ameaça iminente de um mau ano agrícola 11 Outubro 2017

Estamos prestes a terminar a primeira quinzena do mês sem ver aquela famosa estrela vista pelo Dudu Araújo na sua canção com anúncio de que “ Kabu Verdi ta ben txobê”. Os “velhos homens do campo” já abatidos pela demora da “bendita-chuva” contristados batem no peito como sinal de resignação a velha frase: “e noz kulpa”. Mas, na verdade, se se existe alguma culpa é “magna culpa nostra”. Enfim, o cenário é preocupante e mesmo desolador em certas zonas do litoral de Santiago. Para os mais antigos trata-se de um dos piores anos de seca dos últimos anos. Que Deus nos proteja!

Por Nataniel Barbosa e Silva

Cabo Verde perante ameaça iminente de um mau ano agrícola

Cabo Verde perante ameaça iminente de um mau ano agrícola

Naturalmente não era esse o título que gostaria de ter neste artigo por essa altura do ano, mas, infelizmente, a mãe-natureza assim o traçou.

Contrariamente às previsões dos “expert” em matéria pluviométrica o ano agrícola de 2017 que se aguardava com uma certa expectativa como um ano de muita chuva veio se revelar já muito cedo ser um ano de estiagem deitando por terra o sonho dos nossos camponeses.

O jornal online “ASemana” de 05.10.17 destaca: “Governo vai implementar o plano de emergência de salvamento de gado e de mitigação da seca num montante de mais 700 mil contos. A informação foi avançada hoje durante uma visita do governante pelo interior da ilha de Santiago, para se inteirar dos problemas que os agricultores poderão enfrentar.”

O mês de Agosto que como dizem os entendidos é o início do período das “águas” terminou pois, com poucas precipitações e toda a esperança estava então depositada no mês de Setembro que nos tempos idos raramente se despedia sem entregar ao Outubro o “comando” de cabeça erguida. Contudo, o tão esperado Setembro entrou mudo e saiu praticamente calado. Sabe-se por experiência que o mês de Outubro não goza lá de muita fama em termos de precipitações.

Estamos prestes a terminar a primeira quinzena do mês sem ver aquela famosa estrela vista pelo Dudu Araújo na sua canção com anúncio de que “ Kabu Verdi ta ben txobê”. Os “velhos homens do campo” já abatidos pela demora da “bendita-chuva” contristados batem no peito como sinal de resignação a velha frase: “e noz kulpa”. Mas, na verdade, se se existe alguma culpa é “magna culpa nostra”. Enfim, o cenário é preocupante e mesmo desolador em certas zonas do litoral de Santiago. Para os mais antigos trata-se de um dos piores anos de seca dos últimos anos. Que Deus nos proteja!

Os pastos dos animais vão escasseando na medida em que o tempo vai passando. A pouca reserva de água que ainda se conserva em algumas barragens existentes no país não deixa de ser como é evidente motivo de muita inquietação para os agricultores e não só. Neste momento muitos criadores de gado já lamentam a falta de água para os seus animais.

Ora, se a situação neste momento é realmente complicada o futuro não se desenha ser de muito optimismo em vários aspectos da vida social. A maior riqueza na nossa terra não deixa de ser sem dúvida um ano de boa produção com chuvas abundantes, ou seja, na nossa linguagem terra-terra: “nos maior riqueza e txuba na nos tera”.

De todo o modo, ainda há alguma réstia de esperança. Aquela esperança que sempre alimenta o povo cabo-verdiano no seu dia-a-dia. A Natureza tem os seus segredos, oxalá que Outubro venha a “falar mantenha” aos cabo-verdianos que ansiosamente vem esperando.

Tarrafal, 10 de Outubro de 2017

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