POLÍTICA

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Cabo Verde recebe apoio de 33 mil contos da UE para combater abstenção 14 Novembro 2015

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) assinou esta sexta-feira, 13, na Praia, um contracto de financiamento avaliado em 300 mil euros (cerca de 33 mil contos) para combater a elevada abstenção que tende a ensombrar as eleições de 2016. Vários são as razões que justificam o desinteresse dos cabo-verdianos na política, entre eles o “baixo nível” de confiança nos políticos. Estudos recentes apontam que 66% do eleitorado interessa-se “pouco ou nada” pelas eleições . As mulheres e os jovens são os menos interessados. Na segunda volta das presidenciais de 2011, a abstenção atingiu níveis alarmantes. Boa Vista foi o extremo com 83% de abstenção. A presidente da CNE, Maria do Rosário Pereira, realçou que o projecto será importante para dar maior protagonismo aos cidadãos e principalmente aos jovens. Já o embaixador da União Europeia em Cabo Verde, José Pinto Teixeira, lamentou que as abstenções sejam um problema também europeu. Pelo que diz esperar que com o projecto, Cabo Verde venha a dar um “exemplo” à Europa.

Cabo Verde recebe apoio de 33 mil contos da UE para combater abstenção

O ano de 2016 será marcado por três eleições - legislativa, autárquicas e presidenciais. Algo que está a ser referenciado como um importante exame à nossa jovem democracia (25 anos). E que o PAICV que governa há 15 anos começa a cristalizar-se no poder, enquanto o MpD, maior partido da oposição, defende a alternância política e, por isso, pretende reverter este cenário.

Entretanto, as preocupações estão desde já a serem colocadas encima da mesa. A abstenção é uma delas. Para combater esta tendência, a Comissão Nacional de Eleições (CNE – órgão da administração eleitoral) assinou esta terça-feira um contracto de financiamento com a União Europeia para implementar o projecto “Participe – Cabo Verde”. Este tem por objectivo fomentar a cultura política e, com isso, combater a tendência de abstenção que paira sobre as eleições de 2016.

Cabo-verdianos estão desinteressados na política

O pedido de socorro da CNE à União Europeia está baseado nos dados alarmantes de um estudo recente e que dá conta que 66% dos inquiridos “pouco ou nada" interessam-se pelas eleições. As mulheres são as menos interessadas (70%). Os jovens (entre os 18 e 24 anos) e os idosos com mais de 65 anos fazem igualmente parte do grupo de eleitores com menos propensão a ir às urnas nas eleições de 2016. O estudo aponta ainda um “baixo nível de confiança em relação aos eleitos, traduzindo numa avaliação negativa dos políticos”.

Números alarmantes

A percentagem de abstenção verificada nas últimas eleições legislativas rondaram os 20% a nível nacional. A ilha do Sal foi onde votou-se menos (33% dos eleitores faltou às urnas); seguido da Boa Vista onde 28% não votou. Em São Vicente ficou-se nos 26%. Já em Santiago 20%. A ilha do Maio teve uma taxa de abstenção menor (16%).

Já nas eleições presidenciais as abstenções cresceram. Na segunda volta os números foram mais alarmantes. Com as ilha da Boa Vista e Sal mais uma vez em destaque: 83% dos eleitores não votaram na Boa Vista. No Sal o nível de abstenção foi de 66%. Em São Vicente foi de 52% e em Santiago atingiu os 40%. A ilha onde se registou menor abstenção foi a Brava com 26%. Quanto à diáspora, o nível de abstenção na segunda volta das presidenciais foi igualmente elevado: Na África foi de 41%; nos Estados Unidos 46% e na Europa e demais países 72%.

Tendência para aumentar

Estes números que já são elevados têm, segundo a CNE, tendência a aumentar, isto porque 78% da população com idade para votar nasceu após 1970, “portanto, não teve formação voltada para a participação política”, alerta a CNE. São por conseguinte mais 288 mil cidadãos (com idade entre os 18 e 46 anos de idade). Pelo que pediu apoio à União Europeia no sentido de inverter a situação.

A presidente da CNE, Maria do Rosário Pereira, destacou no seu discurso da assinatura do contracto de financiamento que o “Participe – Cabo Verde” vai ter um importante impacto na inversão do paradigma eleitoral , “onde o cidadão eleitor aparece no topo e na base os candidatos e os órgãos de administração eleitoral”. Para que segundo defendeu, o “jovens percebam que o processo é para eles e o desfecho depende deles”. Isto numa lógica que pretende colocar o foco nos cidadãos ao invés dos políticos.

Já o embaixador da União Europeia em Cabo Verde, José Pinto Teixeira, lembrou que a abstenção “é um fenómeno que infelizmente se verifica em muitos países da União Europeia”. Pelo que se diz esperançoso numa boa taxa de participação dos cabo-verdianos nas eleições de 2016 e nesse aspecto ser “um exemplo para Europa que também precisa enveredar para este caminho de maior participação dos cidadãos nos actos eleitorais”.

Sanny Fonseca

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