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Cardeal Dom Arlindo Furtado: Natal vai ser celebrado com misericórdia para mitigar grandes males 25 Dezembro 2015

A celebração do Natal em Cabo Verde vai respeitar, segundo o Cardeal Dom Arlindo Furtado, o apelo à misericórdia que o Papa Francisco lançou este ano à Igreja e a toda a humanidade. O Prelado, que vai presidir à Missa do Galo na Catedral da Nossa Senhora da Graça, acredita que este é o momento ideal para se praticar o perdão recíproco, como forma de se mitigar os males que ensombram a humanidade. Dom Arlindo cita como exemplo o recente atendado terrorista de Paris, que ceifou mais de uma centena de vidas humanas.

Por: Sanny Fonseca

Cardeal Dom Arlindo Furtado: Natal vai ser celebrado com misericórdia para mitigar grandes males

As festividades do Natal vão decorrer sob o signo da misericórdia, motivo que leva o Cardeal Arlindo Furtado a prever que este não será um ano igual aos outros. É que, para ele, a misericórdia é o apelo ao sentimento mais profundo, que permite aos humanos serem capazes de acolher o outro nas suas limitações e ajudá-lo a desenvolver-se. “Essa acção nos engrandece a nós também. Devemos estar cientes de que a paz é um bem essencial para todos e é na superação das dificuldades que poderemos fazer de Cabo Verde um paraíso, onde todos sentimos orgulho em viver e que os outros também possam vir conviver connosco neste ambiente de paz”, realça este líder da religião católica cabo-verdiana.

Segundo Dom Arlindo, o mundo passa neste momento por muitas conflitualidades que têm resultado em massacres e vários outros desrespeitos pelos direitos humanos. Daí a importância do apelo do Papa à misericórdia, que, na sua opinião, deve ser aplicada em todos os momentos, numa base de “compreensão mútua, bondade, reconciliação e perdão recíprocos”.

Mudança de atitude

Para Dom Arlindo, os cabo-verdianos deveriam aproveitar esta quadra festiva e encetar uma mudança de atitude radical. “É descabida a forma como as pessoas estão a viver, isto é, numa ruptura de relações. Porque não dialogamos mais e fazemos as pazes?”, questiona o Cardeal, que apela às pessoas para seguirem os ensinamentos de Jesus Cristo e viverem em paz e harmonia.

Um dos males sociais que está a afectar a sociedade cabo-verdiana, na perspectiva de Arlindo Furtado, é o consumo exagerado do álcool. Por isso, aproveitou este momento especial para apelar à sobriedade e uso racional dos várias bens de consumo.

A infidelidade conjugal é outra questão que preocupa Dom Arlindo, que lembra que esse comportamento não traz felicidade a ninguém, “muito pelo contrário, só causa amargura”. Para ele, as pessoas precisam ser responsáveis e consequentes e cuidar dos filhos que forem gerados – dentro e fora do matrimónio. “O amor se é sério exige compromissos e responsabilidades”, diz o primeiro Cardeal cabo-verdiano, realçando que, se esses dois conceitos forem levados à letra, podem melhorar a qualidade de vida das pessoas. No entanto, adverte que embora possam parecer simples, o compromisso e a responsabilidade exigem disciplina.

“Quando os valores humanos básicos da família não funcionam, não há nada mais que os possa substituir”, alerta Furtado, para quem as situações de conflito no seio familiar estão na origem do desequilíbrio de vários jovens.

Atentado de Paris é exemplo da necessidade de união

Os recentes atentados terroristas em Paris, na perspectiva de Arlindo Furtado, são provas da falta de união e tolerância entre os humanos. “Essa ocorrência fez com que todos os países do mundo tomassem a consciência de que, para se salvar o planeta, é preciso uma conjugação de esforços”. Por isso, na sua visão, cada um deve fazer a sua parte e complementar o esforço do outro. “Muitas vezes alimenta-se o ódio, o ressentimento e o espírito de vingança. Isto pode acontecer a qualquer um de nós, pelo que devemos estar vigilantes para que não cultivemos o veneno nos nossos corações. Outrossim, há formas próprias que nos ajudam a superar essas fases menos boas, repondo a justiça e recuperando as vias de um bom relacionamento”, relembra o Cardeal, para quem a “inteligência amorosa” é uma ponte que pode ajudar na construção das relações a todos os níveis.

Ninguém deve desperdiçar o perdão

“Vivemos numa época em que se insiste muito nos direitos humanos individuais. A questão é que os humanos são imperfeitos. Por mais inteligentes, educados e por mais boa vontade que tenhamos e por mais que nos esforcemos, há momentos de falha”, enfatiza Dom Arlindo. No seu entendimento, muitos incidentes acontecem “por ignorância, involuntariamente ou por outras fraquezas humanas”. Lembra, por outro lado, que todos devem ter a capacidade de reconhecer quando erra. E quem assim age, na sua opinião, deve merecer a compreensão e o perdão do outro.

E Mais: a consciência dos direitos individuais, segundo Arlindo Furtado, não deve ofuscar a consciência e a necessidade de se receber e pedir perdão aos outros. Essa atitude, diz, é que permite criar a harmonia no relacionamento entre as pessoas.

Na sua mensagem natalícia, o Cardeal Dom Arlindo não esqueceu as outras religiões. E pede aos outros crentes para lembrarem que Deus ama a todos e que a vinda de Jesus ao mundo é uma lição para todos. Refira-se que o Cardeal vai presidir à Missa do Galo na Catedral Nossa Senhora da Graça, uma celebração que será vivenciada em todas as igrejas matrizes na noite de 24 de Dezembro.

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