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Carta aberta à Presidência da República sobre a conferência Revolução Russa, 100 anos depois: Indignação: A Associação CAMI-CUBA solidária com a Embaixada de Cuba em Cabo Verde e exige que a Chefia do Estado peça desculpas públicas 13 Novembro 2017

Aquilo que deveria ser um ambiente de debate, de intercâmbio de conhecimento, que seria muito útil para mais de uma dezena de jovens que estava presente, passou a ser um ambiente de tortura, de insultos e de falta de consideração para com os países socialistas e comunistas, com enfâse para a República de Cuba. A Associação CamiCuba, indignada, condena veemente este tipo de atos, que não dignifica em nada a relação de cooperação com países que deram a mão a Cabo Verde desde antes da independência.

Por : Maria do Céu Santos *

Carta aberta à Presidência da República sobre a conferência Revolução Russa, 100 anos depois: Indignação: A Associação CAMI-CUBA solidária com a Embaixada de Cuba em Cabo Verde e exige que a Chefia do Estado peça desculpas públicas

A Associação CamiCuba tomou conhecimento do acontecimento do dia 08 de Novembro na Presidência da República. Esta, como é de conhecimento da sociedade Cabo-verdiana, realizou uma conferência intitulada “Revolução Russa, 100 anos depois: sonhos, utopias, que legado? Qual a influência nos movimentos de libertação e no pensamento político dos líderes africanos?”. Pretendia-se com a referida conferência comemorar o centenário da Revolução Russa.

Para esta conferência foram convidados individualidades nacionais e internacionais para debater, entre outros assuntos, a influência, o condicionamento e o impacto que a referida revolução teve no continente africano, nos processos de independência e consequentemente no processo da independência e do desenvolvimento de Cabo Verde. Entre as individualidades foi convidado Sua Excelência o Sr. Embaixador de Cuba Acreditado em Cabo Verde, Dr. Alejandro Diaz Palácios.

Aquilo que deveria ser um ambiente de debate, de intercâmbio de conhecimento, que seria muito útil para mais de uma dezena de jovens que estava presente, passou a ser um ambiente de tortura, de insultos e de falta de consideração para com os países socialistas e comunistas, com enfâse para a República de Cuba.

A Associação CamiCuba, indignada, condena veemente este tipo de atos, que não dignifica em nada a relação de cooperação com países que deram a mão a Cabo Verde desde antes da independência.

Convidar um conferencista, que, à partida, todos conhecem a opinião formada que tem sobre os países de ideologia socialista, indigna a todos os Cabo-verdianos de bom senso.

Perguntamos por que é que, com quantos analistas e historiadores de renome em Cabo Verde, que no dia-a-dia estudam estes temas, convidam alguém que não tem conhecimento profundo nem da história e nem da realidade dos países visados, particularmente de Cuba? Aquilo que aconteceu na Presidência da República é simplesmente vergonhoso, um ato de covardia e de irresponsabilidade.
Perguntamos, igualmente, qual foi a motivação que levou um determinado conferencista, no decorrer da sua intervenção, a vilipendiar a República de Cuba, se o objetivo era comemorar o centenário da Revolução Russa!?

Perguntamos ainda, por que atacar a Revolução Cubana, um sistema que só trouxe benefícios ao desenvolvimento de Cabo Verde, particularmente na formação do seu Capital Humano. Senão vejamos:

 No contexto da Guerra Fria, os combatentes do PAIGC receberam armamentos da União Soviética, de Cuba e da China. E foram também treinados nesses países. Muitos Combatentes de Liberdade da Pátria receberam formação política e treinamento em Cuba. O que demostra que a relação entre Cabo Verde e Cuba, começa antes de 5 Julho de 1975;

 Nos primórdios da independência, ou seja, em 1975 foi para Cuba o primeiro Grupo de estudantes para frequentar os estudos superiores. Estes regressaram ao país com formação superior em diferentes áreas e participaram de forma enérgica na construção desta nossa nação;

 Entre a década de oitenta e noventa, centenas de adolescentes e jovens, na maioria filhos de pessoas vulneráveis financeiramente e sem oportunidade de evolução académica em Cabo Verde, deslocaram-se a Cuba para estudar. Uns enveredaram pela via da formação profissional e outros fizeram até o mestrado. A maioria está em Cabo Verde a participar na consolidação do desenvolvimento desta pátria;

 Centenas de médicos (Clínicos e Especialistas) Cabo-verdianos, que hoje se encontram em todo o país a cuidar da saúde da população, formaram-se em Cuba.

 Há mais de uma centena de especialistas Cabo-Verdianos de outras áreas que prestam serviços nas diversas instituições públicas e privadas do país, que se formaram em Cuba;

 Desde 1975, precisamente, após a independência, faz hoje 42, que Cuba envia profissionais de diferentes áreas de formação, com enfâse para as da saúde para apoiar na redução dos índices de mortalidade materno-infantil e da população em geral. Outros profissionais também têm participado na construção deste país, estamos a falar, dos veterinários, agrónomos, professores universitários, especialistas desportivos, etc.

 É difícil ir a uma instituição pública em Cabo Verde e não encontrar um profissional que estudou em Cuba.

Perguntamos: Cuba merece ser insultado, maltratado, desconsiderado por algum Cabo- Veridiano? Será que em Cabo Verde devemos valorizar somente aqueles países que enviam recursos financeiros (por via do empréstimo ou da doação) para apoiar no desenvolvimento da nação e esquecer aqueles que, desde o primeiro momento da nossa independência, colocaram o seu recurso humano e o seu saber à nossa disposição para nos ajudar na reconstrução do nosso país, um país que muitos, incluindo, cabo-verdianos, consideravam inviável?

Temos orgulho de, dalguma forma, fazermos parte deste Estado Socialista que foi insultado durante a Conferência. Os valores adquiridos em Cuba permitem-nos, hoje, ter uma atitude diferente em todas as esferas onde laboramos:

 Atendemos sem diferenciação, ou seja, de forma igual, a todos aqueles que buscam serviços nas instituições públicas ou privadas em que somos colaboradores. A constatação e manifestação dos utentes são provas disso. A humildade para aprender com os outros e para transferir os nossos conhecimentos são pontos fortes da maioria dos quadros formados em de Cuba;

 A solidariedade para com os colegas e pessoas mais vulneráveis é um legado que o Comandante e Líder da Revolução Cubana nos deixaram.
Afina qualquer era o objectivo do encontro? Para finalizar, permitam-nos dizer que concordamos plenamente com quem escreveu que “o papel Cubano na África não tem precedente”.

No mínimo, a Associação espera que os organizadores enviem um pedido de desculpa ao Senhor Embaixador de Cuba em Cabo Verde. (Praia, 12 de Novembro de 2017)

— 
* Membro da Associação CamiCuba

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