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Caso terrenos do aeroporto da Boa Vista: Expropriados querem saber posição do novo Governo sobre indemnizações 19 Agosto 2016

Os ex-proprietários dos terrenos usados para a construção do aeroporto da Boa Vista estão ansiosos por saber qual é o tratamento que o novo Governo vai dar ao problema das indemnizações deixado a meio-percurso pelo Executivo do PAICV. Embora o MpD tenha evitado tocar no assunto durante a campanha eleitoral, nos contactos efectuados nos povoados de Chaves e Rabil, os expropriados que ainda não receberam o valor total da compensação financeira querem saber se o referido caso vai ser resolvido “sem djobi pa lado” e quando.

 Caso terrenos do aeroporto da Boa Vista: Expropriados querem saber posição do novo Governo sobre indemnizações

“Verdade seja dita, o MpD não prometeu nada porque sequer tocou no assunto connosco, o que é até estranho por se tratar de um tema polémico para o anterior poder. Mas, como o lema de Ulisses é proporcionar a felicidade dos cabo-verdianos ‘sem djobi pa lado’, gostaríamos de saber se o nosso caso faz parte do maço de dívidas deixadas por José Maria Neves que o actual Governo pretende honrar”, comenta uma comerciante, em nome dos ex-donos dos terrenos reavidos pelo Estado para a edificação da pista internacional “Aristides Pereira”.

Há nove anos, conforme a porta-voz do grupo, que os antigos proprietários das terras aguardam pela resolução do imbróglio. Parte do valor da indemnização foi disponibilizada em 2011, “nas vésperas das campanhas”, mas depois, conforme os interessados, o assunto voltou a cair no esquecimento. O tema voltou a ser aflorado pelos candidatos do PAICV nas últimas campanhas legislativas, mas, segundo a nossa fonte, recolheram-se de novo ao silêncio com a derrota do partido da estrela negra. “Levámos uma boa ‘pernada’ do Governo de José Maria Neves. Quando tomámos consciência disso, fizemos até uma manifestação em frente ao aeroporto durante o lançamento da primeira-pedra da extensão da pista. Mais tarde, tentámos falar com ele, mas ele escondeu-se. Tudo bem, agora queremos é ver como o Governo do MpD vai tratar este caso”, volta a realçar o marido da comerciante, a quem os pais deixaram duas parcelas de terreno na zona de Chaves. Sobre essas duas parcelas reavidas pelo Estado, já recebeu de indemnização seis mil contos em 2011 e ainda tem a receber mais três mil contos, pelas suas contas.

Segundo este antigo proprietário, o valor da indemnização poderia ser ainda maior. Como explica, por um lado foi-lhe impossível apresentar documentos comprovativos da compra dos terrenos, devido ao hábito das pessoas antigas de confiarem na palavra dada tanto nas suas relações sociais quanto nas comerciais. Por outro lado, salienta, o Estado atribuiu um valor de indemnização muito baixo por cada metro quadrado.

Os terrenos onde foi implantado o aeroporto, segundo o agricultor Pedro dos Santos, eram terras agrícolas muito férteis que possibilitavam o sustento das famílias da zona Norte. Com a expropriação, ficou debilitada a situação económica das pessoas que dependiam dos produtos colhidos da terra tanto para autoconsumo como para a comercialização. Com isso, o próprio abastecimento da ilha em verduras ficou afectado também.

“Acho que ninguém aqui é contra o turismo, agora queremos é ser respeitados porque estamos a ser sacrificados em nome do desenvolvimento do turismo, quando na verdade não beneficiamos directamente dessa actividade. Aqui só vemos os visitantes passando nas moto-4 e autocarros, subindo e descendo. São incapazes de parar para comprar uma simples garrafa de água porque têm tudo consigo”, frisa a citada comerciante. O certo é que a região Norte está sofrendo mudanças por causa do aeroporto e o incremento do turismo. O movimento rodoviário aumentou, a população também e vieram novos hábitos sociais. Hoje até o pacato povoado do Rabil já se queixa do problema da poluição sonora e do comportamento dos jovens quando saem das festas.

Kim-Zé Brito

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