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Cinema do Bairro atribuído à Diocese: Comunidade de “Craveiro Lopes” indignada com a CMP 04 Junho 2016

A Câmara Municipal da Praia (CMP) atribuiu à Diocese de Santiago a concessão, exploração e constituição de direito de superfície sobre o terreno onde está implantado o Cinema do Bairro. Entretanto, a decisão está a receber forte contestação da comunidade local, que ameaça recorrer à Justiça para impugnar a medida. José Lopes, um dos porta-vozes dos moradores, adiantou a este jornal que “O Bairro” vai mobilizar-se para uma grande manifestação contra a postura da edilidade, que consideram ser abusiva e autoritária.

Cinema do Bairro atribuído à Diocese: Comunidade de “Craveiro Lopes” indignada com a CMP

Continua o dissenso que envolve o edifício do Cinema do Bairro. De um lado está a “gente do bairro”, que quer ver o espaço como um centro multicultural e, do outro, a CMP, que já atribuiu o imóvel à Diocese de Santiago. Esta novela parece estar longe de terminar, isso porque, de acordo com o porta-voz da comunidade do Bairro Craveiro, José Lopes, os moradores vão recorrer ao tribunal e impugnar a decisão da edilidade.

“É inaceitável que a edilidade tenha tomado tamanha decisão. Há muito que vínhamos lutando para que o espaço sirva à comunidade e vem agora a Câmara atribuir o local à Diocese. Estamos indignados e não aceitamos os motivos apresentados. Desta forma vamos recorrer aos tribunais para impugnar a medida” disse José Lopes, adiantando ainda que estão a preparar uma grande manifestação pública.

Segundo Lopes, o edifício em causa pertencia à firma Calú e Angela, fruto de um contrato de constituição de direito de superfície para a construção de um centro comercial. No entanto, a empresa desistiu do projecto e comunicou esse facto à CMP. Assim, a sociedade Calú e Angela, segundo Lopes, resolveu oferecer o edifício por escrito à comunidade, para uso e promoção de actividades culturais.

“O Cinema do Bairro esteve alugado a um empresário português, só que depois veio a ser abandonado. Posteriormente, a Câmara negociou a sua propriedade com a firma Calú e Angela. A própria empresa decidiu oferecer o local à comunidade para que fosse utilizada como um centro cultural. Vem agora a edilidade retirar-nos o espaço para o atribuir à Diocese, de forma arbitrária. Isso deixa-nos ainda mais estupefactos, uma vez que era suposto a CMP defender os nossos interesses”, critica o nosso interlocutor.

Lopes vai mais longe e afirma que esta decisão não surge por acaso, uma vez que se avizinham as eleições autárquicas.” Com as eleições à porta, a única conclusão que podemos tirar é que esta medida foi claramente tomada para fins políticos. É uma pena que na nossa democracia tenhamos ainda um comportamento ditatorial como este”, lamenta.

O mais grave, considera José Lopes, é que a edilidade exigiu, por carta assinada pelo departamento dos Assuntos Jurídicos da CMP, que deixem o espaço no prazo máximo de sete dias, sob pena de proceder à sua desocupação coerciva. “Estamos no local há quase sete anos e nunca houve uma preocupação em se requalificar o espaço. O cinema funciona como uma casa onde grupos carnavalescos e teatrais fazem os seus ensaios. Isso significa tirar o lazer a muitos jovens da comunidade e dos bairros vizinhos que estão inseridos neste projecto”.

Até ao fecho desta edição, tentámos ouvir o departamento dos Assuntos Jurídicos da Câmara Municipal, mas sem sucesso.

Hélio Robalo

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