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Emergências e Desastres - Que Actuação para os Psicólogos 27 Julho 2017

Concluiria dizendo que é imprescindível a integração do psicólogo no sistema de emergência de qualquer país, uma vez que ele gerencia a crise desde a fase de pré-emergência, emergência, à fase de pós-emergência.

Por: Anilton «Mentor» Andrade

(Bombeiro Municipal e Aeronáutico)

Emergências e Desastres - Que Actuação para os Psicólogos

O foco deste artigo, que reflete uma opinião pessoal, está na atuação do Psicólogo, nas diversas áreas que compõem as situações de risco, mormente na prevenção, na preparação, na resposta e na reconstrução face a situações de emergência e desastre.

Perante situações críticas que carecem de atendimento célere, exigindo providências imediatas e inadiáveis, acabam atingindo a todos, em maior ou menor grau, variando pois, na reação das pessoas e nos efeitos perante esses eventos.

Actualmente, as novas tipologias de risco, emergências, incidentes e acidentes, leva-nos a repensar a multidisciplinaridade operacional nos teatros de operações aqui em Cabo Verde; nos locais onde se deflagraram incêndios florestais, naufrágios, incêndios estruturais, desabamentos, acidentes de trânsitos, inundações, isolamentos entre outros. E, se focalizarmos nas perdas humanas – os afetados direta e/ou indiretamente – bem como nas perdas materiais, conseguiremos ver a grande relevância do tema, não somente para os profissionais, mas também para a sociedade civil, para os municípios e para o próprio Sistema Nacional de Proteção Civil e Bombeiros.

Infelizmente, na maior parte das vezes, estes episódios dolorosos têm sido relembrados simplesmente no aspeto cronológico, sendo relegado para o segundo plano, sobretudo quando se trata de aspetos de foro psicológico e social.

Cabo Verde, até então, não possui estudos específicos nesta área, mas, de acordo com estudos feitos na Europa e principalmente Brazil, “calcula-se que, para cada afetado por um desastre, há, no mínimo, quatro traumatizados psicologicamente” o que nos leva a concluir que essas pessoas vão necessitar de assistência psicológica.
Faz-se necessário priorizar as questões de natureza psicológica, mais concretamente, na vertente da Psicologia de Gestão de Riscos e Desastres. Esta nova denominação, favorece não apenas os aspetos holísticos relativos aos desastres, mas também abre espaço para um reposicionamento efetivo na “construção de políticas públicas de proteção e nas práticas de prevenção” que possibilitem e favoreçam os sujeitos que sofrem com algum tipo de catástrofe.

Emergências e prioridades

A Psicologia das Emergências postula, em primeiro lugar, o ser humano, ou seja, as prioridades que devem ser sanadas dizem respeito, primeiramente, às manifestações dos indivíduos e suas neuroses para que, neste primeiro auxílio, estes consigam enfrentar o evento e as conseqüências decorrentes, evitando assim comorbidades.
Em virtude disto, torna-se salutar analisar a actuação do psicólogo em situações de desastres e emergências, com efeito, envolvendo a questão dos primeiros auxílios psicológicos, avaliando e intervindo tanto em situações de crise como em processos terapêuticos. Entretanto, ao debruçar sobre aquilo que deve constituir a prevenção - sensibilizando, informando e formando as pessoas face à eventuais casos de sinistralidade - o psicólogo, enquanto agente capacitado, terá um papel fundamental na sensibilização para estas questões. Ainda que esta sensibilização deva ser feito de forma científica, evidentemente, não esgotará o enorme campo de atuação do psicólogo nas emergências.

Neste sentido, o enquadramento do psicólogo enquanto agente da Proteção Civil que melhor se encontra preparado para lidar com as emoções e reações psicológicas em situações de desastres e pós-desastres, nas intervenções e psicoterapias breves, faz todo o sentido. Reforça este postulado, estudos de Breslou et al 1998 que estimam que “…na população, 60 a 90% dos indivíduos serão expostos a, pelo menos, um evento estressor potencialmente traumático ao longo da vida.

Concluiria dizendo que é imprescindível a integração do psicólogo no sistema de emergência de qualquer país, uma vez que ele gerencia a crise desde a fase de pré-emergência, emergência, à fase de pós-emergência.

Das inúmeras atribuições destes profissionais, destaca-se a capacitação e treinamento à população em geral em habilidades de resposta face a emergências: capacitação das comunidades para enfrentar situações de desastre; assessoria na definição de planos de emergência; seleção e acompanhamento do pessoal que integra as equipas de primeiras respostas; planos de monitoramento do estado de saúde mental; intervenções em crise; aplicação de planos de manejo hospitalar em crises; acompanhamento de pacientes e de seus respetivos familiares decorrentes de emergência ou desastres; primeiros socorros psicológicos; avaliação do impacto psicológico e possíveis estratégias de enfrentamento e investigação psicológica dos efeitos produzidos pela emergência. Para além desses casos, sublinho a importância do acompanhamento aos próprios agentes de proteção civil e dos bombeiros no que tange à sua integridade psicológica e física.

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