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Contentores com donativos “barrados” no Mindelo já estão a caminho do Fogo 05 Setembro 2015

Um dos dois contentores com donativos de emigrantes cabo-verdianos no Luxemburgo destinados às vítimas de Chã das Caldeiras, que estavam “barrados” na Alfândega do Mindelo desde o passado mês de Abril, já está a caminho da ilha do Fogo.

Contentores com donativos “barrados” no Mindelo já estão a caminho do Fogo

Depois de um longo processo burocrático, que originou a troca de acusações entre a associação SOS Solidário em São Vicente e a associação Veteranos do Norte, com sede no Luxemburgo e responsável pela remessa de donativos, o impasse foi ultrapassado e o contentor já está com viagem confirmada para a ilha do Fogo na próxima quinta-feira, 10.

Sarita Santos, membro da direcção dos Veteranos do Norte, explica que o processo para libertar o contentor não foi fácil. É que, diz, ao contrário das informações que a sua associação recebeu da representante em Cabo Verde, SOS Solidário, dando conta que “as coisas estavam bem encaminhadas”, deparou-se novamente com várias dificuldades. Além do facto de que a retenção implicou mais despesas com o contentor que veio alugado, a alfândega exigia o pagamento de um valor elevado pela carga até se provar que eram donativos.

Sarita Santos reafirma que houve desleixo da parte da associação SOS Solidário, em São Vicente. "É a única responsável pelo atraso, que fez com que vários produtos alimentícios ultrapassassem o prazo de validade sem chegar aos seus destinatários".

Diz que bastou a sua deslocação de Luxemburgo até Cabo Verde, e passar essa responsabilidade à Cruz Vermelha na ilha, para que tudo ficasse resolvido em tempo "recorde".

Por essa razão, apela aos conterrâneos para terem muito cuidado na escolha de representantes para tratar de assuntos dessa natureza no nosso país, pois “quem fica mal na fotografia é quem não consegue provar junto dos doadores o destino dado aos donativos ”.

Recorde-se que, no mês de Junho, Deluca Leite, responsável da SOS Solidário, avançou que o problema ficaria resolvido se a Alfândega do Mindelo fosse menos burocrática e cumprisse a sua parte, porque, de acordo com a lei, qualquer ajuda humanitária beneficia de isenção de taxas.

Nessa ocasião, o director das Alfândegas, Octávio Alves, esclareceu que o desalfandegamento estava a depender tão-só da associação, que tinha de apresentar toda a documentação necessária. Acrescentava ainda que a Alfândega não tinha interesse em criar obstáculo, "principalmente em caso de uma ajuda humanitária”.

O donativo composto por géneros alimentícios, brinquedos, mobiliários, roupas, entre outros, chegou a Cabo Verde com o apoio de Veteranos do Norte, Etoile du Cap Vert e Estrelas do Norte, associações sediadas no Luxemburgo.

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