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Crise com a desprofissionizaçao de vereador na Ribeira Grande de Santiago: Apolinário das Neves acusa tratar-se de um acto de totalitarismo grave por parte do presidente Manuel de Pina 15 Agosto 2017

A Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago dirigida pelo edil Manuel de Pina acaba de mergulhar numa crise política de consequências imprevisíveis. Em causa está a deliberação da Assembleia Municipal de hoje (14), que ordenou desprofissionalizar o vereador Apolinário das Neves. A proposta partiu da bancada municipal ventoinha, que acusou Neves de falta de confiança política por «beneficiar munícipes afectos ao PAICV». O vereador despromovido denuncia que sequer foi dado palavra para exercer o direito do contraditório e considerou tratar-se de « um acto vergonhoso, truculento, de pura vingança e de grave totalitarismo por parte de um presidente de Câmara – Manuel de Pina».

Crise com a desprofissionizaçao de vereador na Ribeira Grande de Santiago: Apolinário das Neves acusa tratar-se de um acto de totalitarismo grave por parte do presidente Manuel de Pina

O clima politico no Município da Cidade Velha está «a ferro e fogo» com o conflito entre os eleitos locais do MpD, que culminou, nesta segunda-feira, com a desprofissionalização, a meio tempo, do vereador Apolinário das Neves – este respondia pelas áreas do Urbanismo, Ambiente e Cooperação.

A fazer fé nas trocas com acusações mútuas entre as partes desavindas, a novela é para prosseguir. Em tom desafiador, o Edil Manuel de Pina justificou ter dado o seu apoio à proposta dos deputados, constante de uma carta de 12 de Julho, a que este jornal teve acesso, «por perda de confiança política no vereador». Já o Apolinário das Neves, tido com uma das cabeças mais esclarecidas do actual elenco camarário, desafiou cumprir o seu mandato como eleito camarário até ao fim. Ademais, prometeu intentar uma acção judicial para esclarecer as acusações feitas à sua pessoa enquanto vereador.

Com isso, significa que, mesmo não estando profissionalizado, Neves vai permanecer provavelmente muito mais crítico e atento à fiscalização da gestão da equipa executiva de Manuel de Pina no Concelho da Ribeira Grande de Santiago.

Para observadores locais, a desprofissionalizçao de Apolinário das Neves constitui uma baixa no executivo de Manuel de Pina. Dizem que, além de repercutir negativamente no desempenho futuro da edilidade, poderá ter consequências políticas agora e nas próximas eleições autárquicas.

Carta e Assembleia Municipal

Conforme referido, a Assembleia Municipal da Ribeira Grande de Santiago aprovou, na sessai de hoje (14), sob proposta do edil Manuel de Pina, a deliberação que altera o número de vereadores profissionalizados de quatro para três, deixando de fora o vereador Apolinário das Neves –este ocupava dos pelouros do Urbanismo, Ambiente e Cooperação.

Reagindo a decisão da AM, Neves diz trata-se de uma vingança contra a sua pessoa, pelo facto de não ter discriminado munícipes afectos ao PAICV. Adianta que na base dessa proposta está uma carta da bancada do Movimento para a Democracia (MpD) endereçada ao presidente, onde o grupo adianta que o vereador tem tomado decisões que favoreçam munícipes afectos ao PAICV.

“O vereador tem sobre si as mais variadas acusações sendo uma das quais o benefício de terceiros em detrimento dos interesses da câmara, chegando a favorecer munícipes afectos ao PAICV como o caso da atribuição de uma obra a um deputado municipal do PAICV”, refere a carta que deu entrada a 19 de Julho na Câmara.

No documento, a que este jornal teve acesso, a bancada que sustenta a Câmara de Manuel de Pina, considera o vereador Apolinário da Neves como uma pessoa “non grata” em termos políticos e sem a confiança política. Por isso, recomendou ao Edil Manuel de Pina que escolhesse entre manter o vereador ou manter a bancada do seu lado.

O presidente preferiu esta última possibilidade, já que os eleitos deliberaram chumbar os principais instrumentos de gestão da Câmara. “A bancada deliberou na sua reunião o seguinte: não aprovar qualquer instrumento de gestão da Câmara enquanto o vereador Apolinário das Neves se mantiver como vereador”, acrescenta o documento que vimos citando.

Trocas entre Presidente e Vereador

Segundo a Inforpress, Apolinário das Neves considera que a aprovação dessa deliberação na sessão extraordinária da Assembleia Municipal «foi um acto vergonhoso, truculento, de pura vingança e de grave totalitarismo por parte de um presidente de Câmara».

O destituído do caro foi mais longe, ao acusar a interferência do Presidente nos trabalhos da AM.“O presidente da Câmara quis conduzir até a Assembleia Municipal e o vereador que é acusado nem sequer teve a palavra à defesa e ao esclarecimento”, disse o eleito citado pela Inforpress, frisando que esta foi uma forma encontrada pelo presidente da CMRGS e os eleitos do MpD de fazer cassar o seu mandato.

Em reacção a esses factos, o edil Manuel de Pina negou que tenha cedido às pressões da bancada municipal do MpD e justificou a desprofissionalização de Apolinário das Neves com a perda de confiança no vereador.

“Eu não me revia em carta alguma se mantivesse a confiança nos meus vereadores. Mas eu neste momento não tenho confiança no vereador apolinário”, disse sem avançar “os vários motivos” para a perda dessa confiança.

Antes de ser vereador, Apolinário das Neves foi director de gabinete de Manuel de Pina no anterior mandato. Questionado porque é que só agora perdeu a confiança nele, o edil adianta que “só agora passou a conhecer o perfil do vereador”.

“Esta pessoa não tem nada a ver como o meu director de gabinete há quatro anos”, disse, segunda a agência cabo-verdiana de notícias, sublinhando que o presidente da Câmara tem por direito gerir como entende para atingir os seus objectivos programáticos.

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