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Crise de refugiados: Macron, sem EU, concerta com poderes na Líbia centros de triagem de candidatos 28 Julho 2017

A presidência francesa anunciou, esta quinta-feira 27, que vão ser criados, já em agosto, centros na Líbia para fazer a triagem dos candidatos a asilo. O acordo foi, esta quinta-feira, celebrado entre o presidente Emmanuel Macron, o primeiro-ministro Faiez Sarraz (na foto, apertam as mãos) e o marechal Khalifa Haftar (que observa).

Crise de refugiados: Macron, sem EU, concerta com poderes na Líbia centros de triagem de candidatos

O acordo tripartido vai, segundo os seus proponentes, permitir controlar a atual imigração ilegal que aborda a Europa. A Líbia está dividida entre o Oeste, onde governa o primeiro-ministro Faiez Sarraz, reconhecido pela ONU, e o Leste, o marechal Khalifa Haftar, apoiado pelo arsenal militar. Contudo, há vastas zonas dispersas que estão dominadas por vários grupos armados.

Para a Líbia, a vantagem é que vai obter apoio da potência francesa, logístico e financeiro, para controlar os imigrantes que entram pelas suas fronteiras com a Tunísia, o Sahel e Egipto. O afluxo incontrolável de candidatos a asilo tem, nos últimos seis anos, gerado mais instabilidade na Líbia pós-Kadhafi.

Boa ideia, mas comunicação deficiente

Os críticos, entre os quais a oposição socialista e LR, mas também especialistas em diplomacia, estão a apontar o que consideram fragilidades do acordo obtido.

Um, o facto de que o presidente não envolveu a chefe da diplomacia europeia, a italiana Federica Mogherini. Segundo argumentam, ela deveria estar envolvida por duas ordens de razões. Uma, enquanto diplomata na União Europeia. Ainda, pelas relações privilegiadas que a Itália mantém com a sua ex-colónia.

Contudo, é bom lembrar que a Itália em fevereiro tinha também assinado um acordo com a Líbia no sentido de instalar centros com o mesmo objetivo dos apresentados esta quinta-feira em Paris. Seis meses, depois, tudo parece ter caído no esquecimento.

Acordo terá esquecido de equacionar os grupos armados dispersos?

Como previsto, o acordo versou sobre a imigração ilegal, mas não sobre a difícil situação política no país onde ainda não conseguiram consensualizar o formato do Conselho Presidencial. Nove membros? Três membros, com os dois referidos e Aguilah Saleh, o presidente do parlamento?

Como lembra o académico da Universidade de Paris VIII, Jalel Harchaoui, “todos sabem que as eleições (previstas para daqui a nove meses) não vão resolver a situação. Os Ocidentais pelo contrário acham que sim. Mesmo se no passado, vimos que as eleições só contribuíram para criar mais confusão. A Líbia está dividida pela força das armas. Enquanto se ignorar os grupos armados, não se vai a lado nenhum”.

Fontes: Le Monde, Libération, Figaro.

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