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Desmaios “misteriosos” na escola secundária de Santa Cruz: Alunos recebem tratamento psicológico na Delegacia de Saúde 27 Mar�o 2016

Vinte e dois alunos do 7º ao 10º ano da Escola Secundária Alfredo da Cruz Silva, Santa Cruz (Santiago), que sofreram desmaios colectivos quando assistiam às aulas, estão a receber tratamento psicológico na Delegacia de Saúde do concelho. A delegada Ângela Gomes diz que, embora tudo esteja a indicar que se trata de um caso de reacção emocional exagerada, comummente designada histeria colectiva e associada com frequência aos adolescentes – quando sentem que não conseguem resolver os seus problemas –, está a ser cautelosa a resposta sobre um diagnóstico pela equipa de psicólogos que os acompanha. Quanto ao fenómeno “sobrenatural” – como algumas alunas alegaram –, a médica prefere não entrar nesse campo por não estar suportada em explicações científicas.

Desmaios “misteriosos” na escola secundária de Santa Cruz: Alunos recebem tratamento psicológico na Delegacia de Saúde

Os alunos – 20 meninas e dois rapazes com idades compreendidas entre os 12 e 15 anos – deram entrada na Delegacia de Saúde de Santa Cruz em três semanas seguidas de Fevereiro, apresentando um quadro comum: agitação e revolta. A delegada desse estabelecimento hospitalar, Ângela Gomes, informa que os alunos foram dispensados das aulas, uma medida que visou ajudar no funcionamento da escola e também permitir o acompanhamento por uma equipa formada por três psicólogos.

Conforme a delegada, a equipa técnica constatou que os desmaios não acontecem fora do recinto escolar e que todos os outros diagnósticos a que os alunos foram submetidos indicavam um quadro “normal”. “Isto é, não apresentavam qualquer sinal próprio de desmaio ou de epilepsia”, reforça a médica. Os psicólogos estão ainda a seguir esses estudantes, porquanto, segundo Gomes, não têm ainda um resultado definitivo sobre a ocorrência.

Ângela Gomes é de opinião que esse fenómeno, que tem acontecido em vários liceus do país (embora por mais tempo no liceu de Santa Cruz) deve ser alvo de estudo para que se possa dar à comunidade educativa e médica orientações de como lidar com a situação. Enquanto isso não acontece, a delegada baseia-se em avaliações da psicanálise apontadas noutras partes do mundo, que explicam os “desmaios em série” como sendo resultados de uma espécie de confusão mental.

“Os psiquiatras explicam que esse fenómeno acontece em várias ocasiões e em várias partes do mundo, principalmente em grupos de adolescentes. Os desmaios não acontecem apenas no ambiente escolar”, diz Gomes, adiantando que as comunidades educativa e de Saúde do concelho já se reuniram com os pais e encarregados de educação dos alunos para abordar o sucedido.

Por seu turno, o director da Escola Secundária Alfredo da Cruz Silva, Eusébio Varela, assevera que o fenómeno preocupou a comunidade educativa. Como explica, assim que acontecia um desmaio, outros sucediam em cadeia o que, a seu ver, pode ser explicado pelo facto de as pessoas estarem constantemente a relacionar o fenómeno com intervenções “sobrenaturais”.

Segundo o professor, o grupo dos 22 alunos voltou desde segunda-feira passada, a frequentar as aulas. “Há uma semana que esse quadro de ‘delírio colectivo’ não se repete”, finaliza Varela.

Vários foram já os casos de desmaios nos liceus. Até agora ninguém soube explicar o que leva os alunos a sentir mal-estar no decorrer das aulas ou nas imediações dos estabelecimentos de ensino. O fenómeno já aconteceu em algumas escolas de Santiago, S. Vicente e Sal e em todos os liceus da ilha de Santo Antão.

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