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A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Directora do HAN anuncia: Cabo Verde pretende colher órgãos humanos para transplante 04 Janeiro 2016

A colheita de órgãos humanos para transplante poderá ser uma realidade em Cabo Verde. Depois da instalação do centro de hemodiálise no Hospital Agostinho Neto, extrair órgãos como o rim para efeitos medicinais promete ser o passo seguinte. A ideia, segundo Ricardina Andrade, directora do HAN, começa a ser germinada, mas até à sua concretização algumas medidas precisam ser tomadas, uma delas a aprovação de um quadro legal para regulamentar todo o processo.

Directora do HAN anuncia: Cabo Verde pretende colher órgãos humanos para transplante

“A diálise não é a solução definitiva para um jovem com insuficiência renal crónica. Estamos a pensar, a planificar a colheita de órgãos em Cabo Verde para transplante em Portugal, porque há muitas pessoas naquele país à espera de um rim. O primeiro passo é colhermos rim, ou, numa segunda etapa, deveremos criar as condições, nos hospitais centrais do país, para a realização do próprio transplante”, revela a directora do HAN, na cidade da Praia. Segundo Ricardina Andrade, todos esses procedimentos terão que contar com suporte legal, se Cabo Verde quer realmente dar esse salto a médio prazo. “Teremos que planificar como será feita essa colheita e criar as condições de segurança para o transporte dos órgãos”, elucida Andrade, para quem o tempo de voo entre Cabo Verde e Portugal, estimado em quatro horas, é uma das condições favoráveis ao investimento.

Uma aposta primária será a formação de cirurgiões cabo-verdianos que, além da colheita, ficarão aptos para procederem ao implante dos órgãos em Cabo Verde, quando chegar o momento. Todo esse processo, segundo Andrade, contará com o apoio dos hospitais portugueses de Coimbra e Santa Maria.

Instalado no hospital da Praia, o centro de hemodiálise foi certificado com o selo de qualidade ISSO 9001 pela mesma entidade que supervisiona os centros portugueses. Esse carimbo garante que os procedimentos de gestão e clínicos serão aplicados respeitando as boas práticas internacionais. A unidade funciona neste momento com quinze técnicos na categoria de monitores e outros tantos serão recrutados até o primeiro trimestre do próximo ano.

Cabo Verde poupará cerca de dois mil contos com cada doente evacuado

Com o funcionamento do Centro de Hemodiálise, o Estado cabo-verdiano passou a poupar cerca de dois mil contos por ano só em logística, previdência social e estadia dos evacuados em Portugal. Esse é o valor médio que, segundo Andrade, cada doente representava para o sistema. Para a Directora do HAN, trata-se de uma “poupança extraordinária” tanto para o país como para o Estado português, que tem custeado o tratamento dos pacientes cabo-verdianos com problemas renais.

“Neste momento há sessenta doentes em tratamento. Imagina quanto Cabo Verde e Portugal poupam com o cuidado desses pacientes aqui na cidade da Praia, se levarmos em conta que cada doente faz três sessões de hemodiálise por semana e cada sessão custa à volta de 110 euros”, elucida Ricardina Andrade. Aliás realça, o custo do tratamento é de longe superior ao da logística e estadia dos evacuados na cidade de Lisboa.

Segundo Andrade, já existe um estudo de viabilidade do centro de diálise do HAN. O mesmo determina que cada sessão para um doente nacional custa oito mil e 500 escudos, enquanto o valor para um cidadão estrangeiro, como por exemplo um turista, será o mesmo praticado na Europa, isto é, cerca de cento e dez euros. Andrade sublinha entretanto que, por enquanto, nenhum paciente está a pagar os referidos valores, mas urge começar a implementar o plano de viabilidade económica, de forma a garantir a sustentabilidade do centro. Este é um assunto a ser discutido com os parceiros. “Devemos garantir a sua sustentabilidade” para respectiva “continuidade e podermos servir os demais doentes”, diz aquela responsável. Segundo Andrade, “ninguém ficará sem fazer a diálise por não ter dinheiro”, até porque “o sistema de saúde de Cabo Verde é solidário”.

Evacuação inexistente

Facto é que Cabo Verde já está a sentir os impactos positivos da instalação do Centro de Hemodiálise, em particular ao nível das evacuações. A directora do HAN elucida que o custo das deslocações para Lisboa foi eliminado. “Já não estamos a evacuar doentes para tratamento de diálise. Neste momento há 60 doentes a realizarem diálise aqui no hospital”. Entre ele, estão os quatros que este ano regressaram, sendo três de Portugal e um dos Estados Unidos”, informa a directora do maior estabelecimento hospitalar do país.

Ricardina Andrade revela que Cabo Verde está a preparar-se para receber os restantes doentes que estão ainda em Portugal. Além disso, dezoito doentes de outros países solicitaram o regresso a Cabo Verde para continuarem o seu tratamento. Esses pedidos estão pendentes, aguardando o funcionamento em pleno do centro, ou seja, com cem por cento da capacidade instalada.

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