OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Em memória de Danny ou Outra forma de ser solidário 09 Junho 2007

Após a morte do Danny, em 2004, senti a necessidade de escrever e publicar um livro sobre a vida, o sofrimento e a morte de um jovem a quem a pobreza não conseguiu tirar o sonho de ser economista, mas, uma doença grave, num país com poucos recursos médicos, negou impiedosamente o direito de lutar pela concretização dos seus sonhos. Lamentar e compartilhar a minha tristeza com outras pessoas reduz, certamente, a minha frustração, mas, não diminui a obrigação e o dever cívico de, como cabo-verdiana, lutar e contribuir para que o sofrimento dos nossos doentes evacuados para o exterior seja minimizado. Por: GRACE BEATRIZ

Em memória de Danny ou Outra forma de ser solidário

“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar, mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota. (Madre Teresa de Calcutá)

Do convívio com o Danny nasceu um desejo que, irremediavelmente, se transformou num compromisso: Criar uma FUNDAÇÃO que apoie os doentes cabo-verdianos, evacuados para Portugal.

Durante o ano em que acompanhei o Danny no Instituto de Oncologia de Lisboa, vi muita solidão, sofrimento e angústia dos doentes, muitos dos quais, crianças com Leucemia. Fiquei a saber, no ano passado, que estão cerca de 300 doentes cabo-verdianos em Portugal. A grande maioria são doentes Oncológicos (Doentes com Cancro) e Insuficientes Renais Crónicos Terminais (doentes em Hemodiálise), que vivem em situações precárias e pouco dignas, em Pensões e Hospitais Portugueses.

Em Outubro do ano passado, tive a oportunidade de conhecer “Pensão 25 de Abril”, onde vivem mais de 40 doentes cabo-verdianos. Infelizmente, só consegui falar com alguns e fiquei com os seus contactos. Soube que a Embaixada de Cabo Verde paga-lhes o quarto (com 2/3 camas) e 60 Euros mensais para o alimento, vestuário, transporte e produtos de higiene. Não é difícil imaginar a insignificância da quantia em causa. Mas, o cabo-verdiano, talvez por ser o produto do próprio sacrifício e resignação, quase nunca se queixa da falta do dinheiro, da dor física provocada pela doença e da fome que, inegavelmente, passa. Queixa-se da SOLIDÂO, das SAUDADES da família em cabo verde e, quiçá, alguns pressentindo o fim, do DESESPERO de morrer longe de quem mais ama.

Maria do Nascimento, mãe de 6 filhos, todos em cabo Verde, recorda com nostalgia a sua vida de vendedora de cuscuz. Sozinha sustentava os filhos que ainda estudam no Liceu. Há um ano em Lisboa, Maria do Nascimento tem o cancro espalhado pela coluna (disseminação óssea) e, embora disfarçadamente, deixa transparecer uma certa incerteza em relação à cura. O que será dos meus meninos, pergunta, permitindo que duas grossas lágrimas deslizem pela cara abaixo.

Algumas crianças com cancro são acompanhadas pela mãe ou pelo pai que, assim, são obrigados a abandonar o resto do agregado familiar em cabo Verde. Portanto, pensar nos nossos doentes é também pensar nos seus familiares. Fechar os olhos, viver a própria vida e não nos preocuparmos com os outros é uma forma egoísta e, no meu entender, bastante superficial de valorizar a nossa passagem por esta vida sempre efémera e frágil.

Podemos contribuir com o pouco que temos para que os nossos conterrâneos, vítimas de doenças graves, tenham melhores instalações, melhor alimentação e melhor conforto, condições indispensáveis para que possam sonhar com uma possível recuperação.

A Fundação “ Danny” tem como principal objectivo a melhoria das condições de vida dos doentes evacuados e, se possível, o financiamento de um Lar onde possam beneficiar do conforto e de um mínimo de dignidade.

Tenho o apoio do Dr. Frederico Sanches, Internista do Serviço de Oncologia de um Hospital Português e da Andredina, uma cabo-verdiana que vive em Portugal, co-fundadora da FASCP (fundo de apoio a cabo-verdianos em Portugal).

A nossa FUNDAÇÃO precisa de DONATIVOS. Qualquer ajuda será bem vinda, pois é nossa intenção aumentar os dois Euros/dia oferecidos pela Embaixada e proporcionar aos doentes alguns momentos de lazer e de convívio.

Número do banco: 5 1 8 5 6 9 5. (Postbank)
Nome: Stichting Dany Foundation (Haarlem, Holanda)
IBAN: NL 19 PSTB 0005 1856 95
BIC: PSTBNL21
www.danyfoundation.com

Um abraço a todos,
Grace Beatriz

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