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Emigrantes em férias: Maior fluxo chega dos EUA e Europa 23 Agosto 2015

A maioria dos emigrantes que voltam à terra-natal nesta época do ano vem dos países onde a comunidade cabo-verdiana é mais expressiva e bem-sucedida em termos económicos. A afirmação é do director-geral das Comunidades, Francisco Carvalho, para quem os países com maior número de proveniências de emigrantes são EUA, Portugal, Holanda, Itália, Luxemburgo e França.

Emigrantes em férias: Maior fluxo chega dos EUA e Europa

Carvalho avança que os emigrantes regressam à pátria sobretudo para visitar familiares, participar em festas das suas localidades, iniciar ou continuar obras das suas moradias e realizar investimentos económicos.

O director-geral das Comunidades mostra-se no entanto preocupado com o facto de Cabo Verde, que tem na emigração uma característica importante, não possuir estatísticas que apontem o número exacto de emigrantes que entra no território nacional a cada ano, principalmente neste período de verão.

“Simplesmente não há dados e isto é uma situação extremamente preocupante. É que ninguém quer disponibilizar dinheiro para fazer estudos e tratamentos de dados sobre emigração em Cabo Verde. Há uma falta total de sensibilidade no que diz respeito à importância dos estudos sobre este sector, o que é um absurdo”, critica a mesma fonte.

Francisco Carvalho defende que as instituições que de alguma forma beneficiam com o regresso dos emigrantes - entidades bancárias, empresas de construção civil e outras privadas -, poderiam comparticipar em estudos e projectos ligados ao sector.

Carvalho diz ser de extrema necessidade haver uma colaboração entre o Serviço de Emigração e Fronteiras (que faz o controlo de entrada e saída dos cidadãos no país) e a instituição que dirige no processamento e fornecimento de dados sobre os emigrantes. Um trabalho que, segundo ele, vai ajudar o Ministério das Comunidades (MDC) não só a conhecer a natureza dos emigrantes como também a definir políticas públicas voltadas para o sector. “Com isso, todos saímos a ganhar”, realça Carvalho.

Boa integração dos emigrantes no Senegal

Referindo-se à natureza dos visitantes, o director geral das Comunidades explica que, apesar de haver uma diversidade de emigrantes, há um largo predomínio dos que são trabalhadores por conta de outrem. Estes se encontram sobretudo nos sectores mais desfavorecidos do mercado de trabalho do país de acolhimento.

“Este traço é geral a quase toda a nossa diáspora. A maior excepção a este perfil é observada no Senegal, onde uma parte significativa da comunidade conseguiu uma boa integração e ascensão social. Por outro lado, temos de sublinhar que, um pouco por todas as comunidades e devido ao longo período de chegada de cabo-verdianos, actualmente há diversos cabo-verdianos de origem ou descendentes que já se encontram em lugares de topo nas suas carreiras ou sectores do mercado de trabalho”, explica Francisco Carvalho, alertando que a “questão que se coloca é que não dispomos de nenhum mecanismo de identificação e seguimento que nos permita quantificar essa distribuição”.

No tocante ao papel das autoridades, Carvalho defende que as Câmaras devem dar mais atenção aos emigrantes em férias.
“A aposta maior para receber o emigrante que vem de férias deve ser feita ao nível do poder local, ou seja, pelas câmaras municipais. Por isso, o MDC tem apostado no reforço das capacidades das câmaras municipais para a valorização e atendimento do emigrante. Neste sentido, o MDC tem procurado apoiar as câmaras municipais na realização dos encontros anuais que organizam com os emigrantes de vista ao país”. Por isso, o MDC apostou na criação da Rede Municipal de Pontos Focais para a Emigração, que permitiu que todas as câmaras municipais indicassem um ponto focal para tratar das questões de emigração de forma directa com um ponto focal no MDC.

Comunidades carenciadas no estrangeiro

A realidade da emigração cabo-verdiana, refere Carvalho, é diversa, constituída por estudantes, trabalhadores, investidores, artistas, desportistas, investigadores, mas também pessoas carenciadas cujos projectos migratórios não tiveram tanta sorte. "Ali, há necessidade de uma intervenção mais com base na solidariedade e no apoio para a integração ou reintegração social”, indica.

Para aquele dirigente, o MDC tem estado a construir e a fazer uma intervenção em todos esses domínios com a elaboração de estudos, projectos e documentos orientadores. Aqui há a destacar a Estratégia Nacional de Emigração e Desenvolvimento, que é um documento de base para toda a intervenção futura do MDC.

Instado a pronunciar-se sobre a burocracia que afecta os emigrantes, principalmente a que existe no tocante ao levantamento das suas mercadorias na alfandega, Francisco Carvalho diz que há um trabalho entre o MDC e as Alfândegas para melhorar o atendimento aos mesmos.

“Um destes ganhos é a abertura do gabinete de atendimento personalizado ao emigrante, que está a funcionar na Alfândega da Praia, com uma técnica colocada para o efeito. O objectivo é reduzir o tempo de espera e aumentar a capacidade de resposta”, sublinha.

“O emigrante antes da sua vinda ou do envio das suas mercadoras tem de ter uma noção das condições e dos custos que estão associados. Isto é fundamental até para o ajudar na tomada de decisão sobre se valerá a pena trazer este ou aquele produto para o país. Isto tem sido uma fonte de muito descontentamento. Enviam os produtos sem conhecimento dos custos e quando chegam em Cabo Verde deparam-se com situações desagradáveis, mas que estão previstas e definidas na lei”, alerta.

De notar que, conforme um estudo sobre o perfil migratório e a distribuição de emigrantes cabo-verdianos no mundo realizado em 1998, estima-se que Cabo Verde conta com 518.180 emigrantes em todo o mundo. Estados Unidos lideram a lista com 264.900. Depois vêm os seguintes países: Portugal (80.000), Angola (45.000), França (25.000), Senegal (25.000), São Tomé e Príncipe (20.000), Holanda (16.580), Espanha (12.000), Itália (10.000), Argentina (5.200), Brasil (3.000), Luxemburgo (3.000), Suíça (2.400), Guiné-Bissau (2.000), Moçambique (1.000), Bélgica(800), Alemanha (800), Suécia (700), Canadá (300), Noruega (300) e Gabão (200).

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