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A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Entrevista ao embaixador dos EUA na Praia: Cabo Verde é um país que dá “passos maiores que as próprias pernas” 21 Dezembro 2015

Cabo Verde deve ser comparado a alguém que “procura sempre competir em escalões superiores ao seu próprio peso”! Esta é a frase, da gíria do boxe, que o Embaixador dos Estados Unidos da América em Cabo Verde, Donald L. Heflin, encontrou para descrever a forma ambiciosa e proactiva como o país onde serve como diplomata se posiciona na arena internacional e nas relações com os seus parceiros, para defender os seus interesses, lançar as âncoras de que necessita para o seu desenvolvimento e contribuir para o advento de um mundo mais justo onde os mais pequenos também tenham as suas oportunidades. Numa grande entrevista, a primeira alguma vez concedida por um embaixador americano a um órgão de informação cabo-verdiano, e que inaugura o “Caderno Grandes Questões”, com que “A Semana” passa a brindar quinzenalmente, a partir de hoje, os seus leitores, Donald Heflin fala da “excelência” das relações entre os dois países, responde a questões sobre a problemática do terrorismo e do fundamentalismo islâmico, comenta as posições do polémico candidato à nomeação republicana à eleição presidencial americana, Donal Trump, em relação aos muçulmanos e ao actualmente tenso convívio entre as autoridades policiais e a comunidade afro-americana nos Estados Unidos, e conclui que os cabo-verdianos nada têm a temer em resultado desse fenómeno. O embaixador norte-americano também perspectiva o futuro das relações militares entre Cabo Verde e a NATO e com os Estados Unidos, e diz, com todas as letras, que a importância do papel do arquipélago na luta contra o narcotráfico na África Ocidental não é nenhum mito, mas, muito pelo contrário, algo de palpável que faz de Cabo Verde um “líder” no continente.

Entrevista ao embaixador dos EUA na Praia: Cabo Verde é um país que dá “passos maiores que as próprias pernas”

Entrevista e Fotos: Orlando Rodrigues

Como caracteriza, qualitativamente e quantitativamente a cooperação entre Cabo Verde e os Estados Unidos?

A nossa cooperação é muito boa. Cabo Verde é um importante parceiro dos Estados Unidos, e desfrutamos de relações estreitas por várias razões. A primeira é a existência de uma grande diáspora cabo-verdiana residente em Nova Inglaterra, e que é de aproximadamente meio milhão de pessoas. A segunda razão tem a ver com a história comum, e que é antiga, existente entre os dois países, pois o primeiro Consulado dos Estados Unidos aberto na África sub-sahariana foi na ilha Brava, em 1818, já lá vão quase 200 anos. Por outro lado, os Estados Unidos reconheceram a independência de Cabo Verde imediatamente depois da sua proclamação, em 1975, e seis meses depois já tínhamos um embaixador residente na cidade da Praia. No que diz respeito às valências da cooperação que podem ser quantificadas, destacamos algumas dimensões mais visíveis, sendo a primeira a ajuda que dispensamos a Cabo Verde no sentido de vigiar, defender e proteger o seu espaço marítimo e a sua Zona Económica Exclusiva (ZEE), que é muito grande, mais ou menos do tamanho da França. Mas devo dizer que essa ajuda só é eficaz porque o vosso exército tem excelentes soldados e fuzileiros e esforçam-se por manter operacionais os vossos meios. Mas o que Cabo Verde mais precisa, sendo um pequeno país sem recursos naturais, e aqui também entra a nossa cooperação, é aumentar, cada vez mais, a capacitação dos seus quadros. Por ser um país vocacionado para a prestação de serviços, igualmente importante é a regulamentação do sector financeiro. Cabo Verde tem de se precaver, por exemplo, contra a lavagem de capitais por pessoas que estejam inclinados a utilizar, indevidamente e em seu próprio proveito, o vosso território e os vossos serviços, e os Estados Unidos estão a trabalhar com o Governo de Cabo Verde na prevenção desses actos. É nesse sentido que, além da assistência técnica que temos fornecido, com a vinda e o envolvimento de especialistas e autoridades ligadas a essa área, investimos nos últimos tempos cerca de quatro milhões de dólares no reforço da Unidade de Informação Financeira (UIF) de Cabo Verde. Outro grande objectivo da nossa cooperação vai no sentido de ajudar a economia cabo-verdiana a desenvolver-se e a inserir-se na economia global. Cabo Verde foi um país muito pobre durante a colonização e imediatamente depois da independência, mas fruto de muitas decisões acertadas que foram tomadas de então para cá, o país está a transformar-se e, hoje, tem um dos Produto Interno Bruto (PIB) per-capita mais elevados desta região do continente africano, o que é notável para um país que não tem petróleo nem outros recursos minerais. Uma das formas que adoptámos para ajudar, por exemplo depois de Cabo Verde ter ascendido, em 2008, à categoria de País de Rendimento Médio-baixo, foi através da atribuição, a pedido do vosso Governo, de recursos financeiros directos por via de um segundo Compacto do Millennium Challenge Account (MCA), que é algo que os Estados Unidos ainda não tinham feito em relação a nenhum outro país no mundo. Concordámos em atender ao vosso pedido por termos constatado que Cabo Verde tinha sido, na gestão do primeiro compacto, um parceiro exemplar.

3º Compacto não está previsto

Tendo em conta o balanço muito positivo que os Estados Unidos fazem da gestão, não apenas do primeiro, como também deste segundo compacto, haverá perspectivas de um terceiro?

A minha experiência diz-me que nunca devemos dizer nunca! Mas o que devo dizer, objectivamente, é que não temos planos de um terceiro compacto. Com os recursos do primeiro compacto desenvolveu-se um trabalho muito bom nos sectores das estradas, dos portos e da água e saneamento, e o segundo está a permitir a continuidade a este último, além da implementação de um ambicioso projecto no domínio do Cadastro Predial. Algumas das acções desenvolvidas com o dinheiro dos Compactos MCA, têm tido um impacto imediato e positivo na vida das pessoas, e eu próprio tenho constatado isso mesmo através de visitas que faço a diversas localidades e a bairros de várias cidades cabo-verdianas. Muita gente tem água canalizada nas suas casas, além de estarem servidas em termos de saneamento. Os outros projectos e programas terão impactos mais de longo prazo, mas ninguém tem dúvidas das suas implicações sociais mas, principalmente, económicas, e do seu futuro papel na atracção de investimentos externos. Digo isto por considerar que o que Cabo Verde precisa agora não é de um terceiro Compacto do MCA ou de mais ajuda ao desenvolvimento, mas de introduzir factores de competitividade na sua economia, e acho que vocês têm muita coisa boa para conseguirem desenvolver uma economia competitiva. A primeira vantagem de que dispõem são os vossos recursos humanos, que representam o que o país tem de melhor. Os vossos jovens e estudantes recebem uma boa educação formal e as pessoas trabalham bem, além de haver muita gente que domina línguas estrangeiras e têm experiência e conhecimento do mundo lá fora. Também concorre a vosso favor a vossa geografia: Cabo Verde encontra-se muito bem localizado entre a Europa, o Brasil e os Estados Unidos, e está servido com boas infra-estruturas portuárias, aeroportuárias e rodoviárias. Para mim, com estas condições e com outras que podem ser rapidamente mobilizadas, Cabo Verde está bem posicionado para competir, a nível global, na área dos serviços, nomeadamente a sectores com o turismo, as finanças, a aviação, a navegação marítima internacional, logística, call-centers e outros de valor acrescentado. Com tudo isto, o país não vai com certeza, no futuro, precisar de Ajuda Externa ao Desenvolvimento.

Falar, olhos nos olhos, com investidor

Um dos principais emissores de Investimento Directo Estrangeiro (IDE) em todo o mundo é o sector privado dos Estados Unidos, que no entanto não chegou ainda, pelo menos de forma impactante, a Cabo Verde. Porquê?

Não é bem assim. Já começa a haver interesse de investidores americanos em Cabo Verde, e vamos começando a assistir à implantação de alguns projectos interessantes. Há pouco dias vimos o lançamento da primeira pedra para a construção do primeiro Hotel Hilton na cidade da Praia, aqui mesmo ao lado da minha residência, na Achada de Santo António. Há também um novo Hotel Hilton na ilha do Sal, e a construção já está em fase adiantada. Por outro lado, sabe-se que há empresas americanas a importar produtos cabo-verdianos, e temos, por exemplo, a Starbucks que comprou recentemente sete toneladas de café da ilha do Fogo, o que também é um investimento. O principal problema que tem condicionado o aparecimento de mais investimentos norte-americanos no vosso país é o facto de os empresários dos Estados Unidos olharem para Cabo Verde e verem um mercado muito exíguo. Mas o que precisa ser-lhes mostrado é que Cabo Verde tem excelentes características para ser uma base de distribuição de produtos e serviços para outras paragens, e penso que os futuros investimentos americanos no vosso país deverão ter em conta esta perspectiva. Nós, na embaixada, procuramos divulgar as oportunidades aqui existentes junto de operadores americanos e encaramos com muita satisfação a oportunidade de podermos vender Cabo Verde nos Estados Unidos. Mas Cabo Verde, por sua própria iniciativa, já está a fazer um bom trabalho neste aspecto, baseado na valorização da vossa localização, da mão-de-obra qualificada que possuem, na história do arquipélago e na vossa condição de país livre e democrático.

Da lista de sectores com verdadeiro potencial de investimento em Cabo Verde para interessar operadores americanos, destaca-se a aviação comercial. O país detém a Categoria 1, que resulta de uma certificação da própria FAA Americana, tem, como salientou atrás, excelentes infra-estruturas aeroportuárias, está bem equipado para garantir a segurança da navegação internacional, goza de um excelente clima e caracteriza-se por uma tradicional estabilidade política e pela ausência total de actos terroristas e de violência, o que constitui, hoje em dia, a principal condição para o bom funcionamento do sector. As autoridades cabo-verdianas procuram vender essas vantagens competitivas visando a atracção da aviação civil internacional, nomeadamente as grandes companhias americanas. No seu entender, porque é que as companhias americanas não se têm interessado por Cabo Verde, preferindo antes, outros países da África Ocidental que não conseguem disponibilizar, de forma integrada, tal oferta?

Cabo Verde é um país soberano de 500 mil habitantes, e tem tudo aquilo de que outros países também dispõem, mas é uma economia de meio milhão de pessoas, o equivalente à área metropolitana de uma cidade média dos Estados Unidos, e dou como exemplo a cidade de Boston, que tem mais ou menos o mesmo número de habitantes. E o que é que economias dessa dimensão têm que fazer: tem que diligenciar a procura de investimentos de companhias aéreas, de redes de hotéis, de cadeias comerciais e de empresas que querem investir mas não sabem que há lá oportunidades. É um trabalho duro mas que tem de ser feito e de forma constante, e você terá de pensar sempre em função do futuro e não do presente, tentando saber que oportunidades irão despontar daqui a 5 anos para poder propor esses negócios a potenciais investidores. Isso quer dizer que, se Cabo Verde não está, neste momento, a ser utilizado como grande hub da aviação civil internacional nesta região, o país terá de continuar a insistir até conseguir mostrar às companhias aéreas que é do seu interesse investir aqui.

O Senhor Embaixador está a querer dizer que o que Cabo Verde deve fazer é ir falar directamente, olhos nos olhos, com quem manda nas grandes companhias, como a Delta e a American Airlines?

Sim. Enquanto pequena economia, Cabo Verde terá de estar a vender-se permanentemente, a tentar atrair investidores. Terá de ser algo constante. Se perguntar a qualquer Presidente de Câmara de qualquer cidade da dimensão de Boston, nos Estados Unidos, é o que eles lhe irão dizer, ou seja, que esse é o primeiro trabalho a ser feito.

Enquanto diplomata e conhecedor da dinâmica económica dos Estados Unidos, é o que aconselha os cabo-verdianos, seja o sector público seja o privado, a fazer? Ir falar directamente com os CEO das grandes empresas dos Estados Unidos?

Sim, e tenho a certeza de que já devem haver iniciativas a decorrer nesse sentido. Há certamente pessoas, do Governo e do sector privado, a fazer isso.

Falando agora da segurança, do combate ao crime organizado e de assuntos ligados à defesa, volta e meia a questão de uma eventual base militar norte-americana em Cabo Verde regressa ao debate na sociedade cabo-verdiana. Alguma vez foi ou é intenção dos Estados Unidos considerar essa hipótese e avançar para uma proposta?

Não, não temos nenhuma intenção de ter uma base militar aqui. O que queremos e estamos a fazer é trabalhar com as vossas forças armadas em programas de capacitação, e vocês têm muito bons soldados e marinheiros. A propósito, gostaria de saudar os nossos aliados, nomeadamente a Espanha, França e Portugal, pelo excelente trabalho que têm estado a fazer no sentido de garantir a segurança dos mares de Cabo Verde.

E as relações entre Cabo Verde e a NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte), por outro lado, poderão evoluir para um novo patamar, tendo em conta o futuro alargamento da Plataforma Continental do arquipélago, que irá passar a ter fronteiras marítimas comuns com a Europa Ocidental?

Cabo Verde já tem, com a NATO, relações excelentes e adequadas às necessidades das partes envolvidas.

Não é sorte! É trabalho

A prevenção e o combate às ameaças externas que se colocam a Cabo Verde, resultantes, nomeadamente, do crime organizado e transnacional e do terrorismo, é uma das mais importantes vertentes da cooperação entre os dois países, segundo disse. Qual é o papel específico de Cabo Verde nessa luta, que se irá tornar mais abrangente com o previsível aumento da Plataforma Continental do arquipélago?

Algumas pessoas dirão que Cabo Verde tem sido afortunado por não ter enfrentado, até agora, problemas com o terrorismo. Mas eu sei que é mais do que sorte, que isso deriva de um trabalho intenso que os cabo-verdianos têm desenvolvido. Desse trabalho resulta que vocês têm uma sociedade democrática estável e pacífica, em que as pessoas têm mais oportunidades económicas do que existem em muitos outros países. A força motriz do terrorismo é o fanatismo resultante da exploração das frustrações dos jovens, e em Cabo Verde não existe esse tipo de insatisfação. Então, de certa forma, consideramos que Cabo Verde é um modelo que também serve de âncora para o combate a esses fenómenos, e para mostrar aos outros países africanos e ao mundo como é que um pequeno Estado sem recursos naturais pode estabelecer e manter esse nível de estabilidade.

E o papel de Cabo Verde tem sido realmente importante ou isso é apenas um mito criado pelo Governo e repetido pelos parceiros internacionais?

Eu acho que é mesmo importante. Cabo Verde, em África, é um líder e também entre os pequenos Estados Insulares no mundo. Temos uma expressão em inglês que caracteriza alguém ambicioso que quer superar-se permanentemente e que combate sempre para além do seu peso.

É o caso de Cabo Verde?

Sim, e a esse propósito quero dizer que Cabo Verde, apesar de ser um país pequeno, é muito conhecido e apreciado em Washington, nas Nações Unidas e nas capitais europeias, pois todos reconhecem que tem vindo a conseguir resultados inacreditáveis e impensáveis para uma Nação de apenas 500 mil pessoas.

Eu vou traduzir a frase que disse sobre alguém que combate acima do seu peso com outra expressão idiomática, em português, segundo a qual estamos perante alguém que dá passos maiores que as próprias pernas. Era isso que queria dizer? Aceita a tradução?

Sim.

Papel de Cabo Verde não é mito

Na questão do narcotráfico, têm havido na justiça cabo-verdiana alguns dossiers importantes de apreensão de drogas e de prisão e condenação dos envolvidos. Estou a falar do caso Lancha Voadora e do mais recente, em São Vicente, que passou a ser conhecido por Pérola Negra. Como é que os analisa, a esses e a outros casos menores mas frequentes, na óptica de qualificar o empenho de Cabo Verde na luta contra a grande criminalidade organizada e transnacional?

Para mim, esses casos demonstram que Cabo Verde está a fazer um esforço sério para combater o narcotráfico. Todos os países de trânsito de drogas acabam por enfrentar, mais tarde ou mais cedo, problemas de consumo interno, de violência e de pequena criminalidade, que podem ser directamente atribuídas à actividade dos cartéis. Esse é o preço a pagar e Cabo Verde não foge à regra. Eu tenho experiência de combate ao narcotráfico, e estou por isso em condições de dizer que essas organizações são basicamente preguiçosas. Não gostam de operar onde há um Estado de Direito que funciona e onde as leis são aplicadas e respeitadas. Em resumo, evitam aqueles países a que chamamos, em inglês, hard targets (alvos difíceis), e à medida que Cabo Verde vai desenvolvendo a sua capacidade de prevenção e combate do narcotráfico, está a tornar-se, cada dia mais, um alvo difícil, e os cartéis tenderão a procurar outros novos cenários de operação.

O que me diria se lhe pedisse para comparar o que Cabo Verde está a fazer neste domínio com os esforços que outros países africanos estão a empreender?

Não quero estabelecer comparações, e a única coisa que direi é que alguns países estão a fazer bem as coisas e outros não, sendo os primeiros bons exemplos para os segundos.

Então diga-me, que outros países aqui na região da África Ocidental estão a trabalhar ao mesmo nível e como o mesmo empenho que Cabo Verde no domínio da prevenção e combate do narcotráfico?

Nomeámos recentemente, além de Cabo Verde, mais três países da região, o Senegal, a Nigéria e o Gana, para a Iniciativa Oeste Africana de Segurança, na qualidade de Anchor States (Estados Âncora). Se pensarmos um pouco nisso veremos que são três países relativamente poderosos e com economias bastante dimensionadas, com os quais Cabo Verde ombreia, encontrando-se no mesmo nível. Isto, no meu entender, é ilustrativo do valore de Cabo Verde, e constitui um reconhecimento dos esforços e do papel do vosso país nesta área.

E o que é que a ascensão de Cabo Verde à condição de Anchor State vai exigir do país em termos de compromissos internacionais, nomeadamente com os Estados Unidos?

Foi só agora, em Novembro, que Cabo Verde recebeu a designação de Anchor State, e é ainda um pouco cedo para definirmos de forma mais precisa, também em termos financeiros, as implicações dessa situação. O que sabemos é que Cabo Verde irá continuar a trabalhar com os seus vizinhos, tal como tem feito até agora, em assuntos de interesse comum como o narcotráfico.

Mas isso vai exigir muito de Cabo Verde?

Uma coisa de que temos consciência na embaixada é que, em relação a um país pequeno e com pouca população como Cabo Verde, não devemos ter muitas exigências. Aliás, uma coisa que tenho aprendido desde que estou aqui é que vocês sabem priorizar bem as coisas e, neste caso, estamos cientes de que, antes de dizerem sim a qualquer das iniciativas que irão ser desenvolvidas, não se coibirão de apresentar as vossas preocupações, por exemplo sobre os recursos materiais e humanos necessários à sua implementação e os custos de manutenção do programa. Esta não é uma abordagem muito comum e é uma das razões pelas quais o vosso país é muito respeitado em Washington. Cabo Verde tem uma apreciação e uma abordagem muito lógica das coisas, pois nunca diz sim ou não, sem antes analisar o assunto em todos os seus aspectos.

Terroristas não são particularmente religiosos

Cabo Verde tem, com os Estados Unidos, fortes afinidades civilizacionais, nomeadamente de carácter cultural e religioso, que fazem com que partilhe globalmente da vossa visão do mundo. No aspecto religioso – que tem sido o pilar em que se têm baseado as filosofias radicais conducentes ao terrorismo – o arquipélago é uma excepção na África Ocidental , sendo o único país maioritariamente cristão da região. Até que ponto esse aspecto idiossincrático tem contribuído para a forma como os Estados Unidos, em termos de relações, olha para Cabo Verde?

Eu não acho que essas relações tenham a ver com a religião. Já trabalhei em países muçulmanos, e lá as pessoas têm as mesmas aspirações e preocupações que em qualquer outro país do mundo. Desejam ter paz, segurança e oportunidades económicas para prosperarem e darem uma vida melhor aos filhos. O problema é que os fanáticos – e não acho que estes sejam pessoas particularmente religiosas – aproveitam-se das frustrações dos jovens que não têm oportunidades económicas nem dispõem oportunidades democráticas para expressarem a sua insatisfação, para os recrutarem para o jihadismo. No caso de Cabo Verde os jovens têm muito mais oportunidades económicas e vivem em ambiente democrático há mais de 25 anos, além de terem um bom sentido colectivo e de cultivarem atitude favorável ao consenso. Assim, os problemas são discutidos em sociedade e as soluções também são encontradas colectivamente. Falando, por exemplo, do desemprego, as pessoas têm taxas muito mais elevadas que as vossas, mas as formas de as combater são muito diferentes. Aqui, o problema é abordado de maneira semelhante ao que fazemos nos Estados Unidos. Quando, aqui como lá, o problema é falado e debatido ao nível da sociedade, os jovens participam e sabem que existe um esforço colectivo no sentido de se encontrar uma solução e de se procurarem oportunidades para eles. E são estes países como Cabo Verde e os Estados Unidos, sendo eles cristãos, muçulmanos ou professando outras religiões, que tem uma abordagem colectiva dos problemas e procuram soluções dentro das respectivas sociedade, que têm menos problemas com o extremismo violento.

Registo a sua resposta politicamente correcta, mas repare que, cada vez mais, há quem pense que a base do terrorismo é a religião, mais concretamente o islamismo…

Sim, mas vejamos o caso da África: quais são os países que estão a lutar contra o extremismo religioso? A Nigéria…

…Que é um país maioritariamente muçulmano, o Mali, o Tchade, o Níger, os Camarões… todos têm a mesma configuração do espectro religioso e enfrentam problemas com o jihadismo.

Mas nesses casos você tem os exércitos desses países cujos efectivos são, também, predominantemente muçulmanos, mas lutam contra os extremistas islâmicos. Por outro lado, há muitos países muçulmanos que não têm esses problemas e que tendem a ser onde há mais oportunidades económicas e democráticas. Por isso, a conclusão é que a maioria das pessoas, eu diria quase 100 por cento, nos países islâmicos, enxergam as coisas como as visualizamos em Cabo Verde e nos Estados Unidos. Acredito realmente no que estou a dizer porque tenho trabalhado com autoridades de países muçulmanos em África, além de ter vivido na Índia, que é o maior país muçulmano do mundo.

Trump: Esperar pelo veredicto do povo

Mas a associação directa entre o terrorismo islâmico e a religião muçulmana é um debate que, nestes termos precisos, está a ter lugar actualmente, e com grande destaque, nos Estados Unidos, tendo como um dos seus principais defensores Donald Trump, que é visto como o candidato favorito para a nomeação republicana à eleição presidencial e como um potencial ocupante da Casa Branca…

Nos Estados Unidos, como em Cabo Verde e em qualquer outra democracia, nos anos eleitorais o debate político torna-se mais interessante, e eu incentivaria todos quantos em Cabo Verde se interessam pelo assunto a prestarem a maior atenção ao que se irá passar nos próximos 12 meses em relação a este processo das presidenciais norte-americanas, para depois vermos qual será o veredicto do povo.

Mas Donald Trump corre sérios riscos de ser nomeado candidato republicano e de ser eleito Presidente dos Estados Unidos, e a sua visão do assunto tenderá a influenciar a opinião pública norte-americana, não é?

Há mais de uma dúzia de candidatos concorrentes às nomeações para a presidência dos Estados Unidos, e o processo ainda está muito incipiente.

Ainda a propósito de Donald Trump, que também tem uma visão muito própria das relações inter-raciais, outro tema actualmente fracturante na sociedade americana é a forma como as autoridades policiais têm convivido com a comunidade e os cidadãos afro-americanos. Enquanto embaixador dos Estados Unidos num país de negros tal como é Cabo Verde, como é que vê esta questão?

As democracias não são países isentos de problemas. São, sim, países que procuram resolver os seus problemas através do processo democrático e com base nos inputs da sociedade. Uma coisa que dabatemos muito nos Estados Unidos é o progresso que temos vindo a fazer, embora, às vezes, sem a desejada celeridade, em matéria de relacionamento entre raças. Eu fui criado no Sul dos Estados Unidos durante o período dos grandes movimentos de luta pelos direitos civis, e estou em condições de garantir que as coisas mudaram radicalmente de então para cá. Hoje em dia, temos um Presidente afro-americano e temos Ministros, Congressistas, Senadores, Presidente de Câmara e altos funcionários do Estado da mesma origem racial. Quererá isso dizer que tudo é perfeito agora? Não! Mas estamos a trabalhar para melhorarmos a situação, e é isso que fazem as democracias.

Olhar para os bons exemplos

Mas há um nível de tensão altíssimo entre as autoridades policiais e as comunidades afro-americanas que tem produzido muita violência em várias cidades dos Estados Unidos e tem sido manchete por todo o mundo. Sendo igualmente de raça negra, acha o Senhor Embaixador que os cabo-verdianos devem estar preocupados com esse fenómeno e procurar formas de se protegerem?

A Comunicação Social, nomeadamente a americana, tende a valorizar as estórias más, e nós mesmos, cidadãos, sentimo-nos inclinados a esquecer as boas estórias. E o que não vemos, nesta matéria, são os casos de cidadãos e de polícias que não enfrentam tais problemas, nem as de milhares e milhares de cidadãos afro-americanos que são polícias. Uma coisa que não é do conhecimento da maioria das pessoas aqui é que existe um grande número de polícias de origem cabo-verdiana na região de Nova Inglaterra. Existe, aliás, uma Associação de Polícias Cabo-verdiano-americanos em Boston, e eu não acho, por essa mas por outras variadíssimas razões, que a comunidade de origem cabo-verdiana nos Estados Unidos tenha muito com que se preocupar na sua relação com as autoridades. Aliás, algo de que temos orgulho nos Estados Unidos é que os nossos sistemas político e judicial conseguem sempre resolver as coisas, e se há um problema a esse nível ele acabará por ter uma solução. No caso dos polícias que realmente transgrediram e ultrapassaram o seu dever em relação a cidadãos afro-americanos, muitos foram já constituídos arguidos e outros já receberam as respectivas sentenças.

Quando se fala de coisas más, é de justiça contrapor com coisas boas. E uma delas é que os cabo-verdianos nos Estados Unidos estão, cada vez mais, a fazer uso dos seus direitos civis e políticos. Como é que caracteriza, neste aspecto, a situação dessa comunidade, particularmente concentrada em Nova Inglaterra?

Devo ressalvar, antes de mais, que a comunidade cabo-verdiano-americana demonstrou sempre um pendor cívico muito forte. Esteve recentemente em Cabo Verde uma delegação de políticos eleitos pelo Estado do Massachussets, e muitos deles são de origem cabo-verdiana, havendo inclusivamente um que nasceu na ilha Brava. Temos estado a fazer um trabalho de pesquisa sobre cabo-verdiano-americanos que lutaram no exército dos Estados Unidos, e ficámos bastante muito agradados com o facto de os cabo-verdianos se alistarem preferencialmente, ao longo dos tempos, como voluntários. Temos arquivos que dão registo da participação de cabo-verdianos em todas as guerras em que já participámos, incluindo a Revolução Americana. Uma outra área em que os cabo-verdianos se têm destacado é no voluntariado, nomeadamente no apoio às suas comunidades residentes no arquipélago. Conheço enfermeiras cabo-verdiano-americanas que prestam actualmente serviço voluntário em Assomada e tenho conhecimento de um empresário dono de uma unidade de produção vinícola na Califórnia que financiou a construção de um Centro de Dia para acolhimento de crianças no Mindelo, além de muitos casos de doações de cidadãos americanos de origem cabo-verdiana que fazem importantes doações aos respectivos concelhos, cidades e localidades. Temos muitas diásporas nos Estados Unidos, mas a cabo-verdiana difere das outras pelo facto de aquelas serem dispersas. Os cabo-verdianos não, concentram-se preferencialmente na região de Nova Inglaterra, e é isso que lhes confere a verdadeira característica de uma comunidade.

E isso é uma vantagem…

Sim, porque dá-lhes algum poder político. Há senadores, congressistas e muitos eleitos locais no Massachussets que têm ascendência cabo-verdiana e que foram eleitos com a força dos votos da sua comunidade de origem, cuja voz escutam e levam com certeza em conta na sua actividade política.

Nota-se, actualmente, um grande fluxo de jovens cabo-verdianos que vão estudar para os Estados Unidos ao abrigo de programas oferecidos pelas universidades locais e sancionados pelas autoridades americanas. Isso passa, necessariamente, pela embaixada, por causa dos vistos e não só. Por isso, pergunto-lhe se esse fluxo já é grande.

Sim, já é considerável, mas queremos que aumente. As nossas universidades adoram ter estudantes cabo-verdianos porque têm sempre bons resultados por terem recebido aqui uma boa educação no ensino liceal. Já temos um número importante de cabo-verdianos no Bridjewater State University, mas há muitos que começam a ir para outros estabelecimentos de ensino superior, como por exemplo o Massachussets Institute of Technology, e a Universidade do Minesota. Nós incentivámos estes programas porque achamos que temos o melhor ensino superior do mundo, que pode ser colocado à disposição dos jovens cabo-verdianos e não só. É claro que há outros países que têm excelentes universidades, mas o nosso sistema é muito mais flexível.

Mas é um ensino muito caro que, financeiramente, exige um enorme esforço por parte das famílias cabo-verdianas que, como sabemos, não são ricas. Que mecanismos existem para minimizar tais custos?

De facto, é relativamente caro para muitas famílias cabo-verdianas. Temos alguns programas de bolsas, embora não num número tão grande como desejaríamos. Ainda assim, incentivamos os estudantes a se candidatarem às universidades americanas porque também podem concorrer a programas de ajuda financeira colocados à sua disposição pelas próprias universidades, que gostam de ter cabo-verdianos, não apenas pelos motivos que já mencionei mas, também, devido ao facto de gostarem de ter jovens africanos e do mundo lusófono, e na maior parte dos casos aceitam apoiá-los financeiramente. As universidades americanas valorizam muito a diversidade.

Ernestina de regresso?

De qualquer forma, são recursos que vão daqui, de um país pobre, para os Estados Unidos, o que configura uma situação em que famílias cabo-verdianas aqui residentes estão a contribuir para a economia americana…

Digo sempre aos estudantes, sejam eles cabo-verdianos ou americanos, que não encarem a sua educação universitária como um custo mas, sim, como um investimento no seu futuro. Constatámos que a esmagadora maioria dos estudantes cabo-verdianos nos Estados Unidos voltam para Cabo Verde ao terminarem o seu ciclo de formação, o que significa que estão a beneficiar o próprio país e que esse investimento também é no futuro de Cabo Verde.

E isso é muito valorizado pelas autoridades americanas, suponho…

Adoramos que os estudantes, assim que terminem a formação, venham dar o seu contributo ao próprio país, porque consideramos que isso é muito mais importante que qualquer programa de ajuda financeira.

Vimos, atrás, nesta entrevista, que Cabo Verde e os Estados Unidos comemoram, em 2018, duzentos anos de relações diplomáticas formais, uma vez que o primeiro consulado americano foi aberto na ilha Brava em 1818. O que é que, a esta distância de três anos, se pode prever para as comemorações?

É com muita satisfação que respondo a esta pergunta porque me interesso muito por esses acontecimentos que fazem parte da nossa história comum. Tenho cópias de cartas enviados pelos primeiros cônsules ao Departamento de Estado, e seguramente que iremos traduzir esses documentos e partilhá-los com os cabo-verdianos. O que posso dizer é que o que temos visto até agora nesses testemunhos documentais históricos é muito interessante. Descobrimos, por exemplo, que o primeiro cônsul americano foi nomeado em 1816 mas nunca conseguiu chegar a Cabo Verde porque havia aqui uma pessoa invejosa que não queria que ele viesse e conseguiu bloquear o processo. Falando de tempos um pouco mais actuais, devo dizer que desde 1975 que os nossos países têm gozado de boas relações formais, e todos os diplomatas americanos que para aqui foram destacados e que conheço gostaram de servir em Cabo Verde, e eu, da minha parte, adoro estar cá como embaixador. A par disto, tenho de salientar que Cabo Verde tem tido uma sucessão de muito bons embaixadores em Washington.

Está atracado há muitos anos no Porto de New Bedford a escuna Ernestina, um navio que é um museu vivo por ser depositário de algumas das páginas mais bonitas da história marítima que une os dois países. O veleiro foi oferecido por Cabo Verde aos Estados Unidos na década de 1980, e desde então nunca mais visitou os portos destas ilhas. A comemoração dos duzentos anos de relações diplomáticas bilaterais não seria uma boa oportunidade para uma “viagem de memória” do Ernestina a Cabo Verde, uma maneira de dar maior brilho à efeméride?

Esta é uma ideia muito interessante. O Ernestina está a passar por uma reparação de fundo neste momento, e depois deverá dividir o seu tempo entre a Academia Naval de Plymouth, Massachussets – onde vai ser utilizado como navio-escola de cadetes –, e o Porto de New Bedford, onde estará como museu vivo da história comum de Cabo Verde e dos Estados Unidos. Como todos sabem o barco foi utilizado, no passado, para transportar pessoas entre estas ilhas e a América, em viagens que duravam até 6 semanas e levavam às vezes mais de 100 pessoas, o que é incrível para um navio desse tamanho. Vamos ter que ver se estará em condições de navegar até aqui e voltar, mas se estiver será uma óptima maneira de comemorarmos os duzentos anos da abertura do primeiro consulado norte-americano na África sub-sahariana.

Vistos demasiado caros

O Senhor Embaixador, em apenas 10 meses, visitou todas as ilhas e encontrou-se e falou com centenas de pessoas ao longo dessas viagens. O que é que os cabo-verdianos lhe têm dito nessas conversas?

Gosto de passar parte do meu tempo a conhecer e a falar com pessoas comuns, e tenho constatado que as preocupações dessas pessoas que tenho abordado são as mesmas que qualquer um de nós tem. A primeira relaciona-se com a educação dos filhos e a segunda tem a ver com oportunidades económicas. O que quase todas querem é um emprego, em vez de um programa. E eu acho que transformar Cabo Verde numa economia competitiva é a solução para se dar resposta a estes dois anseios, como aliás já ficou provado em muitos países.

Conseguiu compreender, através dessas visitas, a visão que os cabo-verdianos têm dos Estados Unidos e o facto de a embaixada receber, semanalmente, um grande fluxo de pedidos de vistos?

Não é por acaso que a região de Nova Inglaterra é chamada a décima primeira ilha de Cabo Verde, e é por isso que existem poucas embaixadas americanas no mundo que recebem, como nós, quase tantos pedidos de visto de turismo quanto de emigrante. Os vistos de emigrante baseiam-se normalmente em petições submetidas por familiares de pessoas daqui que já são cidadãos americanos e isso não representa qualquer problema. No entanto, das pessoas que pedem visto de turismo, muitas não conseguem obtê-lo porque a legislação dos Estados Unidos impõe aos Oficiais Consulares regras legais que os impedem de conceder vistos a quem não consiga provar que não irá aproveitar a viagem para se instalar como imigrante. O que está em causa, por isso, é saber se os viajantes que vão daqui para os Estados Unidos vão fazer turismo ou se procuram emigrar ao abrigo do tipo de visto errado. Mas emitimos milhares de vistos todos os anos.

Quando fala de milhares de vistos emitidos, pode dar um número mais preciso.

Neste momento não consigo, mas a embaixada poderá fornecer esse dado posteriormente. O que posso dizer é que, neste momento, existem muitos milhares de cidadãos cabo-verdianos que são portadores de vistos de turismo de longa duração e múltiplas entradas, e que vão e regressam com frequência para e dos Estados Unidos. Tudo isto demonstra que existem excelentes relações, ao nível dos Governos e das populações, entre Cabo Verde e os Estados Unidos, e uma das intenções que trago, para a minha missão como embaixador, é trabalhar no sentido de aumentar também o nível das relações institucionais entre os dois países. Estou a pensar, por exemplo, em museus, universidades, hospitais e outros, e irei procurar, numa preocupação com a diversidade geográfica, encontrar instituições fora da Nova Inglaterra, interessadas nessa cooperação. Isto tem tudo para dar certo porque Cabo Verde é um lugar seguro para os voluntários americanos trabalharem, e constitui uma acção que irá permitir ao país desenvolver relações de amizade em todos os pontos dos Estados Unidos.

Na questão dos vistos, muita gente questiona os custos dos emolumentos, no valor de 160 dólares, que consideram elevados, tanto mais que a cobrança é feita conseguindo a pessoa o visto ou não. O que poderá responder quanto a isto?

Eu também não gosto disso, mas o Congresso Americano exige que cobremos o custo integral do processamento do visto a quem o solicita. O problema é que esse valor, cujo pagamento não representa um esforço financeiro muito grande para alguém que vive na Europa Ocidental, já é um grande encargo para um cidadão de um país como Cabo Verde. Como referi, não gosto disso mas é a lei, e assim temos que proceder.

Fala-se da perspectiva do regresso do Corpo da Paz a Cabo Verde. Para quando?

Foi um dia muito triste quando o Corpo da Paz deixou Cabo Verde. Eu gostaria muito de o ver de volta, e sei que o Governo e outras entidades estão a trabalhar nessa possibilidade. Não quero fazer nenhuma promessa neste momento mas o que posso dizer é que tenho particular interesse em ver essa organização voltar a ensinar a língua inglesa em Cabo Verde, porque é algo que fazem bem no mundo inteiro e porque acredito que, quanto mais capacidade linguística tiverem os jovens cabo-verdianos, mais oportunidades terão.

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