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Erupção do Vulcão: Bangaeira sucumbiu 07 Dezembro 2014

Bangaeira em Chã das Caldeiras também sucumbiu. Depois de Portela e, por causa da velocidade das lavas, era previsível que isso acontecesse. Num comunicado sucinto, o Governo informava que por volta das 6 horas da manhã deste domingo, o rio flamejante invadira a zona destruindo a Pensão Marisa e cerca de 20 casas. Cinco horas mais tarde, 70% da localidade já estava sob as lavas. O Governo decretou então interdição total à Chã.

Erupção do Vulcão: Bangaeira sucumbiu

É um adeus sentido às acolhedoras, ricas e hospitaleiras localidades de Portela e Bangaeira. Restaram apenas algumas casas que estão num nível mais alto, sendo que neste momento dois rios de lavas com caudal mais estreito já saíram de Bangaeira e percorreram 300 metros, ao que tudo indica, em direcção a Fernão Gomes.

O vulcão do Fogo, que desde 23 de Novembro jorra rios de lava, cobriu-as com um manto negro, como que a protege-las do frio. A desolação e a tristeza tomaram conta dos foguenses, mas também de todos os cabo-verdianos, que ainda assim não resistem em admirar este espectáculo da natureza que a ninguém deixa indiferente.

As redes sociais foram inundadas com imagens fortes e dramáticas, mas também com desabafos, lamentos e uma sensação de impotência perante a fúria do vulcão do Fogo, que esteve quase duas décadas quieto a ver o desenvolvimento de Portela e Bangaeira. A natureza mostra a sua força enquanto as lavas arrastam a esperança dessas comunidades.

Há duas semanas que os cabo-verdianos vivem com o credo na boca. As vezes o gigante dá uma trégua e a esperança volta. Começa-se a sonhar, a fazer planos e a perspectivar o futuro... Logo depois, o “Homi Grandi” mostra que ainda está muito vivo. É preciso estar alerta para agir caso for necessário. Os sonhos podem esperar a fúria passar.

As lavas, que escorrem por entre as casas, currais, igrejas, espaços comerciais, pousadas não encontraram outro caminho, quem sabe em direcção ao mar. Toda a actividade vulcânica e o percurso do rio de chamas são monitorados pelas autoridade da Protecção Civil, que incansavelmente tenta manter a ordem, proteger as pessoas e os seus poucos bens.

Dos Centros de Acolhimento, os antigos moradores que saíram das suas casas a contragosto agora entendem a preocupação das autoridades nacionais, que algumas vezes subiram o tom da sua voz para os convencer que o melhor era abandonar tudo. É possível recomeçar, sempre…

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