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Esgoto a céu aberto incomoda Santa Maria 30 Novembro 2016

Um esgoto corre a céu aberto a escassos metros do Complexo Educacional de Santa Maria, na ilha do Sal. O caso constitui um verdadeiro atentado à saúde pública, já que, além de conviver com o mau cheiro, os cerca de 900 alunos do referido estabelecimento, os residentes da área e turistas correm sérios riscos de contrair doenças. Mas por enquanto queixam-se apenas de dores de cabeça, dizem que por conta do odor insuportável.

Por: Sílvia Frederico

Esgoto a céu aberto incomoda Santa Maria

É de um longo cano, que emerge do chão, que jorra a água turva e mal cheirosa que está a incomodar os habitantes de S. Maria. À superfície forma uma lagoa a poucos metros do Complexo Educacional de Santa Maria e que exala um forte odor devido à de dejectos humanos, lixo e outros materiais nocivos.

Sobretudo entre 12h00 e 13h00 – horário de saída e entrada de alunos do ensino básico e secundário, o mau cheiro muitas vezes invade as salas de aulas. “Tem sido insuportável leccionar com esse cheiro e os alunos reclamam”, diz um professor.

Há também vários relatos de pais, que dizem que por conta desse mau cheiro que invade a escola, os filhos estão sentir fortes dores de cabeça. “Como pode uma criança vai aprender nestas condições? A minha filha sente dores de cabeça intensas desde que entrou naquela escola. Pensamos que era um problema de vista, mas levamo-la a uma consulta e não é isso, pelo que acreditamos que é por causa do mau cheiro desse esgoto”, afirma Renata de Almeida.

Segundo a nossa entrevistada, há crianças que depois de sair das aulas brincam no local. “A escola tem alunos do EBI e do Liceu. Já vi crianças pequenas, que por travessura, vão brincar no local após o horário escolar, correndo o risco de apanharem doenças”, conta.
Um problema de longa data

Conforme apuramos, o esgoto a céu aberto também preocupa a Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola de Santa Maria. De acordo com o seu presidente, António “Patone” Lobo, a organização já tem conhecimento do caso e tem feito algumas diligências junto das autoridades para acelerar o seu encerramento.

Segundo presidente da associação, o esgoto a céu aberto funciona no local há vários anos, mesmo antes da inauguração do Complexo Educacional de Santa Maria, no ano passado. “O esgoto vem da cidade e não apenas do Liceu. É um problema de há muito tempo”, esclarece.

Patone explica que “aquele canal de esgoto foi instalado porque ouve uma altura em que muita gente começou a usar a rede. Portanto, sem bombagem o esgoto tem que sair em algum lado. Além disso, o sistema de bombagem da água de chuva, feito pela Câmara Municipal, está ligado àquele cano”.

ETAR operacional em 2017

Entretanto, tudo leva a crer que o problema do esgoto a céu aberto está prestes a ser solucionado. Ao que tudo indica, a partir do primeiro trimestre de 2017 a Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Santa Maria entrará em funcionamento.

Conforme apurou este jornal, as obras para a operacionalização dessa ETAR decorrem a um bom ritmo e se tudo acontecer dentro do estipulado, em Fevereiro essa infra-estrutura sanitária será entregue. O projecto, orçado em 150 mil contos, faz parte do Fundo de Água e Saneamento – FASA – do Segundo Compacto do Millennium Challenge Account (MCA).

A Etar de Santa Maria será gerida pela Águas de Ponta Preta (APP), que em Setembro deste ano celebrou com a Câmara Municipal do Sal o contrato de concessão, em regime de serviço público, da gestão do sistema de águas residuais e esgotos da Ilha do Sal.

Este jornal apurou que a concessão, que tem um prazo de 20 anos, iniciará com a gestão do sistema de Santa Maria. “A concessão inicia-se com a gestão da ETAR e da rede de esgoto de Santa Maria, orientado por princípios de universalidade, igualdade e equidade no acesso aos serviços de Saneamento promovendo uma gestão democrática que assegura a inclusão social e desenvolvimento económico”, lê-se em nota da APP.

Ou seja, a empresa vai gerir um sistema de 22 Km de rede de esgotos, sete estações elevatórias e duas ETAR de 1.000 e 2.500 m3/dia de capacidade, que prestará serviço a cerca de 10.000 turistas e a uma população de aproximadamente 6.000 habitantes.

“A interligação hidráulica da ETAR Municipal e da ETAR da APP permitirá desenvolver uma inovadora gestão integrada do sistema de saneamento de Santa Maria, que já em 2017 tratará um volume de 1,05 Hectómetros cúbicos de água residual mediante um processo físico-químico com lamas activadas”, informa a mesma nota.

Ambas as ETAR’s dispõem de um tratamento terciário, que permitirá regenerar as águas tratadas e reutilizá-las em diversos usos, nomeadamente rega de jardins. As lamas geradas no processo serão tratadas na ETAR Municipal e aproveitadas como fertilizante na agricultura e jardinagem.

A prestação organizada dos serviços de saneamento terá um impacto directo no desenvolvimento urbano, na elevação da qualidade de vida, na protecção ambiental e na geração de novas formas de rendimentos e oportunidades de emprego.

De referir que a ETAR de Santa Maria foi construída pelo governo de Cabo Verde no âmbito do Projecto de Água e Saneamento das ilhas do Sal e Boa Vista. As obras foram concluídas em 2008, mas nunca chegou a funcionar. Em 2010 a obra foi entregue à edilidade salense, mas só em Março do ano passado foi rubricado o auto de transferência.

Depois de mais de seis meses de inactividade, este equipamento público já tem sinais de degradação, o que põe em causa milhares de contos investidos. Daí que a edilidade resolveu concorrer ao programa FASA com um projecto que visa recuperar a infra-estrutura.

A ETAR de Santa Maria possui uma rede de drenagem com uma extensão de 10km, incluindo caixas colectoras secundárias e primárias, estação de bombagem, estação de tratamento concebida para o tratamento biológico “Lama Activadas”, ocupando uma área total de 4.000m2, entre outros aparelhamentos.

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