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Estudantes cabo-verdianos desesperam para sair do Equador 30 Abril 2016

Os 14 estudantes cabo-verdianos a residir na cidade portuária de Manta, uma das zonas mais afectadas pelo terramoto de 16 de Abril, querem sair do Equador o mais rápido possível, por causa da destruição e receio de novos abalos. Entretanto, só na próxima segunda ou terça-feira deverão viajar para a capital do país, Quito. A informação foi avançada ao asemanaonline pelo estudante de medicina Élvis André Pereira Almeida.

Estudantes cabo-verdianos desesperam para sair do Equador

17 de Abril, o dia de terror - houve posteriormente várias réplicas - foi relatado ao asemanaonline por Élvis Almeida, que cursa o segundo ano de Medicina na Universidade Laixa Eloy Alfaro de Manabí, em Manta. “Por pouco a minha casa não desmoronava. Depois do terramoto vi muita destruição, muita gente morta. As ruas cheiravam a cadáver”, descreve. Logo depois que a terra parou de tremer, o jovem diz que procurou uma amiga cabo-verdiana para saber como estava.

Depois, mais cabo-verdianos foram chegando e, juntos, foram para casa de uma colombiana, que lhes disponibilizou um lugar para ficarem. “Não tivemos qualquer outro tipo de ajuda. Se não fosse por esta senhora, talvez a nossa situação fosse mais grave. Felizmente, o terramoto não vitimou nenhum cabo-verdiano. Mas estamos com medo, porque há possibilidades de a terra voltar a tremer e as nossas casas estão em risco de desabar”, ressalta este cabo-verdiano.

Para sua protecção, os 14 cabo-verdianos que estudam em Manta juntaram forças passando a viver numa única casa. As restantes não são seguras. Aliás, dada a precária condição em que estão a viver, Élvis não esconde o seu desagrado com as informações que vão sendo veiculadas em Cabo Verde de que estão bem. “Tenho colegas que não dormem desde o dia do terramoto, com medo de não mais acordarem”, acentua este estudante.

Élvis André Pereira Almeida conta que ele e um outro colega decidiram, por sua conta, escrever uma carta à embaixada cabo-verdiana em Brasília – Cabo Verde não possui representação diplomática no Equador – a pedir que sejam retirados do país, porque não estão seguros. O mais caricato, relata este nosso entrevistado, é que a representação diplomática no Brasil disse não ter informações de que havia estudantes cabo-verdianos no Equador.

Para agravar ainda mais a sua situação, prossegue, os preços dos alimentos e os roubos aumentaram. “Vai ser preciso muito tempo para a situação normalizar. Ainda não recebemos qualquer tipo de apoio. Estamos a fazer uma única refeição por dia. Somos 14 estudantes em Manta a fazer o curso de Medicina na Universidade Laica Eloy Alfaro de Manabí, no quadro de um protocolo entre esta instituição e a Uni-Mindelo”.

Da Uni-Mindelo também não tiveram contacto de início, nem sequer para saber se estavam vivos ou mortos, sendo que o convénio entre as duas universidades apenas exonera os alunos de pagar a matrícula. Mais tarde receberam apoio moral da instituição. As aulas na Universidade Laica Eloy Alfaro de Manabí estão suspensas, sem previsão de recomeço. A situação no país é ainda caótica.

De referir que há, além dos universitários residentes em Manta, mais seis estudantes cabo-verdianos em Machala, onde ocorreram tremores de terra, mas em menor intensidade, e um outro na cidade de Loja, província homónima localizada na região da serra, Sierra, uma das quatro regiões geográficas do país.

Notícia relacionada:
http://asemana.publ.cv/spip.php?article117817

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