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Estudantes de S.Filipe em situação difícil na Praia: Câmara assume liquidar as dívidas junto das universidades 29 Janeiro 2017

Os universitários de S.Filipe do Fogo na Praia estão a passar por momentos difíceis. Mas a Câmara já assume o compromisso de liquidar todas as dividas resultantes das propinas em atraso desses alunos junto das várias universidades de Santiago. O anuncio foi feito pelo Edil Jorge Nogueira, durante uma reunião alargada com os alunos que teve, no final desta semana, na Biblioteca Nacional, na cidade da Praia.

Estudantes de S.Filipe  em situação difícil  na Praia: Câmara assume liquidar as dívidas junto das universidades

Jorge Nogueira falou da importância da actualização do cadastro de todos os estudantes contemplados com subsídio de propinas para que a Câmara Municipal possa analisar os dados e, assim, definir a forma como será efectivado os compromissos assumidos com os estudantes e as universidades onde estudam.

O Edil da cidade dos Sobrados anuncia que todos os pedidos de apoio ao pagamento de propinas, que se encontravam pendentes, já se encontram regularizados, embora reconheça existir alguma injustiça nos montantes a serem atribuídos. “Todos os pedidos pendentes e de renovação de bolsas foram contemplados, mantendo os mesmos valores anteriormente estipulados. Nesta óptica, pensamos criar no próximo ano lectivo alguns critérios de selecção que devem ser respeitados, nomeadamente a classificação e avaliação das aprendizagens, situação socioeconómica e familiar dos estudantes, entre outros aspectos a serem analisados”, adianta.

Na ocasião, o presidente sanfilipilense garante que tem havido alguma onda de descontentamento por parte dos jovens universitários, quanto à demora na atribuição de subsídios e liquidação das dívidas de propinas, mas deixou entender que tudo isso deveu-se à assunção tardiamente da parte financeira municipal que se encontrava um pouco “crítico”.

Como forma de apaziguar os ânimos no seio destes universitários, JN assegura que todos os 138 pedidos de renovação de bolsas já foram contemplados, sendo 92 da Uni-cv, 17 da UNI-PIAGET, 8 do ISCEE, 10 da UNI-Santiago e 11 do ISCJS. Isto sem contar com os 66 outros novos pedidos de subsídio que deram entrada neste ano lectivo corrente. “A Câmara decidiu liquidar todas as dívidas de propinas dos jovens sanfilipenses que foram contemplados, mas para isso estamos a negociar com as universidades, no sentido de amortizá-las de forma faseada”, assegura.

“Ao assumirmos a Câmara Municipal de São Filipe (CMSF), herdámos uma dívida de mais de 100 mil contos da anterior edilidade. Dívidas essas destinadas aos prestadores de serviços, ao INPS, à electricidade e água, ao telefone, aos comerciantes e outras pequenas empresas”, aponta.

Questionado sobre o prazo da liquidação das dívidas de propinas existentes nas universidades da ilha de Santiago, Nogueira promete que brevemente estes problemas serão ultrapassados. “Estamos confiantes e vamos assumir integralmente os compromissos com os nossos estudantes e com as demais universidades de Santiago onde estudam”, garante.

A redução das propinas dos estudantes da ilha do Fogo é outra preocupação de Jorge Nogueira. O autarca garante que já propôs às universidades a assinatura de um protocolo entre as partes, que visa reduzir as propinas, de modo a facilitar a sua amortização atempada e sem sobressaltos. “Mensalmente, a Câmara paga às universidades da ilha de Santiago mais de 3 mil contos de subsídio de propinas. Vamos analisar cuidadosamente e propor às universidades que reduzam as propinas para os estudantes da ilha do Fogo nos próximos tempos”, anuncia.

Inquietações dos estudantes

Foram várias as inquietações apresentadas pelos jovens oriundos do Concelho de São Filipe, que estudam nas universidades da ilha de Santiago. Carla Correia, estudante do 4º ano em Direito, critica que sentiu-se obrigada a recorrer a um empréstimo financeiro para liquidar as dívidas de propinas acumuladas e para que seja admitida aos exames das disciplinas que ficaram pelo caminho durante o 3ºano do curso. “Espero que a CMSF me retribua o montante despendido, para que eu possa honrar os meus compromissos com terceiros. Temos muitos colegas que não terminaram o curso e outros que ficaram sem certificados do fim do curso por causa de dívidas acumuladas nas universidades”, desabafa.

Paula, é outra que se encontra a frequentar o último ano do Curso em Auditoria e que recorreu a empréstimos para que pudesse continuar os estudos. Por isso, apela à CMSF para desembolsar o montante em causa para que possa liquidar a sua dívida que tem com terceiros e terminar o curso sem tormento.

A afinar pelo mesmo diapasão está o estudante da UNI-PIAGET, Romário Lima Barber, do 2º ano do Curso das Ciências da Comunicação e Publicidade. “Estou correndo o risco de não ser admitido aos exames do fim do semestre corrente, por motivo das dívidas de propinas acumuladas desde o início deste ano lectivo”.

Roque Mendes é também um jovem de São Filipe que frequenta o 3º ano do Curso de Ciências Políticas e Administração Pública, no Instituto de Ciências jurídicas e Sociais (ISCJS) e que se mostra preocupado com algumas disciplinas pendentes aos exames que acontecem no próximo dia 8 de Fevereiro. “Estou aflito e apreensivo porque até este momento, a CMSF não comparticipou com a sua quota-parte de propinas e corro o risco de ser reprovado”, atesta.

Ameaças de estudantes de Chã

A outra grande preocupação diz respeito às dezenas de universitários provenientes da Chã das Caldeiras, que ameaçam abandonar os cursos. Isto caso alguma entidade não resolverem os problemas das dívidas de propinas que têm até o final deste primeiro semestre.

Antónia Montrond, que estuda Línguas Africanas na Universidade Lusófona de Cabo Verde (ULCV), afirma que, para além das dívidas que tem com a universidade, muitos colegas de Chã passam por sérias dificuldades de alojamento e transporte. Por isso, solicita a intervenção urgente das Câmaras Municipais do Fogo e do Governo Central para resolver este problema.

Jorge Nogueira promete, no entanto, remeter, brevemente, estas preocupações ao Conselho de Ministros, no sentido de encontrar soluções para estes jovens filhos dos deslocados de Chã das Caldeiras, isto na sequência da da última erupção vulcânica na ilha do Fogo.

Os participantes ao encontro desta semana na Praia propuseram que seja criada uma Associação dos Estudantes da ilha do Fogo, ainda este ano, “tendo como principal parceira a Câmara Municipal de São Filipe”.

De salientar que este diário digital soube junto das suas fontes que a actual edilidade sanfilipense herdou uma dívida de propinas, num montante que ultrapassa os 6 mil contos, afectando os vários estabelecimentos de ensino superior públicos e privados na Praia.

Celso Lobo

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