POLÍTICA

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Ex-PM José Maria Neves considera "absurda" isenção unilateral de vistos para europeus 13 Abril 2017

O ex-primeiro-ministro de Cabo Verde José Maria Neves classificou hoje como "absurda" a decisão do Governo de isentar de vistos os cidadãos europeus, assinalando que a medida representará uma perda de receita anual de 20 milhões de euros.

Ex-PM José Maria Neves considera

"Fiquei estupefacto quando ouvi que o Governo vai isentar unilateralmente os europeus de visto de entrada em Cabo Verde. Na minha humilde opinião trata-se de uma medida absurda, que não faz nenhum sentido. Nem os europeus, eventualmente apanhados de surpresa, entenderão esta medida", escreveu Neves, na rubrica "Prismas" da sua página na rede social Facebook.

Para José Maria Neves, que negociou e assinou com a União Europeia uma parceria especial, que este ano cumpre uma década, a mobilidade de pessoas entre Cabo Verde e a União Europeia "deve-se enquadrar na Parceria para a Mobilidade, que vinha sendo construída, com base na Parceria Especial", numa perspetiva de benefícios mútuos.

"O objetivo era conseguir que empresários, escritores, músicos, jornalistas, etc. tivessem facilidades de vistos e gradualmente ir alargando as mesmas facilidades a outros segmentos da sociedade até se atingir a prazo a livre circulação, com ganhos mútuos para a Europa e Cabo Verde, pois trata-se de uma Parceria", adianta.

Por isso, o ex-primeiro-ministro, que deixou a chefia do Governo há um ano, considera não fazer "nenhum sentido a isenção unilateral de vistos a cidadãos da União Europeia".

"Nem os amigos europeus de Cabo Verde vão entender tal medida, nem os cabo-verdianos, que passam por enormes agruras para conseguir um visto para qualquer país europeu", sublinhou.

José Maria Neves considera ainda não ser possível "desprezar uma importantíssima fonte de receita, que pode ser superior a 20 milhões de euros ano [...] e depois ir pedir ajuda orçamental aos europeus ou perdão da dívida".

O ex-primeiro-ministro entende também que "a importância geoestratégica de Cabo Verde passa pela sua inserção ativa na região oeste africana", a "pedra basilar do relacionamento" com a Europa e o Mundo.

"Cabo Verde deveria, também, ir trabalhando outras parcerias, designadamente com os Estados Unidos e a Mercosul", disse Neves.
Considerou ainda que medidas destas "requerem uma cuidada ponderação e um amplo consenso entre os partidos políticos e a sociedade civil".

O primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, disse segunda-feira, à saída de um encontro com o chefe de Estado português, no âmbito da visita de Marcelo Rebelo de Sousa a Cabo Verde, que está a criar condições para a isenção de vistos para cidadãos europeus a partir de maio.

Fonte: Lusa

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade






Mediateca
Cap-vert

Uhau

Uhau