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Família a viver em condições “sub-humanas” em São Vicente: Mãe e 5 filhos moram em casa sem tecto 07 Mar�o 2016

Zuleica Lopes Martins vive com os cinco filhos em “condições sub-humanas” na zona de Lameirão, S. Vicente. Esta mãe solteira, de 32 anos, mora com os filhos numa casa velha, sem condições de habitabilidade. O tecto está a cair aos pedaços e as paredes com rachas ameaça ruir. Além de uma pequena cozinha onde preparam as refeições, a casa só tem uma divisão habitável: o corredor. É neste pequeno compartimento que os seis membros desta família monoparental dormem e passam os dias, porque os outros quartos já não servem - estão sem portas e janelas. Para piorar a situação, Zuleica está desempregada e esta família só sobrevive graças à ajuda que lhe dão desconhecidos e familiares. Em tempo de campanha, quando se vê os partidos a gastar rios de dinheiro em nome das eleições, o A Semana dá à estampa a história desta jovem que clama por uma habitação condigna.

Por: Carina David

Família a viver em condições “sub-humanas” em São Vicente: Mãe e 5 filhos moram em casa sem tecto

A história de Zuleica Lopes Martins vem colocar a nu, o estado de carência em que vivem não poucas famílias cabo-verdianas. Mãe de cinco filhos, com idades compreendidas entre os 4 e os 14 anos, Zuleica diz que não recebe nenhuma ajuda dos pais das crianças. Há vários anos no desemprego, ela só consegue sustentar a sua família monoparental com a ajuda de outros, seja dos familiares quando podem, seja de desconhecidos. Mas o que mais lhe faz amargura é não ter uma casa em condições para morar com os filhos.

“A casa onde eu moro está velha e a cair aos pedaços. O tecto ameaça vir abaixo a qualquer momento. Dormimos numa pequena cama de ferro que está no corredor, porque os quartos não servem. Temos uma cozinha onde faço as refeiçõs, mas passamos a maior parte do tempo no corredor onde o tecto está ainda de pé”, conta angustiada, revelando que há anos que não consegue arranjar trabalho para dali tirar o sustento da família.”

Conta que no início, quando vieram morar para “esta casa, estava tudo bem. Mas há algum tempo que as paredes e o tecto começaram a cair”. Ela vive em sobressalto porque tem medo que o pior aconteça a qualquer momento. “Às vezes saio para ver se arranjo alguma coisa para dar de comer aos meus filhos, mas fico com o coração apertado porque temo que, a qualquer momento, possa acontecer alguma coisa”.

A jovem de 32 anos diz que há mais de dois anos que assim vive, em condições sub-humanas. Conta que já fez de tudo para conseguir uma habitação social junto da Câmara Municipal de São Vicente, mas ficaram apenas as promessas. “Fui falar com o presidente Augusto Neves, que conhece o meu caso porque ele já esteve em minha casa. Mas ainda estou à espera da ajuda prometida por ele. Já fui várias vezes conversar com ele, mas disseram-me que não estão a marcar audiências”, conta Zuleica, que também diz nunca ter recebido apoio do Governo. “Nunca fizeram nada por mim. Tudo está a cair”, lamenta.

Desesperada, esta mãe solteira diz que já bateu em várias portas, sem resultado. Zuleica, que não quer transformar-se numa pedinte, deixa aqui o apelo às pessoas de boa vontade e instituições vocacionadas para solucionar os problemas sociais: pede para a ajudarem com a alimenção dos seus filhos e com um emprego para poder construir a sua própria casa e viver com dignidade.

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