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A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Família e artistas apelam ao estudo de Norberto Tavares 10 Janeiro 2011

Terminou a jornada de um “badiu”, o homem que durante 35 anos deu a volta ao mundo, empunhando a música e Cabo Verde como bandeiras. Sempre. Norberto Tavares voltou domingo, 2 de Janeiro de 2011 à Fonte..., onde nasceu no dia 6 de Junho de 1956. À sua terra da esperança, que é Assomada, é Cabo Verde. E fica a alma do Homem na sua vastíssima obra que a família quer ver preservada, para servir as futuras gerações.

Família e artistas apelam ao estudo de Norberto Tavares

Muita emoção, tristeza, muitas palmas, abraços, poucas lágrimas. Mas também muita esperança nas centenas de pessoas que acompanharam o corpo de Norberto Tavares até ao cemitério de Nhagar, sempre ao som do “Cabo Verde di Esperança”... A Esperança de que esta “volta à fonte” de Norberto ainda muito fará por Cabo Verde. Esperança deste povo em unidade – nacional, política e religiosa.

Em representação dos músicos e artistas nacionais, Kaká Barbosa, no seu elogio fúnebre, desafiou os investigadores nacionais para o estudo do legado de Norberto e também do património humano de Santa Catarina, concelho “onde homens valorosos deste e do tempo passado construíram a história e a grande tradição destas ilhas”.

“Santa Catarina é um concelho de Cabo Verde com uma tradição riquíssima, profunda, onde as crenças, mitos, e outros aspectos nos põem a acreditar que um dia podemos ser alguém” proclamava Kaká Barbosa desde a varanda do Centro Cultural Norberto Tavares, que – tendo ao centro a emblemática praça de Assomada – faz Largo com o Paços do Concelho de Santa Catarina e a Igreja Matriz da Nossa Senhora de Fátima, do outro lado da Rua. O símbolo dos quatro poderes, com o do povo no meio (a praça) numa região conhecida por homens e mulheres que sempre buscaram a autencidade de um povo na raiz de uma nação, na luta (revolta de Engenhos e de Rubon Manel e, mais tarde, no desígnio da Independência Nacional) e na Resistência Cultural.

Mas o tributo do músico, compositor e intérprete a Norberto Tavares não fica por aqui. Emocionado, Kaká Barbosa sugere que seja criado um memorial para lembrar, louvar e falar deste mensageiro, que deixa muita esperança, amor, união e compreensão nos corações crioulos. Afinal, Norberto é “rico em traços que vieram da nossa tradição, da vivência mais profunda de Santa Catarina, de Santiago e de Cabo Verde”, o chão que o fez homem do mundo e para o mundo, diz.

É o “badiu” aqui nascido que durante o seu tempo soube impregnar a cultura da sua terra natal, afirmando as suas origens e a sua identidade. Com essa vontade, criou várias composições que ficarão para a história, como “Nós Cabo Verde di Esperança”, “Volta pa fonte”, “Hino di Unificação”, “Maria”. Mais, deixa inéditos que irão marcar outras gerações, outros tempos. António Tavares, no agradecimento da família ao apoio do povo cabo-verdiano, revelou que este cultor deixa mais de 50 composições inéditas, escritas quando tinha apenas 25 anos. É obra!

Agora, diz, serão reveladas para que todos, em casa ou na escola, na rua e em todos os cutelos, possam continuar a espalhar as mensagens deste compositor que escolheu livremente pensar a sua terra. E Totó leu uma dessas mensagens, “Julgamento”, que faz um apelo ao arrependimento, para poder haver união, paz, amor, perdão, solidariedade e compreensão entre os homens, de lá e de cá, de hoje e de amanhã. Mas foi Carlos Tavares – o homem que doou um rim a Norberto Tavares para lhe prolongar a vida – que verbalizou a certeza que pairava no ar: “Norberto ká morré, permanecerá eternamente nas nossas memórias”. Aos 54 anos, o corpo do autor de “Nôs Cabo Verde di Sperança”, voltou à fonte para descansar no cemitério de Nhagar, Assomada. Mas a alma de Norberto Tavares fica em cada um de nós, cabo-verdianos convictos.

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