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Famílias de Chã em casas arrendadas sem inscrição na lista de beneficiários ficam sem apoios para renda 03 Outubro 2017

Doze famílias de Chã das Caldeiras, residentes em casas arrendadas em vários sítios da ilha do Fogo e que não constam da lista de beneficiários do novo assentamento, foram notificadas para abandonar as casas até 09 de Outubro. O caso está a revoltar os visados com essa medida do Governo de Ulisses Correia e Silva.

Famílias de Chã em casas arrendadas sem inscrição na lista de beneficiários ficam sem apoios para renda

A família de Ciza, que residia em casa arrendada nos Mosteiros, perante a notificação resolveu antecipar a saída e aproveitou uma boleia numa das viaturas da câmara dos Mosteiros para regressar a Chã, apesar de não dispor de “espaço condigno” para colocar os seus pertences e viver “com dignidade”.

A sua chegada a Chã das Caldeiras coincidiu com a de Jorge Santos, que na qualidade de presidente do Parlamento quis inteirar-se da situação da população, e foi confrontado com esta situação.

Cisa, mãe de três filhos, disse a Jorge Santos que recebeu do pessoal que trabalha no processo de deslocados e da câmara de Santa Catarina a notificação de que deixa de receber renda e que deve entregar a casa até o dia 09 de Outubro, e que, perante a solicitação do proprietário, teve de deslocar-se a Chã, já que a tentativa para convencer os responsáveis não surtiu efeito.

A A vereadora de Urbanismo, Infra-estrutura e Habitação da Câmara de Santa Catarina, Adileusa Montrond, que acompanhou o presidente do Parlamento, explicou que para pessoas que estavam na renda com a publicação da lista as que não fazem parte de beneficiários de novo assentamento deixarão de receber ajuda para renda.

“Saiu uma lista com 43 pessoas que vão beneficiar de assentamentos e vão permanecer na renda e as que não fazem parte da lista deixam de receber”, disse a vereadora, indicando que a Câmara começou a fazer levantamento para ver se essas pessoas têm ou não condições de habitação.

Segundo a mesma, algumas famílias que estão na mesma situação estabeleceram contactos com a câmara e, na terça-feira, ao menos duas famílias, vão ser recebidas pelo vereador da área de promoção social para reavaliação da situação e no caso da Ciza, ela deveria contactar a câmara antes de sair da casa arrendada.

Antes da publicação da lista, havia 55 famílias que viviam em casas arrendadas e com a saída da lista as 43 famílias que vão ser contempladas com novo assentamento continuam na renda e as 12 que não fazem parte da lista deixam de beneficiar da renda a partir de Outubro.

Em situação bem pior está um jovem casal com um filho recém-nascido (16 dias) que vive numa barraca improvisada em cima das lavas vulcânicas porque não beneficia de renda e nem de novo assentamento.

A barraca de pedras soltas foi construída com ajuda de amigos, mas com a queda da chuva o espaço ficou demasiado quente e com emissão de gases, obrigou o casal e o bebé a sair provisoriamente do local estando agora a residir numa casa de banho de uma casa que foi arrendada temporariamente.

Mas como o espaço deve ser arrendado para o funcionamento de salas de aulas, o casal será obrigado a regressar à barraca com o filho de tenra idade e com todas as consequências.

Quanto ao apoio monetário que a população reivindica e que poderá atingir o limite máximo de 200 contos, dependendo da dimensão do agregado famíliar, a vereadora disse que a edilidade realmente prometeu esta ajuda para que as pessoas invistissem nas actividades geradoras de rendimento e na criação de pequenos negócios para sobrevivência, mas que tal ainda não se concretizou devido a questões burocráticos.

C/Inforpress

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